A noite de logo mais é um momento de celebrar a vida e ter esperança de que o mundo sempre pode melhorar

Chegou o Natal. Hoje, milhões de pessoas vão ter bons motivos para comemorar. Outras nem tanto. Gente de toda parte do mundo, que há um ano estava radiante de alegria nesse mesmo dia, agora não tem ânimo para festejar. 

As famílias dos jovens que morreram em uma cachoeira no Sul de Minas nesse final de semana estão a poucas horas de viver um triste Natal. Na Indonésia centenas de corpos ainda estão sendo enterrados depois de mais um tsunami. 

O que faz a gente ir de um extremo ao outro no intervalo de um ano é a roda gigante que embarcamos no primeiro dia de nossas vidas. Quando viramos o calendário se inicia uma nova subida, carregada de esperança. Mas ao descer em direção à terra nem sempre a nossa roda retorna com os sorrisos que a gente esperava. 

Esse é um dos maiores mistérios da vida. Só no resta torcer para que daqui a alguns dias o veículo que nos transporta para o alto esteja carregado novamente de muitas ambições. Mesmo que você não acredite mais que sua vida possa mudar. 

Foi assim a história do homem que escreveu um dos hinos mais lindos que a humanidade não cansa de admirar: Amazing Grace. 

John Newton era um britânico, filho de um capitão da marinha mercante do Reino Unido. A mãe, uma mulher religiosa, morreu cedo quando Newton tinha apenas sete anos. Talvez por isso, o menino tenha crescido triste e rebelde. 

Com onze anos John foi trabalhar com o pai no navio. Não deu certo. Ele não gostava de conviver naquele ambiente. Por causa de insubordinação o garoto foi parar em um internato onde sofreu com castigos físicos. 

John continuava amargo e duro. O internato não suportou tanta desobediência e mandou o jovem de volta para a casa. 

O pai arrumou um novo emprego para o garoto, em uma plantação de açúcar na Jamaica. Mas a poucos dias de embarcar para o Caribe Newton se escondeu. 

Nada motivava o rapaz. Ele não queria ser marinheiro, nem fazendeiro e nem comerciante. O pai insistiu para que o filho trabalhasse em outro navio. A experiência foi péssima. Newton já era a essa altura também um jogador compulsivo e alcoólatra. Foi mandado embora com o comandante justificando que nunca tinha visto um homem falar tantos palavrões. 

A experiência seguinte foi na carreira militar, graças a influência do pai. John começou bem na nova atividade, mas não por muito tempo. Ao cometer indisciplina e sumir de uma embarcação acabou encontrado por marinheiros. A punição foram dezenas de açoites amarrado a um poste do navio. 

Acabou transferido para um navio negreiro. Mas o comportamento dele só piorava. Passou a beber cada vez mais e se meter em brigas constantes. De tão insuportável, um dia foi preso pelo capitão junto com os escravos. Ao desembarcar em Serra Leoa, na África, o dono do navio vendeu Newton a outro traficante de escravos. 

Com 23 anos John chegara ao fundo do poço. 

Mas novamente o jovem foi encontrado pelo pai que o resgatou e deu uma nova chance a Newton. Ele se tornou comandante do próprio navio negreiro. Em uma viagem de retorno à Irlanda um grande susto fez o rebelde mudar para sempre. Uma tormenta destruiu parte da embarcação enquanto a tripulação dormia. 

Parecia o fim. Com muito medo Newton começou a rezar. Por um milagre, ou apenas generosas doses de sorte, ele se salvou de novo. Mas o susto finalmente fez John Newton mudar. 

O rebelde e insuportável britânico se entregou a religião. Passou a estudar o Antigo Testamento e publicou um livro de hinos que chamou de "Olney Himns". Algumas letras foram escritas por ele mesmo, entre elas a de Amazing Grace.

O motivo para John Newton ter escrito palavras tão sabias seria um pedido para ilustrar o sermão de ano novo em 1773. 

Hoje existem centenas de versões gravadas do hino, algumas com a letra alterada. As traduções também mudam por causa das interpretações. Mas a essência da Maravilhosa Graça é a mesma em qualquer língua. 

O vídeo no alto da página é uma das belas apresentações que narram a experiência de vida de John Newton. Quem canta é a espanhola Mónica Naranjo, na Catedral de Barcelona, em catalão.

 

Maravilhosa Graça


Maravilhosa graça, quão doce é o som
Que salvou um miserável como eu
Eu estive perdido, mas agora fui encontrado
Era cego, mas agora eu vejo


Foi a graça que ensinou meu coração a temer
E a graça meus medos aliviou
Quão preciosa foi a aparição da graça
Na hora em que eu acreditei


Minhas correntes se foram, Eu fui liberto
Meu Deus, meu Salvador, me resgatou
E como num dilúvio, Sua misericórdia chove
Amor sem fim
Graça incrível


O Senhor prometeu-me o bem
Sua palavra assegura minha esperança
Ele meu escudo e porção será
Enquanto a vida durar


Minhas correntes se foram, Eu fui liberto
Meu Deus, meu Salvador, me resgatou
E como num dilúvio, Sua misericórdia chove
Amor sem fim
Graça incrível


A terra em breve se dissolverá como neve
O sol se absterá de brilhar
Mas Deus, Quem me chamou aqui em baixo
Será para sempre meu
Será para sempre meu
Você é para sempre meu

 

Para você um Feliz Natal cheio de esperanças. 

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