Traficante brasileiro preso no Paraguai seria o protagonista de uma fuga cinematográfica. Mas, afinal, quem é o homem mais poderoso do mundo das drogas mesmo encarcerado?

Se tudo tivesse saído como planejado, era para o traficante Marcelo Piloto estar hoje curtindo a vida em algum lugar da América do Sul. Talvez em Buenos Aires ou Santiago, tomando um bom vinho e saboreando a liberdade. Mas o mirabolante plano de fuga de uma prisão do Paraguai deu errado.

Na quinta-feira cinco comparsas do bandido foram surpreendidos numa casa em Assunção, capital daquele país. Eles participariam de uma fuga cinematográfica no próximo domingo. O idealizador do plano era o próprio Marcelo Piloto.

O sabichão tinha imaginado que no final de semana seria mais fácil porque o presídio, onde ele cumpre pena, seria guardado, segundo ele, por "policiais sem experiência". Sei...

Mas a ideia do resgate deu errado. Agentes da Polícia Federal do Brasil, da Secretaria Nacional Antidrogas do Paraguai e da Agência Americana de combate às Drogas (DEA) deram o bote certeiro e trancafiaram os parceiros do treteiro.

O bando partiu de comunidades controladas pela principal facção criminosa do Rio de Janeiro. Entre os cinco, que agora também estão encarcerados, está Marisa de Souza Penna, de 24 anos, mulher de Marcelo Piloto, segundo a Polícia Federal.

No meio das tralhas do bando, os agentes encontraram um desenho rabiscado com detalhes do presídio. A PF acredita que mais bandidos estariam envolvidos no esquema, talvez uns 15 meliantes. Mas como a equipe de policiais era pequena eles resolveram agir logo e estourar o esconderijo onde havia um verdadeiro paiol com inúmeras armas escondidas.

                                                           Marcelo Piloto, o traficante que inferniza a vida da Polícia mesmo atrás das grades

Marcelo foi preso no ano passado em sua residência na cidade de Encarnación, que fica a 365 km da capital, Assunção. O malandro estava dormindo quando os agentes invadiram a casa.

A Polícia Federal deteve também três brasileiras que usufruíam das benesses de Piloto. Umas delas dormia com o traficante no momento em que os agentes entraram na casa.

Marcelo vivia no Paraguai desde 2012 e, de seis em seis meses, pulava de endereço para ludibriar a polícia. Aos vizinhos se apresentava como um "vendedor de eletrônicos".

Aos agentes da Polícia Federal e da Secretaria Nacional Antidrogas (Senad) do Paraguai ele contou que, como "matuto", a cada dois meses, enviava um carregamento de maconha e armas para o Rio. A carga seguia em caminhões, com fundos falsos, que passavam pelos estados do Mato Grosso do Sul e São Paulo.
Quando dava certo e toda "muamba" chegava ao endereço, ele faturava 500 mil reais.

Para a PF o maquiavélico era o maior fornecedor de armas e drogas do Comando Vermelho (CV) fora do Brasil desde a prisão de Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar.

Antes de ser algemado em Assunção, o penúltimo esconderijo do intrujão tinha sido em Ciudad del Leste.

Mas, afinal, por que o velhaco deu no pé do Brasil?

Marcelo Fernando Pinheiro Veiga tem também os apelidos de "Celo" e "Primo". Integrante da facção Comando Vermelho ele era o principal chefe do tráfico nas favelas Mandela I, II e III.

Antes de se tornar um dos poderosos do Comando Vermelho, o embusteiro foi assaltante de automóveis e tinha uma quadrilha que botava o terror nas regiões de Inhaúma, Benfica, Ramos e Pilares.

É dessa época que vem a fama de Marcelo por causa de sua destreza "pilotando" um carro roubado. Como era dotado de extrema habilidade na condução de veículos automotores, sobretudo nos quesitos fuga e evasão policial, passou a ser chamado de "Piloto".

O trapaceiro foi preso pela primeira vez em março de 1998, mas em 2007, conseguiu na justiça o direito de cumprir a pena em regime semiaberto. Seis dias depois ele nunca mais apareceu na cadeia e, a partir de então, se tornou um foragido.

Promovido pela facção, Piloto se tornou "gerente geral" das "bocas de fumo" nas favelas do Mandela, onde sempre andava com seguranças fortemente armados.

Marcelo também gostava de organizar bailes funks. O "Baile do Mandela", considerado um dos melhores do Rio de Janeiro, era frequentado por muitos cantores famosos e celebridades. Tudo financiado por Piloto e sua gangue.

Em 2012, o mercador de drogas participou do episódio que envolveu a invasão a uma delegacia para salvar um parceiro de crime.

DG era gerente da favela de Manguinhos e, um dia depois de ser preso, acabou levado para o 25º DP. Mas, em poucas horas, os chefes do Mandela e Manguinhos formaram um bonde de traficantes e partiram para uma operação de resgate.

Armados até os dentes, eles invadiram a delegacia e tiraram DG da cela. O detalhe é que não foi disparado um único tiro.

Depois dessa cena e com todas as ocupações das favelas do Rio de Janeiro pela PM, (no Mandela não foi diferente), a caça a Piloto começou!

Para não ser capturado pelos policiais da UPP, o traficante fugiu para as comunidades do Comando Vermelho no Complexo da Maré.

Marcelo Piloto acabou abandonando a gerência do Mandela e passou a atuar como "matuto", viajando para fora do país para trazer as drogas e abastecer as comunidades do Comando Vermelho.

No Paraguai, o criminoso encontrou o ambiente propício para tocar seus "negócios", já que lá, existem muitas plantações de maconha e um comércio fácil e livre de armas pesadas.

Tudo ía bem até a sua prisão em dezembro. Para tentar tirar o bandido da cadeia os comparsas de Piloto tinham se armado com sete rifles, 15 pistolas, munições de grosso calibre, carregadores, equipamentos de comunicação e explosivos.

A tentativa frustrada de resgate do espertalhão da prisão foi a segunda esse ano. Em fevereiro, dois homens foram presos por policiais civis e rodoviários federais no Rio de Janeiro no município de Seropédica, região metropolitana do Rio, quando seguiam de ônibus rumo a Foz do Iguaçu.

Resta saber quando será a próxima cena desse filme. Com certeza o sacripanta já deve estar bolando um outro plano. É aguardar para ver!

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