Desde que se meteu a ser treinador o craque de bola só acumulou derrotas, dispensas e confusão

Domingo El Pibe teve uma chance de ouro. O time dele precisava apenas de um empate para ganhar o Campeonato Mexicano de Acesso à primeira divisão, contra o Atlético San Luis. Mas o Dorados de Sinaloa perdeu no tempo normal e na prorrogação. Irritado com as provocações, depois do jogo Maradona partiu para cima de torcedores do time adversário. Quase tomou uns tapas. Gênio com a bola nos pés, vira e mexe Diego agora aparece nos noticiários quase sempre em imagens e declarações que chocam os seus fãs, como na Copa do Mundo da Rússia. Maradona foi filmado várias vezes parecendo ensandecido e fazendo gestos obscenos para as câmeras.

A campanha do time do Dorados de Sinaloa bem que poderia render milhares de elogios a Maradona no México. Quando ele chegou em setembro, o time não vencia a oito jogos, desde o dia 14 de abril. Em três meses de trabalho, Diego arrancou a equipe das últimas colocações e sofreu apenas uma derrota até chegar a final. Na internet os vídeos do técnico do Dorados dançando no vestiário com seus jogadores após as vitórias viralizaram e se tornaram uma tradição por lá.

O problema de Maradona é segurar a onda. Ele já tinha se metido em uma enrascada depois de um empate do Dorados contra o mesmo Atlético San Luis, no dia 10 de novembro. A partida teve o placar de 1 a 1, mas o Dios do futebol argentino foi para o vestiário depois do jogo irritado com o árbitro que havia expulsado um jogador do time dele no segundo tempo, o goleador Jorge Córdoba.

Na entrevista coletiva Dieguito atirou para todos os lados: "Quero seguir acreditando nas pessoas, mas não é possível jogar 12 contra 11 toda uma partida, e jogamos 12 contra 10", disparou o treinador.

Outra crítica de Maradona ao árbitro Alan Enrique Martínez foi o fato do jogo ter sido encerrado em um ataque do Dorados. E tome mais alfinetada: "Que me ganhem em campo, não tem problema, mas me derrotar com árbitro não me agrada nada".

Por fim, Dieguito mandou essa:

"Não gosto do árbitro que comandou o jogo, pois incomodou todos os jogadores da minha equipe. Acabo por me lembrar de Codesal, mas é melhor ficar por aqui, pois tenho grandes probabilidades de ofender alguém", finalizou o irritado Maradona.

Na final da Copa do Mundo de 1990, na Itália, o árbitro Edgardo Codesal marcou um pênalti polêmico a favor dos alemães na derrota da Argentina por um a zero. O detalhe é que Codesal nasceu no Uruguai, mas vive no México onde apitou por muitos anos.

A organização do Campeonato não perdoou Maradona e mandou ele para o banco dos réus. Em um julgamento da Comissão Disciplinar, Diego foi citado em quatro artigos do Código de Ética da Federação Mexicana. A punição foi uma multa que não teve o valor revelado.

 

Mais problemas com arbitragem e briga com torcida

 

No penúltimo jogo do Campeonato Maradona perdeu o controle de novo e recebeu um cartão vermelho nos últimos minutos da partida por reclamar de um pênalti que os mexicanos garantem que não foi. Inconformado, ele ainda ofendeu o técnico do Atlético San Luis, Alfonso Sosa, depois de invadir o campo. A punição automática tirou Diego da beira do gramado na partida mais importante da competição.

No final de semana Maradona teve que acompanhar de um camarote o segundo e decisivo jogo da final. O time dele precisava só de um empate por ter vencido a primeira partida em casa por um a zero. Mas deu tudo errado. O Dorados perdeu no tempo normal por três a dois e na prorrogação por um a zero. A chance de subir para a primeira divisão foi para o ralo. Não precisa nem dizer o quanto o treinador do Sinaloa devia estar de cabeça quente após o confronto. Foi aí que aconteceu a confusão.

Ao deixar o camarote Maradona foi ofendido por vários torcedores que, com celular em punho, filmando a passagem do técnico por um corredor que dava acesso ao elevador, abusaram de cantos ofensivos. Diego teve que ouvir que era viciado em crack e outras drogas. O sangue argentino não aguentou. Maradona se insurgiu em direção a algumas pessoas com o intuito de revidar com agressões. Pelas imagens não dá para dizer que alguém tenha sido atingido por um tapa ou soco, mas a reação do treinador logo correu o mundo.


Uma carreira sem título como técnico


O auge da carreira de Maradona como jogador foi na Copa do Mundo de 1986. Lá mesmo, no México, o camisa 10 da Argentina teve atuações brilhantes. Teve também o famoso gol de mão contra a Inglaterra, mas ninguém pode negar que o craque foi genial. Vestindo as camisas de Boca Juniors, Barcelona e Napoli Diego foi igualmente espetacular.

Mas se esbanjou talento dentro das quatro linhas, ao lado delas Maradona ainda tenta alcançar o mesmo reconhecimento e não tem sido nada fácil. Oportunidade é o que também não tem faltado a ele. A primeira experiência como treinador foi no Textil Mandiyú da Argentina, clube que dirigiu por apenas dois meses. No ano seguinte outra tentativa frustrada no Racing Club. O técnico assumiu em janeiro e saiu em março. Por algum motivo Maradona acabou se retirando do futebol e só voltou em 2008, para comandar a querida seleção do país dele. E quase que a Argentina fica de fora da Copa seguinte. Nas eliminatórias sofreu uma derrota acachapante para a Bolívia por 6 a 1 em La Paz. Em vinte partidas oficiais e amistosos Maradona convocou ainda 80 jogadores diferentes. Crítica era o que não faltava ao trabalho dele.

Na África do Sul, a seleção começou muito bem o Mundial vencendo na primeira fase os três compromissos contra Nigéria, Coréia do Sul e Grécia. Na oitavas outro triunfo, agora sobre o México, mas nas quartas de final veio nova goleada desmoralizante de quatro a zero para a Alemanha. Terminava ali a passagem de El Pibe pela seleção.

Em 2011, Diego recebeu um convite para comandar o Al Wasl dos Emirados Árabes Unidos. Saiu em 2012, sem ter ganho nada. Retornou aos Emirados em maio de 2017, para assumir o Al-Fujairah sem de novo conquistar um único título.

Em junho de 2018, aceitou outro grande desafio, ser o presidente contratado do Dínamo de Brest, da Bielorrússia. O compromisso era de três anos. O que fez Maradona deixar o barco foi a proposta para treinar o Dorados de Sinaloa.


Na vida familiar mais dor de cabeça

 

Além da luta para se manter longe das drogas, Diego Armando também tenta superar as brigas familiares. O craque tem duas filhas do casamento com Cláudia Villafañe. Mas Dalma e Gianinna não aceitam a vida que o pai leva. Em março Maradona não foi ao casamento de Dalma, o que gerou mais confusão na família. As filhas não aceitam o namoro de Dieguito com Rocío Oliva e também condenam os hábitos do pai pelos excessos que cometeu a vida inteira, principalmente com o consumo de drogas e álcool. Diego precisa tomar hoje vários remédios para combater a dependência química que já teve, mas as filhas reclamam que o pai continua ingerindo bebidas. No ano passado Maradona também processou as duas alegando que elas desviaram cerca de seis milhões de reais de suas economias.

Maradona tem mais três filhos fora do casamento.

E por isso que os críticos costumam dizer que por onde Dom Diego passa é confusão na certa.

 

Maradona perde título e a cabeça

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