O ator de novelas da Globo acaba de se meter em mais uma arruaça por causa de política. P da vida com a eleição do presidente Bolsonaro, ele fez um desabafo no twitter. Depois se arrependeu e apagou. Mas já era tarde.

Em primeiro lugar, devo confessar que sou fã dos trabalhos do Abreu. A participação dele, na última novela das nove, Segundo Sol, foi espetacular. O "Seu" Dodô era um dos personagens mais divertidos do folhetim. Marido da Naná, avô torto do Baduzinho e pai de Beto Falcão, se tornou um dos pontos altos da história que alcançou ótimos índices de audiência. Mas quando se mete em defender suas convicções políticas, José se perde com frequência.

O mais recente episódio foi a tuitada da semana retrasada. No dia da posse do novo presidente, José Abreu mandou essa:

"Teremos um governo repressor, cuja eleição foi decidida numa facada elaborada pelo Mossad, com apoio do hospital Albert Einstein, comprovada pela vinda do PM israelense, o fascista matador e corruptor Bibi. A união entre a igreja evangélica e o governo israelense vai dar m*". Provavelmente arrependido, minutos depois ele apagou o post. Tarde demais. O texto já tinha viralizado.

Aqui, no blog, não defendemos ideologias, partidos políticos, muito menos senhoras e senhores que se dispõe a cumprir mandatos. O que fazemos é cobrar as aberrações que nosso legislativo e executivo costumam nos brindar, como os Deputados que estão sendo empossados em janeiro e vão embolsar mais de 70 mil reais em apenas um mês.

O blog ainda percorre o noticiário do mundo inteiro mostrando a violência que muitos cidadãos são vítimas de sistemas autoritários ou por tradição cultural, como as mulheres do Nepal que ficam menstruadas.

O que José Abreu tem feito reiteradas vezes é se mostrado muito mais do que intolerante com as diferenças de seus pensamentos. As implicações a cada atitude desprezível do ator provoca um desencantamento em seus fãs e consequências sérias para ele mesmo.

No episódio do twitter, Abreu terá que responder a um processo do Hospital Albert Einstein. A instituição médica se sentiu ofendida por supostamente ter participado ou ter sido conivente de um mirabolante plano político arquitetado durante a campanha eleitoral.

Em comunicado oficial, o Albert Einstein classificou a acusação como "grave, insultuosa e infundada" e anuncia que vai tomar as medidas judiciais cabíveis para "zelar seu compromisso com a sociedade brasileira". Bolsonaro ficou internado durante 22 dias no hospital. 

José de Abreu acusou ainda o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, a quem ele chama de Bibi, em conjunto com Mossad - o serviço secreto israelense -, de serem cúmplices do ataque forjado contra o então candidato à Presidência no dia 6 de setembro.

O atentado aconteceu durante uma caminhada do presidenciável por uma das ruas mais movimentadas de Juiz de Fora. Bolsonaro foi atingido por uma facada quando estava sendo carregado nos ombros por populares. O responsável pelo ataque, Adélio Bispo de Oliveira, foi preso imediatamente. Segundo inquérito produzido pela Polícia Federal, o agressor teria agido sozinho.

Não acreditar nas ideias, propostas, métodos, estratégias e nos atos de qualquer político é um direito inalienável que não só José de Abreu tem. Todos os cidadãos do mundo deveriam igualmente ter a chance de se manifestar, mas não podemos esquecer que, primeiro, precisa existir o respeito. 

As ruas estão aí para serem o palco de manifestações que reúnam milhões de pessoas. Os franceses dos coletes amarelos são um bom exemplo. Mas atacar a honra e a credibilidade de pessoas e instituições simplesmente movido pela cólera do inconformismo não pode ser atitude aceitável. 

O próprio José de Abreu reconheceu que extrapolou em seu ato destemperado e apagou na sequência o tuíte. Mas o estrago já estava feito. Aliás, não foi a primeira vez que o ator se excedeu ao entrar em discussão sobre política. 

Em abril de 2016, enquanto jantava em um restaurante de comida japonesa em São Paulo, ele teria sido provocado por um casal que acusava o ator de se beneficiar com o uso da Lei Rounet. 

Os termos ofensivos da dupla tiraram o casal Abreu do sério. Provavelmente, qualquer um de nós também teria tido uma reação de revolta, mas o que não dá a ninguém o direito de sair por aí distribuindo cusparada na cara dos outros.

Imagino que a essa altura, outros casos similares estejam aflorando na sua lembrança. Um deles o da troca de cuspis dos deputados Jean Wyllys e Eduardo Bolsonaro. 

Não há distinção entre a gravidade de todos os atos, igualmente abomináveis e condenáveis. 

A crise que o Brasil vive de moral é a mais grave em todo o nosso período republicano. Nesse momento, o mínimo que se espera é que figuras públicas, admiradas por milhões de fãs, seguidores e eleitores sejam uma referência sobre a postura que necessitamos ter. 

Enquanto a chamada "elite" se comportar com gestos baixos e vergonhosos jamais teremos condições de esperar que nossa população possa ser educada a ter comportamentos de civilidades que o Século XXI exige. 

As pessoas públicas não são meros bonecos em vitrines, são referências. O que elas fazem, vestem e dizem tem uma enorme influência sobre os simples mortais. 

Você, Abreu, é um dos maiores atores da nossa tv e do teatro brasileiro. Seus gestos representam muito mais do que simples manifestações pessoais. 

De pessoas, como nossos ídolos, esperamos aprender lições que tornem o mundo muito melhor do que o feliz desfecho das histórias de ficção das quais você participa como um grande mestre. 

Tolerância e respeito são premissas que todos precisamos defender, independente da cor da bandeira de nossas identificações. 

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Olá, deixe seu comentário para José de Abreu, um artista talentoso, mas como cidadão….

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José Sá

José Sá

APOIO que o excelente Hospital Dr. Albert Einstein processa o idiota.
Demente urbano.
★★★★★DIA 14.01.19 15h37RESPONDER
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Guilherme Mendes

Guilherme Mendes

Lamentável as pessoas misturarem frustrações com necessidades da sociedade. Abraço!

★★★★★DIA 14.01.19 16h01RESPONDER
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Vinicius Cavalcante

Vinicius Cavalcante

Um cara que nem mora no Brasil, se quiser opinar que morasse aqui pater direito. Vem aqui pega o dinheiro e racha fora esse é o tal jose de abreu.
★★★★★DIA 28.01.19 09h04RESPONDER
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Guilherme Mendes

Guilherme Mendes

Vinícius, acho que ele não se sairá bem dessa enrascada. Existem limites. Abraço.

★★★★★DIA 28.01.19 10h37RESPONDER
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Neimar Araujo Lage

Neimar Araujo Lage

José Abreu não causa mais surpresas a ninguem. Como ator dispensa comentários, excelente. Como cidadão, suas atitudes e comentários políticos, beiram ao ridículo. Fala de Bolsonaro esquecendo que seu guru encontra-se preso em Curitiba, por vários crimes e a cúpula de seu partido, também condenada e com perdas de direitos políticos. Cale a boca Zé.
★★★★★DIA 14.01.19 12h20RESPONDER
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Guilherme Mendes

Guilherme Mendes

Neimar, o Abreu é um mestre das artes. Pena que não seja tão infeliz nas collocações pessoais. Abraço

★★★★★DIA 14.01.19 16h02RESPONDER
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Lino Gregório

Lino Gregório

Concordo com o jornalista em quase tudo, mas não na parte que ele escreve e disse que ouve troca de cusparada entre o então deputado e agora presidente Jair Bolsonaro e o deputado Jean Wyllys, pois só mente este ultimo que fez este ato repugnante.
★★★★★DIA 14.01.19 10h46RESPONDER
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Guilherme Mendes

Guilherme Mendes

Lino, infelizmente, tem uma imagem no Youtube em que há o revídio do Eduardo. Um erro não pode nunca servir para ustificar outro. Obrigado por ter participado do blog. Abraço.

★★★★★DIA 14.01.19 16h04RESPONDER
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Fred -

Fred -

Por que "infelizmente"? Então você gostaria muito que a cusparada fosse só de um lado, mas está tendo que aceitar que o filho do Bolsonaro também agiu assim? É isso? Porque, se for assim, seus textos perdem a imparcialidade. Então quando, por exemplo, você critica alguém, leremos como apenas uma birra, e não opiniões sensatas de um jornalista...

Outra coisa: revídio? Isso seria o revide registrado no vídeo? Poxa...
★★★★★DIA 14.01.19 17h04RESPONDER
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Guilherme Mendes

Guilherme Mendes

Fred, não podemos compactuar com agressões de nenhuma parte. Os episódios na Câmara dos deputdaos foram lamentáveis. Nada justifica. Já imaginou se as pessoas saissem na rua trocando cusparadas pelo mais diversos motivos? A nossa sociedade precisa de uma justiça firme, imparcial, sem privilégios. É isso o que eu penso. Doa a quem doer, dos poderosos aos mais fragilizados. O país cansou de ver tanta permissividade. 

★★★★★DIA 14.01.19 17h19RESPONDER
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