A sexta-feira voltou a ter milhares de pessoas nas ruas da capital Santiago e em outras cidades

Já são três semanas de protestos. A fúria dos chinelos com o presidente Sebartián Piñera é demonstrada com mais agressividade a cada dia. Nem o recuo no aumento das passagens de metrô (motivo que originou a onda de manifestações), nem o projeto anunciado essa semana pelo governo para reajustar o salário mínimo acalmaram os ânimos.

A sexta-feira foi uma grande balbúrdia na capital provocada por manifestantes mascarados. Os vândalos saquearam uma das mais antigas igrejas da cidade, a Paróquia de La Asunción, construída em 1876.

Além de pichar a fachada, eles destruíram as imagens sacras. Os bancos e os confessionários da paróquia foram levados para o meio da rua e queimados em barricadas.

Outro grupo colocou fogo em um prédio histórico no centro de Santiago. No endereço funciona a Universidade Pedro de Valdivia, perto da Praça Itália. Dois andares e o teto foram totalmente destruídos pelas chamas.

Segunda a imprensa local, o imóvel já foi a sede do Comitê Olímpico Chileno. As labaredas e as colunas de fumaça podiam ser avistadas de longe. Diversos bombeiros voluntários ajudaram no combate ao incêndio.

O reitor da Universidade Pedro de Valdivia disse que "é muito triste que Santiago perca seu patrimônio". Para Rafael Rosell, o fogo causou "grandes danos à comunidade".

O prefeito da região metropolitana da capital, Felipe Guevara, disse à televisão estatal chilena que "um grupo de encapuzados" entrou no prédio e, depois de saqueá-lo, o incendiou.

Em outros pontos da cidade aconteceram mais protestos. Desde que os distúrbios começaram morreram 20 pessoas, cinco em confronto direto com policiais. Apesar da violência da sexta-feira, nenhuma morte foi registrada.

Os participantes do movimento acusam as forças de segurança de praticar tortura. O ministro da Justiça chileno, Hernán Larraín, admite que possam ter acontecido violações contra os manifestantes. Essa semana, um tribunal acolheu denúncia contra o presidente do Sebastián Piñera por "crimes contra a humanidade".

"Estabelecemos total transparência nos dados (sobre a violência policial), porque não temos nada a esconder", se defendeu o presidente.

As palavras de Piñera não têm surtido resultado. É cada vez maior o descontentamento da população, que reclama de desigualdade social e pede a renúncia do presidente.

 

Opinião:

As manifestações populares precisam ser respeitadas no mundo inteiro. É um direito do cidadão contestar, mas também é preciso haver respeito. O ataque sem propósito à prédios públicos e instituições como a igreja não tem justificativa.

Nos protestos de sexta-feira, segundo as autoridades calcularam, cerca de 75 mil pessoas estavam próximas às construções que foram destruídas. A grande maioria não participou de nenhum vandalismo. Mas, os grupos encapuzados, que canibalizaram a igreja e a universidade, acabaram rotulando o movimento como uma grande desordem.

Não é necessário destruir patrimônio público para se conquistar direitos. A simples presença da população na rua, semana após semana, já é o suficiente para o mundo entender que existe um grande inconformismo no Chile. Os coletes amarelos, na França, são um grande exemplo de que a desordem nem sempre leva a lugar nenhum. Um ano depois o presidente Emmanuel Macron continua firme no poder.

A capital Santiago, uma das mais belas da América do Sul, hoje virou sinônimo de ambiente de arruaça e selvageria.

 

"Ter opinião não é ser dono da verdade"

Manifestantes chilenos colocam fogo em universidade e destroem igreja

 

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 *todas as fotos e o vídeo são de material publicado em redes sociais e grupos de WhatsApp

 

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