Pivô do time de futsal do Corinthians e da seleção brasileira foi morto na porta de uma boate em Erechim
Mais um jogador é assassinado em uma noitada

Douglas Nunes era um dos talentos da atual geração do futsal. O jogador nasceu em São Caetano do Sul, e começou a carreira no Corinthians. Depois trocou o time do Parque São Jorge pelo Intelli/Orlândia. Em seguida, se transferiu para o Kairat Almaty, do Cazaquistão, e em 2017 voltou para o Timão.

No final de semana, o jogador de 27 anos estava em Erechim, no interior do Rio Grande do Sul, onde foi disputar a Taça Brasil. No sábado, o time dele perdeu na semifinal por 5 a 3 para o Atlântico, anfitrião da competição, e acabou eliminado.

Mesmo fora da decisão, o Corinthians permaneceu na cidade porque tinha um outro jogo agendado na próxima quarta-feira, de novo contra o Atlântico, agora pela Liga Nacional de Futsal.

Por volta da meia-noite, Douglas e mais três companheiros de time saíram do hotel e seguiram em direção a uma casa noturna. Na boate eles reservaram um camarote, e passaram a madrugada se divertindo. O jogador do Corinthians foi morto quando deixava o local.

O homem que efetuou o disparo fugiu logo após. A bala atingiu a mão direita e o rosto de Douglas, próximo aos olhos. Militares de uma unidade do Corpo de Bombeiros, que fica próxima a boate, foram chamados para fazer o socorro.

Segundo o bombeiro Junir Scesny, a equipe encontrou o jogador caído ao chão. "Ele estava tendo uma parada cardíaca", explicou Junir. Para tentar salvar a vítima, os socorristas fizeram massagem cardíaca e tentaram estancar o sangramento na cabeça.

O atleta foi levado até o Hospital Santa Terezinha, mas acabou morrendo.

 

A confissão do crime

 

A Polícia Civil de Erechim precisou de poucas horas para elucidar o crime. O homem que fez o disparo, Ricardo Jean Rodrigues, de 25 anos, se apresentou espontaneamente na 2ª Delegacia de Polícia acompanhado de uma advogada na tarde de domingo.

Quem relatou a confissão do criminoso foi o delegado José Roberto Lukaszewigz.

Douglas e os companheiros do Corinthians chegaram a dividir o camarote com Ricardo Jean e outros frequentadores da casa. O grupo teria bebido espumante.

"Os jogadores ficaram bebendo, se divertindo. Algumas mulheres entraram no camarote e esse rapaz (Ricardo Jean) também se juntou. Eles ficaram bebendo juntos", disse o delegado.

A discórdia na boate começou na hora de pagar a conta.

Ricardo contou na delegacia que não concordou com o valor, o que gerou a primeira discussão na bilheteria. Ele acabou entrando em luta corporal com Douglas. O jogador teria dado um soco no suspeito.

Em seguida, Ricardo deixou o local. Às 5 horas da manhã os atletas também se retiraram da boate.

Poucos minutos depois, Jean Rodrigues voltou na carona de um Peugeot 207 branco acompanhado de outras duas pessoas. Ele pediu para chamar um dos jogadores do Corinthians, um colega de Douglas que havia morado em Erechim. O atleta se aproximou do carro.

Em seguida, Douglas também foi até o veículo para saber o que estava acontecendo. Segundo relato de outras testemunhas, ele estaria irritado e iniciou a segunda discussão.

"Ele foi até o carro e o outro jogador tentou segurar Douglas. Estava fora de controle e colocou a cabeça dentro do veículo. Foi quando ocorreu o disparo", revelou o delegado.

Ainda segundo a autoridade policial, Ricardo Jean tem passagens por tráfico de drogas e deveria estar em casa no momento do crime, já que cumpre prisão domiciliar por venda de entorpecentes.

 

Uma carreira de títulos e convocações

 

Pelo time paulista, Douglas disputou 56 partidas, sendo 53 como titular. O jogador marcou 21 gols. Ele vestia a camisa número 9. Irmão do também pivô Betão, campeão mundial com a seleção brasileira em 2008, Douglas tem vários títulos no currículo, como a Liga Paulista, Super Liga, Copa Paulista, Copa do Cazaquistão e Eremo Cup.

Assim como Betão, Douglas também defendeu a seleção brasileira em muitas convocações.

Em seu site oficial e nas redes sociais, o Corinthians divulgou uma nota neste domingo: "É com muito pesar que o Sport Club Corinthians Paulista lamenta o falecimento do jogador Douglas Nunes durante a madrugada deste domingo (11). Força aos familiares e aos amigos neste momento tão difícil".

Por causa da morte do jogador, a Confederação Brasileira de Futebol de Salão adiou a decisão da Taça Brasil que aconteceria nesse domingo entre Atlântico e Carlos Barbosa. O jogo estava previsto para acontecer às 13h45. A CBFS definiu que a partida será realizada na próxima terça-feira, dia 13, às 19h. O local da final continua o mesmo, o Ginásio do CER Atlântico.

Douglas é mais um jogador assassinado depois de uma noitada. No dia 27 de outubro do ano passado, o mineiro Daniel Corrêa foi morto em São José dos Pinhais, na região metropolitana de Curitiba, na casa de uma amiga que havia feito aniversário.

 

A segunda morte em 2019

 

A morte de Douglas também não foi a primeira de um atleta esse ano no Rio Grande do Sul, vítima de tiro. Há menos de um mês, no dia 21 de julho, o lateral Wesley Sampaio Soares, de 19 anos, da equipe sub-20 do São José, e a namorada Sara Moreira de Oliveira foram assassinados em Porto Alegre.

Eles voltavam de uma festa às 6h da manhã em um carro de transporte por aplicativo. De acordo com a Polícia Civil, o alvo dos atiradores era o motorista do veículo.

No ano passado, pelo menos mais 6 jogadores foram assassinados.

Em janeiro, o zagueiro Alan Júnior Pereira Alves, de 26 anos, estava reunido com amigos em Praia Grande, no litoral paulista, onde passava férias. Dois homens se aproximaram do grupo em uma moto e efetuaram os disparos. Ele chegou a ser socorrido, mas morreu em um hospital. Alan já deveria estar treinando no Club Deportivo y Social Santa Rita, do Equador. Ele tinha adiado a reapresentação. No Brasil, o jogador atuou por Vasco, Portuguesa-RJ e Atlético Sorocaba.

O lateral Cleber Honorato, que vestiu as camisas de Ponte Preta, Paulista e XV de Piracicaba, defendia o Batatais na Série A2 do Paulistão quando foi assassinado em maio, durante uma festa de rodeio em Jaboticabal, no interior de São Paulo. Ao tentar separar uma briga, Cleber foi atingido por um golpe de canivete. Ele tinha 23 anos.

Alejandro Peñaranda era um atacante que nasceu na Venezuela. Em junho, ele estava em uma festa na casa do lateral Cristian Borja, em Cali, na Colômbia. O autor dos disparos chegou ao local perguntando por uma mulher antes de começar a atirar nos presentes. O meia Heissen Izquierdo também foi atingido, mas sobreviveu. Alejandro tinha 24 anos e era contratado do Cortuluá, da Colômbia. Ele jogou também pelo Atlético Nacional e América de Cali.

Jardel Emerson Torres, que jogou pelo Ypiranga (PE) e no futebol da Albânia, levou cinco tiros, durante uma festa junina em Santa Cruz do Capibaribe, no agreste pernambucano. Ele tentava separar uma briga quando foi atingido. Tinha 29 anos.

Facundo Espíndola, goleiro revelado no River Plate, morreu aos 25 anos depois de uma briga na saída de uma casa noturna na região metropolitana de Buenos Aires, em julho. Ele foi apunhalado no peito pelo atacante Nahuel Oviedo, com passagem pelo Huracán.

O zagueiro francês William Gomis, de 19 anos, foi morto a tiros no subúrbio de Toulon, na França, em setembro. Ele estava dentro do carro quando foi atacado por um grupo fortemente armado. As investigações iniciais indicaram um possível "acerto de contas" ligado ao tráfico de drogas. Semanas antes, o irmão dele também foi assassinado.

Em dezembro de 2017, a morte de Raul Victor Garcez Soares abalou os jogadores do São Paulo. O volante tinha sido formado em Cotia, centro de treinamento da base do tricolor. Com 19 anos, ele estava prestes a se profissionalizar pelo Sobradinho, do Distrito Federal. Enquanto esperava para jogar uma pelada com os amigos nas férias, Raul foi abordado por um rapaz que disparou 13 tiros e fugiu.

Em Minas Gerais, dois jogadores que defendiam o América também foram assassinados nos últimos anos. Em 2011, o meia William Moraes, que estava emprestado pelo Corinthians, foi morto na região da Pampulha, em Belo Horizonte. O jogador tinha 19 anos e levou um tiro no tórax depois de reagir a um assalto.

Outro caso conhecido foi do ex-campo Claudinei, assasinado em 2004. Ele estava em uma casa noturna no dia 6 de novembro quando levou dois tiros na cabeça.

 

* a foto da capa é do Corinthians/Divulgação

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