Khalid Sheikh Mohammad e mais quatro comparsas são acusados de terrorismo e do assassinato de quase 3 mil pessoas
Mentor dos atentados do 11 de setembro vai a julgamento nos EUA

Ainda vai demorar um pouco. O julgamento foi marcado para 2021, depois de vários adiamentos, mas desta vez parece inevitável a condenação do grupo.

Khalid Sheikh foi preso no Paquistão no dia 1º de março de 2003, na cidade de Rawalpindi. A detenção aconteceu em uma complexa operação que envolveu a Agência Central de Inteligência (CIA) dos EUA e do Inter-Serviços de Intelligencia (ISI) do Paquistão.

Após a captura, Mohammad foi levado para prisões secretas da CIA no Afeganistão e na Polônia. Três anos depois ele foi transferido para a base americana de Guantánamo, em Cuba.

Em março de 2007, depois de vários interrogatórios, o terrorista confessou ter planejado pelo menos uma dezena de atentados. Além do 11 de setembro, Khalid Sheikh disse que era o mentor da tentativa do britânico Richard Reid de explodir um avião comercial em dezembro de 2011, durante um voo de Paris até Miami, usando um sapato cheio de explosivos.

Mohammad assumiu ainda a elaboração do ataque a Bali, na Indonésia, no dia 12 de outubro de 2002. Três bombas foram detonadas em uma movimentada região turística da cidade e no consulado americano, provocando a morte de 202 pessoas.

Ainda seria ideia do cruel terrorista o primeiro atentado ao World Trate Center em 1993, quando um caminhão-bomba explodiu abaixo da Torre Norte. Seis pessoas morreram e mais de mil se feriram.

Partiu também de Khalid Sheikh a ordem para sequestrar o jornalista Daniel Pearl, do The Wall Street Journal. Em 2002, o repórter estava no Paquistão escrevendo sobre a ligação entre Richard Reid com a organização Al-Qaeda.

Daniel ficou cinco semanas em poder dos terroristas até ser decapitado e esquartejado. Um vídeo foi publicado na internet com as imagens chocantes.

Cabe ainda a Mohammad as acusações de outros ataques frustrados e numerosos crimes.

O primeiro julgamento deveria ter acontecido em 2008. Segundo a confissão de Khalid Sheikh no mês de fevereiro, que a BBC teve acesso, ele teria dito nos interrogatórios preliminares:

"Fui responsável pela operação de 11/9, de A a Z".

"Fui o diretor de operações para o xeque Osama Bin Laden (líder da rede terrorista Al Qaeda) no que se refere à organização, planejamento, acompanhamento e execução da operação".

Mesmo dizendo que pretendia se declarar culpado e afirmar que aceitaria o "martírio", Mohammad não foi ao júri do tribunal militar. O julgamento acabou cancelado porque a Suprema Corte dos Estados Unidos questionou a legalidade dos métodos usados para obter as admissões de culpa do réu.

Um ano depois, o presidente Barack Obama tentou transferir o julgamento para Nova York depois de ameaçar fechar Guantánamo. Mas a decisão do ex-chefe de estado americano foi revogada em 2011, após uma forte reação dos republicanos no Congresso.

A novela sobre o julgamento continuou se arrastando. Em 2012, um ex-promotor militar alegou que o processo parecia insuportável devido às confissões obtidas sob tortura.

Agora parece que não tem mais jeito. A Justiça americana marcou para o dia 11 de janeiro de 2021 o julgamento do "mentor" do ataque às Torres Gêmeas e de mais quatro réus acusados de terrorismo e do assassinato de quase 3 mil pessoas.

Caberá mesmo a um tribunal militar na base americana de Guantánamo, onde o grupo está preso, julgar as acusações de crimes de guerra, incluindo terrorismo.

Serão os primeiros réus a irem a julgamentos quase 20 anos após a série de ataques a Nova York, Washington e Pensilvânia. Se considerados culpados, eles podem ser condenados à pena de morte.

A Secretaria de Defesa dos EUA reafirmou que Mohammad admitiu ser o "arquiteto", ou seja, um dos mentores do plano.

Khalid Sheikh Mohammad nasceu em Baluchistão, no Paquistão. Estudou nos Estados Unidos e formou-se em engenharia mecânica na Universidade Estadual Agrícola e Técnica da Carolina do Norte. Depois seguiu para o Afeganistão, onde conheceu Osama bin Laden durante manobras contra os soviéticos.

 

Advogados contestam confissões

 

Apesar da nova data ter sido divulgada, os advogados dos cinco terroristas ainda trabalham para tentar impedir o uso no tribunal das confissões que os réus fizeram ao FBI em 2006.

O argumento é que as declarações não podem ser usadas no julgamento devido a excessos nos interrogatórios a que os acusados foram submetidos.

O "mentor" Khalid Sheikh Mohammad alega ter sido torturado repetidas vezes. Os militares teriam usado uma técnica chamada "waterboarding". Para simular um afogamento, o indivíduo é imobilizado em uma prancha e tem o rosto coberto por um pano. Muita água é jogada sobre a boca e o nariz, gerando a sensação de afogamento.

Documentos do serviço de inteligência dos EUA (CIA) confirmam que Mohammad foi submetido a 183 sessões de afogamentos simulados.

Os outros quatro suspeitos - Walid bin Attash, Ramzi bin al-Shibh, Ammar al-Baluchi e Mustafa al-Hawsawi - também foram submetidos a métodos de privação do sono, tapas no rosto, exposição de prisioneiros a baixas temperaturas e simulação de afogamento. Eles ficaram inicialmente em centros de detenção no exterior, onde foram interrogados pela CIA.

Os lugares conhecidos como "locais negros" eram usados em várias sessões antes de os presos serem encaminhados ao Exército dos EUA.

A CIA defendeu suas ações alegando que salvaram vidas.

 

Como foram os ataques

 

Na manhã da terça-feira, dia 11 de setembro de 2001, dezenove membros da rede jihadista Al Qaeda sequestram quatro aviões comerciais (dois Boeing 757 e dois Boeing 767). Cada aeronave passou a ser comandada por um piloto terrorista depois que a tripulação foi morta.

O Voo 11 da American Airlines tinha deixado o Aeroporto de Boston, às 07:59, com destino a Los Angeles. A bordo estavam onze tripulantes e setenta e seis passageiros, além de cinco sequestradores. Os terroristas chegaram ao World Trade Center, às 8h46, e colidiram o avião contra a Torre Norte.

O segundo voo era o 175 da United Airlines, que partiu do Aeroporto de Boston, às 08:14, rumo a Los Angeles. Seguiam no avião uma tripulação com nove membros, cinquenta e um passageiros e os cinco sequestradores. A aeronave se chocou contra a Torre Sul do World Trade Center, às 9h03.

Do Aeroporto Internacional Washington Dulles, na Virgínia, partiu o Voo 77 da American Airlines, às 08:20, em rota para Los Angeles. A tripulação era composta por seis pessoas. Além dos cinco sequestradores estavam a bordo mais cinquenta e três passageiros. Os terroristas colidiram o avião contra o Pentágono, às 9h37.

 

Mentor dos atentados do 11 de setembro vai a julgamento nos EUA

 

O Voo 93 da United Airlines saiu do Aeroporto Internacional de Newark, às 08:42, para São Francisco. Com uma tripulação de sete membros e trinta e três passageiros, no avião seguiram ainda mais quatro sequestradores. A ideia era jogá-lo contra o Capitólio, mas os passageiros se rebelaram a bordo e a aeronave caiu perto de Shanksville, na Pensilvânia, às 10h03.

Três dos prédios do Complexo do World Trade Center desmoronaram no ataque. A Torre Sul caiu às 9h59, após queimar por 56 minutos. A Torre Norte desmoronou às 10:28, 102 minutos depois da colisão do primeiro avião.

Os escombros da Torre Norte atingiram o prédio do World Trade Center 7, danificando o edifício e iniciando um incêndio.

Ao todo morreram 2 996 pessoas, incluindo os dezenove sequestradores. Na contagem oficial, 246 estavam nos quatro aviões. Em Nova Iorque, 2606 pessoas perderam as vidas no incêndio e desabamento das Torres Gêmeas. Entre as vítimas, 411 eram trabalhadores de emergência que responderam aos chamados de socorro. Três empresas foram as mais atingidas nos dois edifícios. A Cantor Fitzgerald L.P., um banco de investimento que operava em cinco andares do World Trade Center 1, perdeu 658 funcionários. A Marsh Inc., que ocupava noves andares no mesmo prédio, viu desaparecer 355 funcionários, enquanto na Aon Corporation morreram 175 empregados.

No Pentágono, 125 pessoas que trabalhavam nos escritórios também morreram, cinquenta e cinco eram militares.

Os ataques foram reivindicados pela rede extremista Al Qaeda, de Osama Bin Laden, morto em 2011.

 

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