A política brasileira nunca foi tão suja. Basta ouvir como os próprios políticos se trataram nos debates e na propaganda das campanhas para se chegar a essa conclusão
Nossos políticos são sujos, desonestos e mentirosos

A afirmação do título desse texto não é minha. Quem se define assim são os nossos próprios políticos. Pela ótica deles mesmos, quase ninguém do meio presta. Pelo menos, foi isso o que eles falaram todos os dias para a gente durante a campanha do primeiro turno. Ou não?
 
Os programas no horário político nas tvs e nas rádios e os debates entre os candidatos mais se pareciam com verdadeiros tribunais de acusações de toda ordem. 

Ao invés de apresentarem com objetividade e clareza suas propostas de governo, os políticos preferiram apontar o dedo para seus principais concorrentes. E aí, tome crítica e incriminações: "você prometeu e não fez”, "você falou que foi no seu governo, mas a verdade fui eu que fiz” ou "você é acusado disso e daquilo…“
 
Equivocadamente, esses senhores e senhoras devem pensar que o nível intelectual dos brasileiros está no mesmo patamar da baixaria que eles despejaram nos valiosos espaços que tinham na mídia. 

O ex-presidente Lula, que não é candidato porque está preso, e Jair Bolsonaro, que praticamente não fez campanha por causa do atentado, foram os alvos preferidos dos ataques. 
 
Se não bastasse ter que suportar esse vulgar tipo de pronunciamento nas campanhas, o eleitor ainda não consegue escapar de outra exposição igualmente deprimente. Nos noticiários frequentemente aparecem o vergonhoso conteúdo das colaborações premiadas ou delações premiadas.
 
O instituto da Colaboração Premiada faz parte do ordenamento jurídico brasileiro e está previsto na lei 12.850, de 2 de agosto de 2013. 

Em bom português, e para quem não tem formação jurídica, é um benefício concedido a alguém, que se juntou a outros "alguens", e, juntos, numa organização criminosa, cometeram delitos. 

Caso um dos integrantes da "quadrilha" tope colaborar com as autoridades na investigação criminal e/ou entregar seus comparsas, poderá ser beneficiado. 

Conforme diz a lei, e a pedido da defesa do investigado, o juiz poderá conceder perdão judicial e reduzir a pena de prisão em até dois terços ou mesmo substituir a pena privativa de liberdade por pena restritiva de direitos para aquele que contribuir, efetiva e voluntariamente, com a investigação e com o processo criminal. 

Mas, não é só isso. É preciso que dessa colaboração, alguns resultados que a lei prevê sejam alcançados. 

Ao final do processo de investigação, claro, a justiça agradece porque pode encurtar bastante os caminhos em busca da verdade e descobrir mais podres dos transgressores. 

Por outro lado, quem dá com a língua nos dentes está fazendo uso de legítimo direito. Isso não se faz necessário discutir, mas, a índole dos “dedos duros”, penso, valeria uma análise.
 
Quando ouvimos o que eles falam para tentar livrar a própria cara de duras penas (se é que as confissões são verdadeiras), ficamos perplexos, ao mesmo tempo em que assistimos a uma exposição de um caráter que comunga com a desfaçatez. 
 
Os “desabafos” de políticos cretinos, que participaram de práticas criminosas, como autores ou comparsas, mas que diante da ameaça de uma cadeia pesada nas costas abrem o bico, soam como algo indecente. 

Ao demonstrarem um pretenso arrependimento, que poderá conduzir a uma redução significativa de suas penas através da colaboração premiada, os farsantes tentam se fazer passar como “bonzinhos” e “honestos” depois que se encrencaram com a polícia, com o Ministério Público e com o Poder Judiciário. 

Mas, na verdade, estão apenas travestidos de verdadeiros "Joaquins" Silvério dos Reis (que traiu o Tiradentes) dos tempos modernos, jogando morro abaixo uma avalanche de revelações que ainda carecerão de provas.  

A conclusão a que podemos chegar é a de que de boas intenções e arrependimento esses "traidores da pátria" não tem nada.

O delator é tão desprezível quanto os demais criminosos delatados. Ele apenas busca se beneficiar, valendo-se de um subterfúgio, embora legal, que mais se aproxima do clássico desvio de caráter. 

Passa longe, mas muito longe, da figura de um herói nacional. Será que alguém acredita, por exemplo, que o ex-ministro Antônio Palocci abriu o bico apenas por arrependimento do que fez e ajudou a fazer, ou mesmo por remorso?
 
Para agravar ainda mais a imagem da política brasileira, se é que isso é possível, se soma a desconfiança que passamos a ter das decisões da justiça, que pela caneta de seus representantes, muitas vezes, deixa clara seu viés partidário-ideológico e não a simples aplicação da lei. 

Os Ministros dos Tribunais superiores se tornaram verdadeiras vedetes no cenário nacional, sobretudo, quando tomam decisões que contradizem inteiramente a da instância inferior ou até mesmo a de um colega, ao completo arrepio da lei. 

Um caso típico da semana é a algazarra sobre os consentimentos e, simultaneamente, negações para o ex-presidente Lula dar entrevista. Companheiros do STF tomaram decisões conflitantes baseadas em interpretações pessoais ou na frieza da lei? 
 
Uma verdadeira torre de babel que só aumenta a enorme insegurança jurídica que tomou conta da sociedade brasileira e chama atenção para o estrelismo de figuras ímpares.

Em termos de exposição, os magistrados mais se parecem com ídolos pop, ocupando intermináveis minutos e linhas nas mídias. 

Se você perguntar para um amigo o nome do atual Governador do estado de São Paulo, provavelmente ele não saberá te responder, mas, se for indagado quem é o atual Presidente do STF a chance da resposta ser correta é muito grande.

Por si só, esse exemplo mostra bem o estrelismo de nossos atuais excelentíssimos, com exceções, claro.

O encerramento do show de horrores foi o episódio recriminável nos estúdios da Rede Globo após o último debate dos presidenciáveis. Um oficial de justiça tentou entregar uma intimação a Ciro Gomes por causa de uma ação movida contra ele pelo candidato ao governo paulista João Doria. Ciro é acusado de ataques pessoais a honra do ex-apresentador de TV e agora político. O fato causou um imenso "barraco" no Projac. Gomes saiu acusando a emissora de ser cúmplice na situação constrangedora por ter facilitado a entrada do funcionário da justiça em seu camarim. 

                                         Nossos políticos são sujos, desonestos e mentirosos
 
Todo esse conjunto demonstra os equívocos da nossa realidade. É urgente recuperar nosso senso crítico e nossa imprescindível politização, mas que essa atuação não seja apenas em véspera de eleição, o que muito convém a quem assume o poder.
 
Independente do resultado das urnas no próximo domingo, dia 7 de outubro, o Brasil vai caminhar, novamente, para um grande racha que, no entanto, não devemos temer. 

Só com uma oposição forte, que cobra, vigia, fiscaliza, mas que também pensa no futuro do país com responsabilidade, sem boicotes a quem legitimamente venceu nas urnas, vamos ser uma nação madura e, verdadeiramente, democrática. 
 
Diante de tudo o que se ouve, vê e lê a opinião pública precisa tirar, rapidamente, suas conclusões para não se perder em escolhas equivocadas na eleição que se aproxima. 

É imperativo que as decisões sejam baseadas em realismo, sem paixão exacerbada.   

Não é uma tarefa tão fácil, mas tente separar a boa farinha do saco ruim.
 
Pense nisso. 

 

 
 
 

 

 

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