A última vítima foi o meio campo Casemiro, do Real Madrid
Jogadores da seleção brasileira são assaltados na Europa

Se fosse o contrário, jogadores do Velho Continente sendo assaltados por aqui, provavelmente a imprensa europeia estaria dizendo que seus craques não sentem segurança em jogar no futebol brasileiro. Ainda mais se fossem dezenas de ocorrências como se tem registrado por lá.

Antes da gente falar sobre o assalto à casa de Casemiro, se você ler a lista de quem foi lesado nos últimos tempos na Espanha, França e Inglaterra entenderá melhor o vexame que os europeus estão protagonizando.

Entre os companheiros do brasileiro que foram assaltados na capital espanhola estão os jogadores de meio campo Lucas Vázques e Isco e o técnico Zinedine Zidane, todos do Real Madrid.

No rival Barcelona, o zagueiro Gerard Piqué, o lateral Jordi Alba e o volante brasileiro Arthur foram os "premiados". Quando jogava pelo clube catalão, o meia-atacante Phillipe Coutinho também teve a casa arrombada.

Outro time espanhol que viu seus jogadores experimentaram o dissabor de serem escamoteados foi o Bétis. O meia Joáquin Sánchez e o volante William Carvalho engrossam a relação de vítimas no país.

Na Inglaterra, o senegalês Sadio Mané, do Liverpool, teve bens subtraídos por bandidos em dois arrombamentos à casa dele.

O meia-atacante Memphis Depay, do Lyon, puxa a lista de "surpreendidos" por ladrões na França. No país do presidente Macron, o zagueiro brasileiro Thiago Silva, que joga pelo PSG, também já foi surrupiado.

Em todos os furtos às residências, as invasões acontecem quase sempre na hora que os jogadores estão atuando em partidas por seus clubes.

A casa do volante Casemiro foi invadida no último sábado, no mesmo momento em que ele estava jogando o clássico de Madri contra o Atlético. O mais aterrorizante desta vez é que a mulher e a filha do brasileiro, de apenas três anos, estavam lá. A sorte delas (se é que alguém pode ter sorte em uma situação como essa) é que normalmente os bandidos costumam agir sem violência.

Nem a polícia e nem o jogador deram detalhes do que aconteceu, assim como não revelaram quais pertences foram levados.

Casemiro tomou conhecimento do assalto após o término da partida, que terminou empatada sem gol. Ao chegar ao vestiário ele foi informado do fato e deixou rapidamente o Estádio Wanda Metropolitano, escoltado pela polícia.

Preocupados com a onda de assalto aos seus atletas, os clubes têm aconselhando os jogadores a não publicarem fotos de suas residências nas redes sociais.

"Não é nada agradável. Não só por meus jogadores, mas por qualquer pessoa. Outro dia aconteceu com Case, mas o mais importante é que não aconteceu nada com seus familiares, são apenas coisas materiais. Espero que não volte a acontecer com ninguém", declarou o técnico Zidane.

Em maio, o volante Arthur viveu um drama parecido. Durante uma partida do Barcelona contra o Liverpool, pela semifinal da Liga dos Campeões, a residência dele foi alvo dos criminosos. Os espanhóis venceram por 3 a 0 jogando em casa, mas o ex-gremista não teve motivo para comemorar.

Naquela noite, os bandidos entraram na casa do Arthur, que fica no bairro de Les Corts. Eles usaram uma chave de fenda e uma machadinha para arrombar uma janela.

De acordo com o jornal El Taquigrafo, um irmão do jogador se encontrava na residência e teria passado sufoco nas mãos dos criminosos, que o ameaçaram de morte. O site espanhol informou que os dois ladrões estavam encapuzados e levaram objetivos de valor, como um relógio Rolex.

 

2018 já tinha sido de medo para os brazucas

 

Não é de hoje que os brasileiros estão sendo roubados na Europa. No ano passado, Phillippe Coutinho teve a casa arrombada enquanto jantava com a família em um restaurante.

A polícia suspeita que os ladrões tenham se aproveitado de uma obra em uma residência vizinha para invadir a casa do atacante. Coutinho estava de folga naquele dia. O Barcelona tinha viajado para jogar pela Liga dos Campeões e ele não foi relacionado para a partida porque já havia disputado partidas da competição pelo Liverpool.

Em um dia para se esquecer, poucas horas antes Phillippe teve o carro rebocado por ter estacionado em um local de carga e descarga.

Também em 2018, só que em Paris, o zagueiro Thiago Silva teve um prejuízo calculado, na época, de R$ 4,44 milhões. Os ladrões entraram na casa dele enquanto o brasileiro jogava pelo PSG uma partida do Campeonato Francês.

O time de Thiago venceu o Nantes por 1 a 0, mas não vai ser por causa do resultado que o zagueiro jamais vai esquecer o que aconteceu aquela noite. Entre os objetos que foram levados estava um relógio avaliado em 600 mil euros.

No momento do crime, não havia ninguém na residência. Isabelle, a esposa do zagueiro, e os dois filhos do casal estavam de férias no Brasil. O assalto ocorreu em uma área considerada nobre e muito segura de Paris, o 16º distrito da capital francesa, às margens do rio Sena.

Dois dias foi a vez do atacante camaronês Choupo-Moting também ter a sua residência roubada, em Paris. Na madrugada de segunda-feira, véspera do Natal, ladrões levaram o que puderam da casa. O que mais chamou a atenção no caso do companheiro de time de Thiago Silva é que foi o segundo assalto em menos de um mês. No dia 28 de novembro ele tinha passado por uma experiência idêntica quando o jogador perdeu cerca de 600 mil euros.

Os episódios envolvendo estrelas do futebol na França atormentam as autoridades há anos. Em 2012, quando o brasileiro Michel Bastos defendia o Lyon, assaltantes entraram na residência dele na madrugada de um domingo.

Bastos morava em Ecully, na periferia de Lyon. Quatro homens armados invadiram a casa quando o brasileiro chegava da rua, ao lado da mulher e do filho. Os bandidos levaram cartões de crédito, dinheiro e um carro do jogador. Mais tarde o veículo foi encontrado incendiado.

Na mesma época, outros dois jogadores do Lyon também tiveram as casas invadidas por ladrões - o zagueiro Dejan Lovren e o atacante Lisando López.

Há menos de três meses, o diário espanhol El Confidencial detalhou como acontecem os arrombamentos às mansões de atletas.

O periódico ouviu Diego Giráldez, responsável de segurança privada da União Geral dos Trabalhadores da Espanha. Ele contou que as gangues que invadem casas de jogadores são "muito organizadas, longe de serem delinquentes comuns".

Para Giráldez, os bandidos "sabem detectar quando o futebolista está fora de casa, que é quando se dá a melhor circunstância possível para agir", afirmou.

Ainda de acordo com o especialista em segurança, as gangues atuam de maneira muito rápida, com medo que alarmes possam disparar. Diante do pouco tempo que eles têm, os criminosos dão prioridade a joias e dinheiro.

Segundo Diego, os ladrões não costumam cometer violência contra pessoas que estejam nas residências. O irmão de Arthur foi uma exceção. 

 

* a foto da capa é de Lucas Figueiredo/CBF

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