Se você achou que estávamos livres dos bin Laden, saiba que um herdeiro do terrorista está atormentado o planeta
O filho de Osama bin Laden, a nova ameaça ao mundo

Quando o exército americano anunciou que tinha localizado Osama e "apagado" o terrorista mais famoso de todos os tempos, se imaginou que era também o fim de um sobrenome sanguinário. Na mesma operação o filho mais velho do idealizador do ataque às Torres Gêmeas também sucumbiu. Mas a dinastia dos bin Laden não morreu e continua amedrontando os Estados Unidos. Desde 2011, o jovem Hamza passou a ser monitorado ao divulgar áudios defendendo a Al-Qaeda e disseminando a ira contra os americanos. Uma nova e perigosa liderança terrorista aos poucos tá ganhando forma e se tornando uma grande ameaça à paz no mundo. 

Quando se ouve o sobrenome bin Laden a primeira lembrança que vem a cabeça são os atentados do dia 11 de setembro de 2001. Quem ainda não tinha ouvido falar do grupo terrorista Al-Qaeda e de seu líder, naquele dia tomou conhecimento da existência da frieza e crueldade do mais temido extremista do planeta. 

Só no ataque aos prédios do World Trade Center morreram perto de três mil pessoas. 

Osama bin Laden já era um temível terrorista conhecido dos americanos. Ele tinha comandado antes outros atentados, com as explosões das embaixadas dos Estados Unidos no Quênia e na Tanzânia, em 1998, e ao navio de guerra USS Cole, em 2000. Ao acertar os três alvos, a Al-Qaeda matou 256 civis, 17 militares e feriu 5.100 pessoas. Desde que mandou para os ares as embaixadas ele se tornou o homem mais caçado no mundo. 

Mas bin Laden nunca se intimidou, pelo contrário. Ele idealizou e executou outro plano de terror ainda mais covarde. No fatídico 11 de setembro de 2001, seus comparsas dominaram três voos que tinham acabado de levantar em solo americano e atiraram os aviões nos prédios gigantes de Manhattan e no Pentágono. Tudo em poucos minutos. 

Era como se ele dissesse aos moradores de todos os continentes: eu me chamo Osama bin Laden. Vocês jamais irão se esquecer de mim. 

 

A origem do homem mais temido pelos americanos 

 

Osama nasceu em uma família rica na Arábia Saudita. O pai dele, um homem pobre que ficou milionário trabalhando com construção civil, tinha a segunda maior fortuna do país, perdia apenas para o rei. A mãe foi uma das dez esposas de Muhammed bin Laden. A relação do casal resultou em apenas um filho. Quando a senhora Hamida al-Attas se separou de Muhammed, pouco depois do nascimento de Osama, ela se casou novamente, agora com Muhammad al-Attas, com quem teve quatro filhos. 

Bem antes de se tornar um extremista, Osama estudou na Universidade de Engenharia de Jeddah. Já na fase em que passou a participar de movimentos de luta armada, chegou a ser parceiro dos Estados Unidos na guerra em que os russos tentaram invadir o Afeganistão. Mas bin Landen foi se tornando cada vez mais um radical comprometido com a "libertação islâmica da dominação estrangeira", e o povo americano seu principal inimigo. 

Em 2001, ele era a grande cabeça da Al-Qaeda. Outro nome importante da organização foi o de Mohammed Atta, que comandou os atentados do dia 11 de setembro e pilotava um dos aviões arremessados contra as Torres Gêmeas. 

Daquele dia em diante, Osama passou a ser procurado incessantemente pelos EUA. Não foi nada fácil encontrar e abater o inimigo. O terrorista vivia trocando de refúgio. A perseguição terminou em 2011. 

No dia 2 de maio, bin Laden finalmente foi localizado em Abbottabad, no Paquistão, vivendo com três mulheres. Terminava ali a caçada ao inimigo número um dos americanos. Mas o temível terrorista deixou uma herança que pode ser igualmente ameaçadora para vários povos asiáticos e, claro, para os Estados Unidos. 

  

Quem é Hamza

 

Ao longo da vida, Osama teve 20 filhos. Segundo os estudiosos que analisam a trajetória dele, um dos herdeiros, fruto da relação com Khairiah, era seu favorito. O nome do jovem: Hamza bin Laden. 

Ninguém sabe qual é a idade exata de Hamza. Especula-se que ele tenha hoje entre 28 e 33 anos. O que não se tem dúvida é que o pai preparava o garoto para sucedê-lo como um dos líderes da Al-Qaeda. A comprovação para essa versão está no material de vídeo encontrado no esconderijo de Abbottabad, segundo o Departamento de Estado dos EUA.

Bem antes de morrer, Osama apresentou o filho ao mundo em 2001, quando a Al-Qaeda divulgou o primeiro vídeo de Hamza perto dos destroços de um helicóptero americano caído na província de Ghazni, no Afeganistão. O garoto caminhava com combatentes do talibã. Pouco depois ele começou a pregar o assassinato de "infiéis" e a usar um uniforme militar. 

Em outro vídeo divulgado em 2005, Hamza apareceu em um ataque da Al-Qaeda contra forças de segurança paquistanesas na região montanhosa da fronteira com o Afeganistão. Nos anos seguintes, ele publicou textos destacando os feitos do grupo terrorista e incentivando militantes a "acelerar a destruição dos Estados Unidos, Grã-Bretanha, França e Dinamarca".

Se não bastasse toda a influência de Osama para que Hamza também se tornasse um dos principais homens da Al-Qaeda, o novo bin Laden se alimentou de um ódio ainda maior pelos EUA depois que o patriarca foi capturado e morto por uma unidade da Marinha Americana. 

Desde 2015, Hamza passou a publicar mensagens de áudio e vídeo na internet pedindo ataques ao grande inimigo e seus aliados como vingança. Ao mesmo tempo em que se revelava um novo bin Laden com perfil parecido ao de Osama, o filho foi conquistando a admiração de integrantes do talibã e da Al-Qaeda, enquanto o sucessor do pai anda em queda de "prestígio".

Com a morte de Osama, o médico egípcio Ayman al Zawahiri assumiu o controle do principal grupo terrorista, mas nos últimos anos a Al-Qaeda perdeu espaço entre os extremistas com o crescimento dos radicais do Estado Islâmico. 

Especialistas acreditam que a hipótese de uma reviravolta seria a ascensão de Hamza, um combatente bem mais carismático e popular entre os soldados. "A Al-Qaeda está desesperada para ter uma nova imagem, principalmente se levarmos em conta a ascensão do EI nos últimos anos e a sombra que ele jogou na Al-Qaeda", explica Fawaz Gerges, um estudioso de política do Oriente Médio. 

Em sua última mensagem, Hamza convocou jovens sauditas para que "derrubem" a monarquia de seu país e se juntem à Al-Qaeda da Península Arábica. 

Esse chamamento contra a Arábia Saudita, segundo Gerges, tem sinais de uma possível mudança de estratégia dos jihadistas, que antes se concentravam apenas em inimigos mais distantes do Ocidente.

"O que Hamza está dizendo é que o EI não é o único grupo declarando guerra aos governos da Arábia Saudita, Síria e Iraque; que eles também participam disso".

Mas os americanos não parecem tão seguros de que não seriam mais o "grande alvo". Depois de atuarem ativamente do combate ao EI na Síria, eles estão se retirando do país de olho na chance do surgimento de outros grupos. No momento, o mais próximo de levar adiante planos de atentados contra a maior potência do mundo é justamente Hamza bin Laden. 

Ultimamente, ouvir frases como essas se tornou corriqueiro no universo de quem acompanha as ações do terrorismo: 

"Hamza Bin Laden é a nova cara da Al-Qaeda. É carismático e muito popular entre os soldados". 

"Hamza Bin Laden tem todas as credenciais para se transformar no novo líder da organização". 

 

Uma cabeça por um prêmio milionário 

 

Na última quinta-feira, o Departamento de Estado divulgou que está de novo em uma busca incansável, agora pelo filho de Osama. As informações sobre o paradeiro do "príncipe herdeiro da jihad", como Hamza foi apelidado, são bem incertas. Segundo o secretário adjunto para Segurança Diplomática dos Estados Unidos, Michael Evanoff, o terrorista pode estar em algum lugar da fronteira entre o Afeganistão e o Paquistão, possivelmente esperando uma oportunidade para viajar até o Irã.

Na tentativa de eliminar a nova ameaça, o governo americano anunciou o pagamento do prêmio de um milhão de dólares para quem informar a exata localização do famoso filho de Osama. 

De acordo com o coordenador da Estratégia Contraterrorista do Departamento de Estado, Nathan A. Sais, a Al Qaeda ainda é um grande temor, apesar de ter ficado na sombra do Estado Islâmico.

"Nos últimos tempos, compreensivelmente, a atenção do mundo esteve focada na ameaça do Estado Islâmico, enquanto a Al Qaeda permanecia relativamente tranquila. Mas isso era uma pausa estratégica, não uma rendição", alertou o diplomata americano.

Sais afirmou que a Al-Qaeda continua com "capacidade e intenção" de incomodar os Estados Unidos e os aliados do país. Evanoff foi ainda mais enfático e mandou um recado direto para Hamza bin Laden: "É um aviso. Estamos te procurando", concluiu.

 

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Sebastiao di Paula

Sebastiao di Paula

Torso para que os Estados Unidos venha ser bem sucedido, mais uma vez, nessa cassa ao fora falei, que seja preso e pague por seus crimes.
★★★★★DIA 02.03.19 18h11RESPONDER
N/A
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Guilherme Mendes

Guilherme Mendes

Sebastião, qualquer situação em que se empregue a violência e irracionalidade precisam ser condenados. Obrigado por participar do blog. Grande abraço.

★★★★★DIA 03.03.19 02h09RESPONDER
N/A
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