Os fenômenos naturais assustam a cada nova erupção ou terremoto, mas todos fazem parte da existência do planeta
Krakatoa, Etna e tsunamis. O que está acontecendo com a terra no final de 2018

Nos últimos dias do ano os desastres naturais estão ocupando um grande espaço nos noticiários. Desde a tragédia na Indonésia, com a morte de centenas de pessoas por causa de um tsunami, ao susto que o vulcão Etna deu na Itália, o mundo ficou atento às reações do planeta. Inicialmente, pode parecer uma situação atípica, afinal não tem vulcão cuspindo fogo e ondas invadindo áreas habitadas todos os dias. Mas saiba que tudo está dentro da maior normalidade do planeta. 

O primeiro ponto que precisa ser entendido é sobre as erupções vulcânicas. O fenômeno se forma em lugares muito profundos do planeta. 

Se você se recorda das aulas de geografia vai lembrar que abaixo da crosta terrestre tem uma camada chamada manto. 

O manto é formado basicamente por magma, que são rochas em estado líquido. Por causa das altas temperaturas no interior do planeta, essas rochas tem uma consistência pastosa e incandescente. 

Acima desse oceano de brasa flutuam as placas tectônicas (gigantescos blocos de rocha rígida). Como o magma está sempre em movimento, de um lado para o outro, as placas também se deslocam. 

Quanto mais afunda, mais o magma se aquece. Ao atingir determinadas temperaturas, as rochas ficam leves e começam a subir. Mas ao se aproximarem das áreas mais altas elas perdem temperatura, ficam densas e voltam a descer em direção ao núcleo. 

É esse sobe e desce que provoca o deslocamento das placas tectônicas. 

Segundo os cientistas, esse movimento acontece seguindo uma variação cíclica, chamada de corrente ou célula de convecção da Terra.

De acordo com os geólogos, há no mundo dez grandes placas e outras diversas menores. O movimento de todas é constante, mesmo que apenas de alguns centímetros por ano. 

 

O balé das placas e os vulcões 

 

As placas quando se deslocam podem colidir ou uma mergulhar para debaixo da outra, provocando os terremotos.

Existem também casos em que as placas se afastam. Em todas as duas situações há riscos de formação de vulcão. 

No espaço que se abre entre as placas, o magma sobe em direção a superfície em forma de lava, fazendo surgir as erupções vulcânicas. 

Os movimentos tectônicos fazem ainda um continente se afastar ou se aproximar de outro.

Basicamente, existem três tipos de formação de vulcões: os que surgem com a colisão de placas (movimento convergente), aqueles que aparecem depois que as placas se afastam (movimento divergente) e os de formação no interior das placas, que são os mais raros, já que as erupções surgem normalmente nas margens. 

 

Os vulcões ajudaram a formar o planeta 

 

Ao longo da existência do homem no mundo, milhares de pessoas perderam a vida por causa das consequências dos vulcões. Mas saiba que o planeta já dependeu muito deles para ter vida na terra. Graças aos gases e vapores que são expelidos pelos vulcões é que existe a atmosfera. 

O site Super Interessante descreve assim a formação da atmosfera:

"Ela surgiu em um processo que durou pelo menos 4 bilhões de anos e se formou da mesma matéria que constitui o chão que a gente pisa. É isso mesmo: todos os gases que compõem o ar já estiveram debaixo da terra, grudados às rochas. Foram vulcões que cuspiram esses elementos. Além de lava e compostos tóxicos, a fumaça vulcânica lançava para o ar nitrogênio, vapor d’água e dióxido de carbono".

Ou seja, sem os vulcões não teríamos a atmosfera e sem atmosfera não teria surgido a vida na terra. 

As cadeias de montanhas também apareceram através das erupções. A sedimentação das rochas vulcânicas fez surgir ainda muitas ilhas como a do Havaí. 

 

Krakatoa, Etna, tsunamis. O que está acontecendo com a terra no final de 2018Gases liberados pelos vulcões (Foto: Pixabay) 

 

Etna, o maior da Europa

 

O vulcão mais famoso da Europa virou também a vedete do fim de ano na preocupação dos italianos. 

Esse gigante, que tem 3.350 metros de altitude, está na zona de colisão continental das placas euroasiática e africana.

Os estudos sobre o Etna indicam que as rochas mais antigas surgiram durante erupções submarinas há cerca de 550 mil anos na costa da Sicília. 

A área onde se formou o vulcão era um grande golfo. A lava saiu de fraturas no fundo do oceano e ao entrar repentinamente em contato com a água resfriou-se e originou o vulcanismo.

As primeiras erupções teriam acontecido há cerca de 300 mil anos, mas se tornaram recorrentes só há 15 milênios. As constantes atividades geraram várias caldeiras vulcânicas.

No Etna as erupções podem durar alguns dias e até anos. O mais perigoso vulcão italiano também é conhecido como Mongibello, tem 35 km de diâmetro na base e ocupa na ilha siciliana uma área de cerca de 1.250 quilômetros quadrados. É quase três vezes maior do que o Vesúvio. 

 

Krakatoa, Etna, tsunamis...saiba o que está acontecendo com a terraVulcão Etna (Foto: Pixabay)

 

Quatro bocas eruptivas estão no topo do vulcão. Cada uma tem um diâmetro aproximado de 200 metros. Aos pés da formação existem ainda cerca de 700 cones por onde também acontecem erupções. 

O maior susto provocado pelo Etna foi anotado em 1669. A atividade intensa começou no dia 8 de março. No dia 16 de abril as lavas invadiram e destruíram boa parte da cidade de Catânia. Ao todo morreram 20 mil pessoas, muitas asfixiadas pela fumaça tóxica. 


Krakatoa, um monstro avassalador 

 

O tsunami da semana passada na Indonésia, provocado pelo colapso de uma das paredes do vulcão Anak Krakatoa, fez o mundo recordar o quanto aquela parte do planeta representa uma ameaça para a população local. 

Apesar das mais de 400 mortes causadas pelas ondas de até 6 metros que invadiram as ilhas de Sumatra e Java, a região já foi palco de um acidente bem maior causado por outro krakatoa. Em 1883, quase toda uma ilha que tem o mesmo nome sucumbiu quando o vulcão passou a jorrar lavas. 

A erupção do dia 26 de agosto de 1883, é considerada a sexta maior da história. Durante 22 horas o vulcão registrou uma atividade tão absurda que ao explodir jogou pedras a aproximadamente 27 km de altitude. O barulho foi ouvido até na Austrália. 

Em seguida, mais da metade da ilha sucumbiu, formando um tsunami que se espalhou por várias partes do planeta e matou 36 mil pessoas. 

As ondas seguiram pelo oceano Pacífico, alcançando dos Estados Unidos ao canal da Mancha. Terras da América do Sul e territórios africanos também foram levemente atingidos pelas águas. 

Cinquenta anos mais tarde se formou no mesmo lugar um novo vulcão, o Anak Krakatoa. Os cientistas acreditam que o filho pode ser um dia ainda mais devastador do que o pai. A atividade da semana passada já deu uma mostra do que esse monstrengo é capaz. 

As primeiras avaliações dos pesquisadores observando imagens de satélites apontam o desaparecimento de mais de dois terços da altura e volume do vulcão. A estrutura em forma de cone, que antes tinha 340 metros de altura, foi reduzida a 110 metros. Já o volume perdeu cerca de 170 milhões de metros cúbicos de material. Restaram entre 40 e 70 milhões de metros cúbicos.  

 

Krakatoa, Etna, tsunamis. O que está acontecendo com a terra no final de 2018Anak Krakatoa (Foto: Pixabay)

 

O mais mortífero de todos os tempos 

 

O Krakatoa não foi o vulcão mais letal da história. O triste recorde pertence a um vizinho indonésio. O Monte Tambora, na ilha de Sumbawa, dizimou nada menos do que 70 mil pessoas em abril de 1815. A explosão foi tão alta que cerca de 12 mil pessoas teriam morrido logo depois do estrondo. Metade da montanha também desapareceu. 

Atualmente, o maior vulcão do mundo é o Mauna Loa, no Havaí, com 10 mil metros de estatura acima do fundo do oceano e mais 4 mil metros acima do nível do mar. A maior erupção dele ocorreu em 1835, mas sem causar tanta destruição. A viscosidade do magma, considerada boa, permitiu que se formassem rios de lava sem gerar maiores transtornos. 

 

Krakatoa, Etna, tsunamis...saiba o que está acontecendo com a terraMauna Loa, no Havaí (Foto: Pixabay)

 

Os cientistas acreditam que hoje existam de 500 a 700 vulcões na superfície, mas sem poder precisar os que estão ativos, adormecidos ou extintos para sempre. E tem ainda os que permanecem no fundo do mar, longe dos olhos humanos.

No Brasil não há mais vulcões. Os últimos teriam desaparecido há 48 milhões de anos, depois de erupções na região do Rio de Janeiro. 

De acordo com os cientistas, um deles ficava onde hoje é o bairro de Campo Grande e outro na cidade de Nova Iguaçu. Nossos vulcões deixaram de ser ativos há tempos porque o país está afastado das margens das placas tectônicas.

Em Fernando de Noronha também. Há um milhão de anos a ilha não tem mais erupção. 

 

Krakatoa, Etna, tsunamis. O que está acontecendo com a terra no final de 2018(Foto: Pixabay) 
 
Krakatoa, Etna, tsunamis. O que está acontecendo com a terra no final de 2018(Foto: Pixabay)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Alberto Fonseca

Alberto Fonseca

VERTICALIZAÇÃO,VULCÕES E OUTROS.Os vulcões ajudaram na formação do planeta e ainda ajudam no seu equilíbrio,como para controlar a camada de ozônio.Sempre houve erupções.Ultimamente,elas têm aumentado,e vão aumentar mais ainda.É que o Eixo da Terra está ficando verticalizado neste Fim de Ciclo,causando maremotos,erupções e terremotos.Daqui para a frente,a intensidade será alta.O Mar Adriático vai virar Lago Adriático,devido ao surgimento de uma faixa de terra ligando o "calcanhar da Bota"ao continente.A Ciência é indispensável,mas primeiro é necessário o ceticismo debochado,para o tempo,em determinados casos,convencer os cientistas.De momento,fico com as previsões do Profeta Adormecido,Edgar Cayce,e outros,sobre o Lago Adriático e outros fenômenos.O estadunidense nunca errou,ao que se saiba...
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Guilherme Mendes

Guilherme Mendes

Alberto, obrigado pelas informações e por participar do nosso blog. Venha sempre. Abraço.

★★★★★DIA 02.01.19 11h48RESPONDER
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