Mais um caso absurdo envolvendo um centro de saúde nos Estados Unidos. Depois da paciente em estado vegetativo que deu à luz a uma criança, mesmo internada há anos, agora hospital induz família errada a autorizar a eutanásia de um homem
Mulher autoriza eutanásia de irmão, mas o homem era filho de outra família

Dessa vez foi em Nova Iorque. A confusão da troca de identidade aconteceu no hospital Saint Barnabas. O paciente em questão era um homem de nome Frederick Williams. Ele havia sofrido uma aparente overdose de drogas. O fato aconteceu em julho, mas só agora se tornou público. Depois de dias entubado e com morte cerebral, o paciente foi considerado pelos médicos um caso irreversível. O hospital ligou para a família pedindo autorização para abreviar o sofrimento de Frederick. A irmã mais velha autorizou. Mas na hora de reunir os documentos para fazer o sepultamento é que todos perceberam a confusão em que tinham se metido.

O mais impressionante nessa história é que as supostas irmãs e filhas de Frederick Williams estiveram no quarto se despedindo do parente e não repararam que era outra pessoa.

Vamos voltar no tempo para a história ficar mais clara. Frederick foi internado no dia 29 de julho, com suspeita de overdose. Williams tinha um severo dano cerebral e não conseguia falar em consequência do excesso de uso de narcóticos.

O Hospital St. Barnabas ligou, então, para Shirell Powell comunicando que o irmão dela, Frederick Williams, tinha dado entrado na unidade hospitalar em estado grave.

O homem permaneceu hospitalizado do dia 15 ao dia 29 de julho.

A equipe médica fez lá todos os procedimentos para tentar salvar o paciente de 40 anos, mas nas últimas 72 horas de vida o estado dele se tornou crítico e Williams teve morte cerebral.

Nesse período em que esteve no hospital, Frederick recebeu a visita de familiares. O que eles alegam é que o paciente estava com vários tubos ligados ao rosto, inchado e as feições eram bem parecidas com a do verdadeiro irmão.

"Tinha tubos na boca, um colar cervical ortopédico..." explicou Shirell Powell ao jornal The New York Post. “Estava um pouco inchado... [Mas] era muito parecido com meu irmão".

Outra irmã admite que teve dúvida. Quando entrou no quarto do hospital e viu Frederick prostrado na cama, chegou a dizer: "Esse não é meu irmão".

Mas ambas acabaram cedendo diante do rosto distendido e dos aparatos médicos que confundiram a visão: "As sobrancelhas, o nariz, a estrutura, pareciam [com os do irmão]", contou Powell, à mídia norte-americana.

No decorrer das semanas o caso se tornou irreversível, e o médico responsável convocou a irmã de Williams para sugerir a eutanásia.

Shirell Powell, de 49 anos, aceitou que fossem desconectados os equipamentos, já que não havia possibilidade de recuperação.

Antes, Powell telefonou para as filhas adolescentes de Frederick, Brooklyn, de 17 anos, e Star, de 18, e para a sua outra irmã para que se despedissem.

"Em 29 de julho, com seu tio e a irmã ao lado, Powell autorizou o hospital a retirar o suporte de vida de Frederick Williams", descreve o processo que hoje rola na justiça americana.

 

Mulher autoriza eutanásia de irmão, mas o homem era filho de outra famíliaShirell Powell, a mulher que autorizou a eutanásia

 

A descoberta da confusão

 

A miscelânea começou a ser descoberta quando estavam tomando as providências para o funeral.

Foi um médico forense que matou a charada. Eles haviam desconectado outro homem da mesma idade e que tinha quase o mesmo nome.

Na verdade, tratava-se de Frederick Clarence Williams. O irmão de Shirell Powell se chama Frederick Williams.

No cartão da Previdência Social estava certinho o nome do falecido, mesmo assim, o hospital ligou para o contato de emergência do outro homem.

A confirmação da barafunda ocorreu no dia 16 de agosto, quando foi realizada a autópsia do corpo que confirmou se tratar de Frederick Clarence Williams, um desconhecido com o nome parecido.


Por onde andava Frederick Williams

 

Toda essa confusão acabou por desfazer outro mistério. Afinal, por onde andava Frederick Williams? O paradeiro dele acabou descoberto. Atualmente, Williams, está detido na prisão municipal de Rikers Island, em Nova Iorque, desde 1º de julho de 2018.

Semanas depois Powell ligou para o irmão legítimo na prisão e ainda levou uma bronca. No começo Williams ficou chocado ao saber que a família tinha tomado a decisão de “desligá-lo”, mas por fim entendeu a situação e agora também culpa o hospital pelo momento que fizeram os parentes passarem.

Powell pôde finalmente ver o irmão mais novo em uma audiência na Suprema Corte de Manhattan. "Eu vi meu irmão ... não pude acreditar, me senti muito aliviada".

 

                               Mulher autoriza eutanásia de irmão, mas o homem era filho de outra família                                             Frederick Williams, que está preso

 

Já sobre Frederick Clarence Williams continua um enigma.

O advogado de Powell, Alexander M. Dudelson, disse ao jornal The Post que tentou obter informações sobre o desconhecido, já que sua cliente arcou com as despesas financeiras da confusão, mas não obteve resposta.

O escritório do médico legista também se recusou a dar detalhes sobre os parentes da vítima, argumentando tratar-se de respeito à privacidade.

Shirell Powell diz que está abalada e obcecada em saber quem é o homem que ela decidiu desconectar. "Mal durmo de tanto pensar nisso o tempo todo", confessa.

Revoltada com a desorganização do hospital ela entrou com um processo de indenização por danos emocionais graves, no dia 15 de janeiro. O tribunal não especificou o valor da indenização econômica reivindicada na ação.

"Basicamente, cuspiram-me na cara", resume Powell.

Shirell garante que ela e a família passaram por um período de luto desnecessário por conta do erro de identificação.

"Eu matei alguém que sequer conhecia. Eu dei o consentimento", lamentou a mulher. Enquanto comemora o fato de seu irmão verdadeiro estar vivo, por outro lado Powell lamenta por ter "matado alguém que foi um pai ou um irmão".

Por enquanto, a única resposta do hospital é que não consideram a reclamação de Powell justificada. 

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