A sexta-feira foi cheia de revelações sobre a morte do pastor Anderson do Carmo
Marido de Flordelis teve caso com filha da esposa e irmãos adotivos formaram casais

Sabe aquela teoria de quanto mais se abre as gavetas, mais se descobre? É o que parece a cada novo depoimento dos filhos da Deputada Federal Flordelis, do PSD/RJ. Nunca é demais lembrar que a parlamentar tem 55 rebentos, somando os biológicos com os adotados.

Essa semana, boa parte do que eles disseram no inquérito sobre a morte do pastor Anderson do Carmo chegou à imprensa. Quem até pouco tempo imaginava que se tratava de uma família caridosa, com pais generosos, apenas tentando dar um lar para muitos desamparados, com certeza está se surpreendendo com o que tem sido revelado.

Os casos vão de episódios de traições até a troca de casais dentro da família. Mas nada deve ter chocado tanto quando os relacionamentos amorosos entre os próprios integrantes do clã criado pela deputada e o pastor.

A primeira revelação diz respeito ao caso que Anderson do Carmo, marido de Flordelis, teve com Simone dos Santos, filha biológica apenas da deputada. A relação deles durou pouco e Anderson passou a namorar a mãe.

Já Simone se juntou depois a dois irmãos adotivos. Ela teve uma relação com André Luiz de Oliveira, conhecido como Bigode. Juntos, eles tiveram três filhos biológicos - Lorrane, Ramon e Rafaela - e ainda adotaram uma menina chamada Raiane. O casamento deles terminou há mais de dez anos.

Simone formou um outro casal com Alexandre Freire, mais um irmão adotivo. Essa história foi contada por pelo menos duas pessoas, Erica dos Santos de Souza, filha adotiva de Flordelis e Anderson, e por Maria Edna do Carmo, mãe do pastor.

No depoimento prestado no último dia 12, Erica disse ainda que Adriano dos Santos, filho biológico apenas de Flordelis, se relacionou amorosamente com duas irmãs adotivas, Nylaine e Lorrana, enquanto namorava Marcele, sua atual esposa.

No depoimento dado à polícia na Delegacia de Homicídios de Niterói e São Gonçalo, Erica relatou também que os irmãos adotivos Iago e Francine se envolveram quando moravam com os pais, mas os dois saíram de casa para assumir o relacionamento. Segundo a testemunha, "Anderson e Flordelis não permitiam esse comportamento dentro de casa".

E não foram apenas esses casais que se formaram convivendo como irmãos. Os pastores Carlos Ubiraci e Cristiane, que são adotivos de Flordelis, hoje estão casados e moram no terreno da casa da família, em Pendotiba.

O casal tem duas filhas, uma biológica, Raquel, e outra adotiva, Rebeca. Ubiraci e Cristiane criam também Roberta de Souza, que foi acolhida durante um período por Flordelis.

 

Crime a mando da deputada

 

A segunda bomba da semana veio a partir da revelação do vereador Wagner Pimenta, do município de São Gonçalo. Conhecido como Misael, Wagner também é um dos filhos da deputada Flordelis. Ele disse em depoimento que a mãe foi "mentora intelectual" da morte do pastor Anderson do Carmo.

De acordo com informações do jornal O Globo, que teve acesso ao inquérito, a deputada "manipulou os filhos" para que cometessem o assassinato por motivações financeiras.

O autor dos disparos, Flávio dos Santos Rodrigues, filho biológico de Flordelis, foi detido durante o enterro do pastor. O filho adotivo Lucas Cézar dos Santos também foi preso, suspeito de ter comprado a pistola usada no crime.

No dia 24 de junho, Misael disse no depoimento que prestou à polícia que durante uma visita a Flordelis, a mãe teria escrito em um pedaço de papel: "Nós quebramos o celular do Niel (apelido do pastor) e jogamos na Ponte Rio-Niterói".

O papel foi visto por Luana, mulher de Misael, e por um de seus irmãos, Daniel dos Santos. Antes de ser descartado nas águas da Baía de Guanabara, o telefone também teria passado pelas mãos de Márcio da Costa Paulo, motorista de Flordelis.

Misael e outros irmãos contaram mais na delegacia. Eles disseram que Anderson estaria sendo envenenado por remédios a mando de Flordelis. Segundo O Globo, cinco registros de atendimentos ao pastor em hospitais em 2018 foram anexados ao inquérito.

 

Filhos com tratamentos diferentes

 

Se todas as histórias que estão sendo contadas forem verdadeiras, outra carapuça que está prestes a cair é a do amor de Flordelis por todos os filhos. De acordo com a reportagem do jornal, pelo menos quatro filhos adotivos da deputada contaram que não eram tratados da mesma forma que os biológicos.

Luan Santos é um deles. O adotivo afirmou que nem todos os irmãos "tinham as mesmas regalias". Roberta Santos disse que os filhos biológicos eram os que mais passeavam e ganhavam presentes da mãe.

Sobre o pastor Anderson, Roberta falou que ele era um "paizão e sempre tratou todos os filhos muito bem".

A terceira a prestar depoimento no mesmo sentido foi Kelly dos Santos. Ela reforçou a versão de que Flordelis sempre "tratou os filhos adotivos de modo diferenciado em relação aos biológicos". De acordo com Kelly, os biológicos ganhavam os melhores presentes e os adotivos, quando ganhavam, era algo usado ou de qualidade inferior.

A última a reforçar essa tese foi Daiane. Ela narrou aos policiais que Flordelis "só foi alçada ao sucesso por conta da história de seus filhos adotivos", e que esses não tinham a mesma consideração na família do que os biológicos. Daiane relatou ainda que a sensação é de que os adotivos estavam sendo usados por Flordelis e Anderson.

 

Simone e a mãe de Anderson

 

Se tem alguém que deve estar passando noites sem dormir é Simone dos Santos. O nome dela apareceu em outros depoimentos como uma das mentoras do assassinato do pastor. Uma das pessoas que carregou nas insinuações foi Rogério dos Santos Silva, ex-amante da filha de Flordelis.

Em depoimento no dia 24 de junho, Rogério relatou que frequentava a igreja de Flordelis e que, mesmo casado, no ano passado teve um caso extraconjugal com Simone dos Santos. A relação durou cinco meses.

Um dia, Rogério teria recebido uma ligação de Simone que estava com muita raiva. A amante alegou que havia sido agredida pelo padrasto Anderson durante uma briga de família. "Vou matar esse demônio, a gente não aguenta mais. Minha mãe não aguenta mais", disse Simone durante a conversa.

Rogério afirmou ainda que teria se oferecido para dar fim no pastor. Ainda conforme está no depoimento, uma semana depois Simone avisou a ele que havia conseguido arrumar o "brinquedo".

Rogério respondeu dizendo que pensaria "como faria isso". Na sequência, Simone falou que tinha contado para a mãe e que Flordelis perguntou se ele teria mesmo coragem. Simone disse que sim, e a pastora se calou.

Em outra ocasião, Rogério contou que Simone estava tentando matar Anderson há algum tempo colocando veneno em sua alimentação, mas que ele era "tão ruim que não morria".

No depoimento à polícia, Maria Edna do Carmo, mãe do pastor Anderson, contou que havia boatos na igreja que o filho continuou se relacionando com Simone mesmo depois de ter se casado com Flordelis.

Edna disse ainda que o casal nunca teve um filho fruto da relação deles. Daniel dos Santos de Souza, de 21 anos, que era apresentado como o único biológico de Anderson e Flordelis, na verdade, tinha sido adotado.



O que diz a viúva

 

A deputada Flordelis nunca admitiu envolvimento no assassinato do pastor Anderson. Em resposta ao jornal O Globo, através de uma nota, ela se defendeu dizendo: "O que ganhei com a morte do meu marido? Eu só perdi".

Flordelis afirmou ainda que Anderson cuidava da carreira política dela e dos contratos artísticos que tinha como cantora gospel.

Sobre o filho Misael, a viúva o acusou de ter apagado o conteúdo do celular de Anderson no dia do enterro do pai. Ainda segundo Flordelis, em 2018 o pastor não deixou que Misael fosse candidato a deputado estadual.

 

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