Sem explicar rapidamente os acontecimentos obscuros da vida pública brasileira, nossas instituições vivem a crise da falta de credibilidade
A demora nas resposta joga a credibilidade do Brasil na lama

Já se passaram 20 dias do atentado ao candidato Jair Bolsonaro e, até hoje, a sociedade espera por respostas. O autor da facada fez tudo por conta de uma esquizofrenia, achando que tinha a obrigação de eliminar um político com ideias diferentes das dele? Ou por trás do mineiro Adélio Bispo de Oliveira tem mais coisa?

Na edição do Fantástico do último domingo, o delegado da Polícia Federal, que comanda as investigações, foi claro sobre a principal linha que a PF trabalha para elucidar o caso.

"Em relação à execução do crime propriamente dito, na data do atentado, o indiciado que agora se encontra preso, nós estamos convictos que ele não contou com a colaboração de ninguém", decretou Rodrigo Morais.

Mas, curiosamente, nessa terça-feira, dia 25, a Polícia Federal anunciou que abriu mais um inquérito sob o pretexto de "apurar fatos decorrentes das investigações", e para entender se houve a participação de outras pessoas no ataque. Segundo a assessoria de imprensa da PF, o novo inquérito visa escarafunchar se houve envolvimento de "organização criminosa" no atentado. 

É no mínimo confusa essa história toda. Afinal, Adélio Bispo é ou não um "lobo solitário", como chegou a apontar o Ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann.

Só para deixar claro, no jargão dos investigadores, "lobo solitário" é o criminoso que age sozinho, por conta própria, levado por um sentimento que pode ser doentio. 

No caso de Juiz de Fora, a teoria mais fácil de aceitar passa pela área da psicologia. Uma pessoa que se enfia no meio da multidão e desfere uma punhalada na barriga de outra só pode ser um psicopata. Ou então fez por qual movido por qual motivação? Essa é a pergunta que quase um mês depois a PF não consegue responder. 

O pior de tudo é que o episódio envolvendo o Capitão do Exército, e agora candidato, Jair Bolsonaro não foi um fato isolado que deixou o país se indagando sobre verdades. 

Cadê os esclarecimentos para a execução da vereadora Marielle Franco, no Rio de Janeiro? Seis meses depois e a sociedade ainda espera as explicações definitivas sobre quem fuzilou a política do PSOL. Isso sem contar no assassinato de tantos outros prefeitos e vereadores em 2018, que a população ainda aguarda uma satisfação. 

A demora em trazer a público a veracidade de acontecimentos tão importantes e, ao mesmo tempo escabrosos da nossa história, só nos sugere insegurança sobre as nossas instituições. Basta dar uma espiada no passado para recordar outros episódios e perceber que o Brasil se tornou a nação do "solapar a verdade até que o fato caia no esquecimento” ou, pelo menos, esfriem os ânimos.

O suplício do jornalista Vladimir Herzog puxa a fileira de capítulos misteriosos e fáceis de relembrar. Foi preciso esperar décadas para que a verdade se tornasse pública e nossas autoridades admitissem que na verdade se tratava de uma execução a um ativista político. 

O famoso atentado do Rio Centro, quando uma bomba explodiu no colo de um oficial do exército que veio a óbito, precisou de 18 anos para ser reconhecido como uma manobra das forças armadas para impedir o processo de abertura democrática. 

Mais recentemente, fatos inescrupulosos envolvendo figuras destacadas do país chocaram a opinião pública. O bunker do deputado Geddel Vieira Lima e suas caixinhas com 51 milhões de reais em dinheiro vivo ainda carecem de explicação. Essa grana era só dele e como foi conquistada? E a turma delatada pelos donos da JBS, quando vai devolver toda a propina que foi custeada pelos empréstimos junto ao BNDS?

As respostas para todas as indagações da sociedade carecem de urgência. Sem agilidade e objetividade os fatos abrem brecha para especulações que funcionam muitas vezes como um câncer, apodrecendo a realidade. 

A última vítima de insinuações no Brasil é o próprio delegado da PF, Rodrigo Morais, que agora é identificado também como um ex-assessor do governador petista de Minas Gerais.

O site Antagonista trouxe essa semana a seguinte descrição sobre a vida do delegado da PF

                                          


Não podemos nos tornar o país do faz de conta, a nação dos Vampeta. Você finge que fala a verdade e a gente finge que acredita. Só podemos aceitar que vivemos em uma democracia madura quando a transparência é uma premissa de tudo o que acontece de interesse da sociedade. 

Que o jogo seja sempre limpo no Brasil.

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