A gigante da área de streaming anunciou hoje mais um empréstimo de 2 bilhões de dólares para investir em produções. Um aposta que deixa em risco a vida da empresa
Netflix se arrisca em operações bilionárias que podem levar empresa a falência

A segunda-feira começou com uma turbulência no mercado de vídeos. A Netflix anunciou pela segunda vez, só esse ano um, empréstimo de muita coragem. A empresa pegou no mercado 2 bilhões de dólares sob a alegação de que se trata de recursos para novos investimentos em produções próprias e compra de conteúdo de terceiros. Tudo isso para fazer frente ao aumento da competição nesse segmento. O problema é que a dívida da empresa já chega a quase 14 bilhões de dólares.

O que não falta é coragem aos donos da Netflix. Eles começaram o negócio com uma entrega de DVD pelo correio em 1997, nos Estados Unidos. Só dez anos depois é que se atiraram na área de streaming enxergando a possibilidade de um grande empreendimento. A tacada deu certo. Com o mercado em crescimento os executivos decidiram partir para outros países. O primeiro no radar dos inovadores foi o Canadá.

 

Invasão mundo afora

 

Hoje, a Netflix está em mais de 190 países com a plataforma de vídeo, exibindo conteúdos feitos por ela mesma ou comprados. Em 2013, a empresa estourou sua primeira webserie original de sucesso, House of Cards.

No Brasil a Netflix se instalou em setembro de 2011. A primeira série produzidas por eles aqui foi a "3%". Esse ano a companhia lançou "O Mecanismo", que teve grande repercussão.

 

Netflix se arrisca em operações bilionárias que podem levar empresa a falência

 

No mundo todo seu serviço de streaming tem 104 milhões de assinantes. O problema é que a produção própria de séries torra muita grana e ela ainda precisa comprar conteúdo de outros estúdios para atender a todos os gostos, o que não é nada barato. Isso sem falar na concorrência que cresceu o olho e entrou no negócio. A Amazon, em uma só estilingada, ingressou em mais de 200 países e territórios em 2016 oferecendo um produto similar. A Disney prepara a sua própria plataforma que será lançada no ano que vem. A Apple também já anunciou que vai investir US$ 1 bilhão em produções originais em 2019, enquanto a Fox, em julho, começou a retirar seu conteúdo da Netflix.

Nesse mar de tubarão é imprescindível ser grande para sobreviver. O problema é que os gastos da empresa estão orçados em US$ 12 bilhões anuais, enquanto seu faturamento deve girar em torno de US$ 9 bilhões em 2018.

Mesmo com esse vermelho todo no horizonte, ao invés de cortar custos, o que representaria diminuir projetos, a organização americana está fazendo exatamente o contrário, apostando em crescer as receitas com mais investimentos.

 

Novas produções para se manter no mercado

 

Entre julho e setembro, a Netflix adiciou cerca de 700 horas de conteúdo próprio ao seu catálogo, quantia 50% superior em relação ao trimestre anterior.

Para pagar essa conta a empresa tem utilizado operações de venda de títulos próprios, como fez hoje, colocando mais US$ 2 bilhões em seus cofres.

Segundo o site Deadline, os títulos devem ser negociados majoritariamente em euros e dólares e terão como destino "compradores qualificados".

Mas analistas de mercado estão preocupados com as estratégias da Netflix, que investe cada vez mais pesado em produções próprias ao mesmo tempo em que acumula prejuízos. Nem o crescente número de assinantes e um avanço de 60% no valor de suas ações em 2018, acalmaram os mais pessimistas em Wall Street. Na visão deles a empresa não será capaz de sustentar esse panorama a longo prazo.

Já Jeff Wlodarczak, analista da Pivotal Research Group, acredita que
"se a Netflix mantiver os fortes resultados de assinantes que geraram no terceiro trimestre, então investir mais em conteúdo faz sentido."

É esperar para ver se a empresa vai continua bem na fita ou se queimou o seu filme.

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