A história do garoto Víctor Martín correu o mundo e sensibilizou um magnata do Bahrein
O menino peruano que estuda na calçada ganhou uma casa de um milionário árabe

Se as redes sociais podem provocar estragos gigantes à imagem de qualquer pessoa, elas também têm o poder de mudar a vida de muita gente. Foi isso o que aconteceu com um garoto de apenas 12 anos, que mora na cidade de Moche, na província peruana de Trujillo.

Sem luz elétrica em casa, já que as residências da região não tem eletricidade, todas às noites o menino se sentava em uma calçada para poder estudar, aproveitando a iluminação pública. O nome desse personagem é Víctor Martín Angulo Córdova.

A vontade de aprender do jovem chamou a atenção. Os vídeos de Víctor concentrado nos cadernos chegaram à Prefeitura de Moche, que compartilhou as gravações feitas pelas câmeras de segurança.

 

O menino peruano que estuda na calçada ganhou uma casa de um milionário árabe

 

O aluno da escola Ramiro Nique disse que para fazer as lições de casa ele usava luz de velas, mas "meus olhos queimaram", afirmou timidamente para a imprensa local. Depois de passar três anos quase na escuridão e de queimar os cílios, Victor decidiu estudar na rua, mesmo que a iluminação do poste não fosse muito forte.

Deitado na calçada, o garoto passou três meses, de 7 às 9 da noite, debruçado sobre os cadernos, até que o rosto dele se tornou conhecido no dia 28 de março.



O menino peruano que estuda na calçada ganhou uma casa de um milionário árabe

 

O prefeito da cidade logo se sensibilizou e foi até a casa do menino para oferecer auxílio. Arturo Fernández Bazán garantiu que a residência da família finalmente teria um medidor de luz. Ele prometeu ainda pagar a conta da energia elétrica para que os Córdova pudessem ter eletricidade em seu acanhado lar.

O prefeito deu ainda materiais escolares para o menino como um reconhecimento pelo esforço dele e para incentivar o desempenho na escola.

"Eu não sabia, nem achava que as câmeras estavam me gravando. Se eu não fizesse o dever de casa, tiraria notas ruins, agora tenho luz graças ao prefeito e a todos que me apoiaram", disse a criança que ganhou notoriedade.


   
 O menino peruano que estuda na calçada ganhou uma casa de um milionário árabe

 

Não foi só o prefeito que reconheceu o esforço de Víctor. A prefeitura de Miraflores e a Universidade Peruana Unión (UPeU) decidiram homenagear o estudante, que frequenta o sexto ano do ensino médio. Víctor recebeu uma medalha e um diploma de "embaixador da leitura".

O prêmio foi entregue pelas mãos do prefeito Luis Molina e do reitor do centro universitário, Gluder Quispe Huanca.

"Eu não posso viver sem ler", foi a frase pronunciada pelo orgulhoso Víctor Angulo depois de ser empossado no seleto grupo dos "embaixadores da leitura".

A distinção ao pequeno aluno fez parte da comemoração do Dia Internacional do Livro.

Mas as imagens foram parar ainda mais longe. Na Espanha e no Bahrein o vídeo já teve mais de 60 mil visualizações nas redes sociais. A 14 mil quilômetros de distância quem também assistiu a gravação foi o milionário Yaqoob Yusuf Ahmed Mubarak, que ficou comovido. Comovido e decidido a ajudar.

O empresário pediu para que um assessor dele, que mora no México, localizasse o menino. A busca não foi nada fácil e durou cerca de dois meses. A maior dificuldade era descobrir o endereço de Víctor em uma região muito pobre da cidade.

O final feliz dessa história começa com o desfecho da procura. Yusuf Ahmed arrumou as malas e partiu da Ásia para Moche. Ao se encontrar com Víctor o ricaço fez muito mais do que apenas matar a curiosidade em conhecer o menino. Mubarak deu vários presentes para o garoto e para a família do estudante. Começando por uma casa nova de dois andares, claro, com rede elétrica.

O imóvel será construído com o dinheiro de Mubarak. A mãe do determinado estudante também teve um pequeno negócio financiado, além de receber mais US$ 2 mil, conforme informações do jornal local La República.

Rosa Córdova, que tem três filhos e trabalha com reciclagem, contou que Víctor é o caçula da casa e por ser muito aplicado ele aproveitava a luz da rua para terminar as tarefas escolares.

Em entrevista, o menino que gosta de estudar matemática disse que frequentemente não costuma terminar as tarefas antes do pôr do sol, por isso ele ía para a rua. Víctor explicou também que sentia dores no pescoço quando estudava a luz de velas, já que tinha que se inclinar muito para enxergar melhor.

 

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Mais ajudas e um freio da burocracia



Durante a estada de dois dias em Moche, o empresário visitou a escola onde Víctor estuda, declarada pela Defesa Civil do Distrito de Mochero como infraestrutura de alto risco. Yaqoob Yusuf conheceu ainda outros alunos, os professores e até jogou uma partida de futebol com a meninada.

Sensibilizado com as dificuldades do estudante Álvaro Asmat Jacobo, que tem uma limitação física, Mubarak deu a ele mil dólares. O aluno do quinto ano do ensino médio ganhou também uma cadeira de rodas elétrica para que possa se movimentar sem problemas.

 

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As contribuições não pararam por aí. Mubarak prometeu ainda reformar a escola Ramiro Nique de Moche. Entre as melhorias, o empresário quer doar equipamentos para uma nova sala de informática.

O assessor do milionário Mubarak ficou responsável pela concretização do projeto. Mas desde que tentou implementar o que foi combinado Gilberto Rosas Landa alega que tem enfrentado muitas dificuldades. A maior delas foi do Ministério da Educação, que não concordou com as doações.

A posição oficial do governo é que já existia a previsão de obras no colégio no ano que vem e que não é possível fazer melhorias em escolas públicas sem planejamentos aprovados.

"Eu estava animado quando fomos chamados pela autoridade municipal, mas era para nos dizer que não podemos reconstruir nada, nem uma parede ou um tijolo, porque há um plano de reconstrução que eles vão começar em 2020. O que fizermos eles terão que demolir", afirmou.

O prefeito de Moche comunicou ao mecenas Mubarak que o Ministério da Educação exige ainda uma série de procedimentos em caso de doação. O árabe teria concordado que tudo fosse feito através da prefeitura.

"Estamos prontos para realizar essa importante doação. Da mesma forma, vamos garantir que cada centavo doado seja investido na melhoria da infraestrutura da escola, de onde vieram grandes profissionais", afirmou Landa.

"Peço às autoridades que tomem consciência e vejam que muitas barreiras burocráticas impedem o desenvolvimento do país, e que há momentos em que isso deveria ser facilitado, obviamente cuidando para que não haja corrupção, porque é um mal no país", disse Armando Flores, diretor da escola.

 

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Mesmo que a escola fique bem mais moderna depois que toda a burocracia peruana for atendida, Víctor não deve usufruir das melhorias por muito tempo. O jovem, que tem planos de se tornar um policial "para acabar com toda a corrupção" no país dele, recebeu um convite para estudar na capital Lima.

 

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jose souza

jose souza

qeu outros meninos sejam encontrados e aparados principalmente no BRASIL..
★★★★★DIA 31.05.19 15h27RESPONDER
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Zuleica Costa

Zuleica Costa

Este embargo da benfeitoria na escola tem um cheiro de "CORRUPIÇÃO" ou tem outro nome para isso?
Uma vez que é uma oferta voluntária,qual a necessidade de uma intervenção?
Ainda mais se tratando de um ministério que precisa,e não pode arcar com esta reforma no momento.
★★★★★DIA 31.05.19 13h17RESPONDER
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