A previsão é de que em mais 5 anos os aparelhos virem sucatas em gavetas
O mundo está prestes a deixar de usar celulares

Parece vaticínio de gente que delira. Mas, quem fez essa afirmação foi nada menos do que o chefe de design da Samsung, a maior fabricante mundial de smartphones, em uma entrevista a jornalistas em Seul, na Coreia do Sul.

Chega a soar como um contrassenso para quem vendeu só nos três primeiros meses de 2018 nada menos do que 71,9 milhões de aparelhos. Isso representa 20,9% do mercado global.

Ao mesmo tempo que o mundo continua comprando tantos celulares, como pode ser anunciada para breve a morte dos smartphones?

O que levou Kang Yun-Je a fazer tal afirmação foi a constatação de que as empresas que criam os celulares estão chegando no final da linha desse segmento porque as inovações bastaram. O modelo Galaxy Fold, aquele que dobra a tela, seria o máximo de desenvolvimento dos smarts. "O design dos smartphones chegou ao seu limite, é por isso que estamos desenvolvendo um smartphone de tela dobrável", comentou o designer.

No primeiro momento, parece difícil aceitar o fim da dependência que o ser humano tem hoje dos celulares e, muito mais, compreender como viveremos sem essas geringonças. Muito mais desafiador é entender o que nos aguarda.

Se os modelos atuais estão caminhando para o cemitério de eletrônicos, ao mesmo tempo, os engenheiros trabalham em aparelhos de comunicação ainda mais sofisticados, ancorados nas inovações do mercado tecnológico.

Quem dá as primeiras dicas do que o futuro nos reserva é o CEO da Samsung. DJ Koh concorda que os celulares estão com os dias contados por que irão se tornar uma tecnologia ultrapassada, e aposta que "uma nova era esteja se abrindo por conta do surgimento da Internet das Coisas (IoT), da Inteligência Artificial e do 5G".

"Nós também estamos nos concentrando em outros dispositivos que estão começando a trazer um impacto mais amplo para o mercado, como fones de ouvido inteligentes e smartwatches. Em mais ou menos cinco anos, as pessoas não vão nem se dar conta de que estão 'vestindo telas'. Será tudo intuitivo", afirmou Kang Yun-Je.

"O últimos 10 anos foram a era do smartphone. Deste ano em diante, talvez uma nova era esteja chegando, devido a essas tecnologias se misturando e agindo juntas. A nova era está à nossa frente", profetiza Koh.

 

O mais top dos celulares

 

A perturbadora análise chega exatamente no momento em que o planeta está a poucos dias de utilizar os primeiros revolucionários aparelhos com telas que dobram ao meio. Quem também desenhou os novos equipamentos foi a empresa sul-coreana.

Para se chegar a esse modelo, batizado com o nome de Galaxy Fold, os técnicos da Samsung passaram anos debruçados no projeto. O aguardado lançamento da cereja do bolo da marca teve que ser adiado mais de uma vez porque as telas dos primeiros aparelhos não mostraram resistência.

Convencida de que deveria ir adiante, a Samsung prosseguiu com o desenvolvimento do Galaxy Fold, e gastou mais alguns milhões para chegar ao protótipo que estará a venda.

Nos corredores da empresa, os criadores dessa revolução definem o Fold como "a base do smartphone do amanhã".

O mais incrível é saber que a própria Samsung, mesmo com todo o esforço e dinheiro que despendeu, imagina que a sobrevivência do aparelho no mercado será curtíssima.

Para Koh, "o aparelho dobrável irá durar uns dois anos". O que vem pela frente a própria mente humana tenta decifrar. "Outra forma de produção pode vir a ser uma possibilidade, mas eu direi que, uma vez que o 5G e o IoT estiverem disponíveis, teremos que pensar para além dos smartphones. Precisamos pensar em serviços inteligentes. Os smartphones podem declinar, mas os novos serviços emergirão", explica o executivo.

 

O mundo está prestes a deixar de usar celulares

 

Teoria compartilhada

 

Apesar da revelação surpreendente, inimaginável para simples consumidores de smartphones, analistas de mercado assinaram embaixo do presságio sul-coreano. Para os conectados em tecnologia, a percepção da Samsung está correta.

Cofundador da Kona, uma empresa de software de inteligência artificial, Diego Cibils foi ouvido por vários sites, e seguiu na mesma linha de raciocínio.

"O smartphone foi um grande dispositivo para o que eu penso ter sido um período transicional entre a computação via desktop e o paradigma conhecido como ‘computação de liberdade'", afirmou.

O que nos aguarda é um mundo parecido com os filmes de ficção que costumávamos ver nos cinemas. Para Cibils a nossa realidade será a de dispositivos interconectados, com multitelas em diversos lugares, que nos ajudarão a realizar tarefas que hoje executamos pelo celular. Essas telas virtuais estarão em paredes e como acessórios dos nossos carros e roupas.

"Você poderá ter a mesma experiência, independentemente de onde esteja", garante Diego.

Ou seja, para compreender um pouco melhor o que está chegando é preciso ampliar todas as experiências que vivemos nos dias atuais e multiplicar por um mundaréu de inovações.

"Outro formato físico também é possível, mas eu digo que, assim que o 5G e a Internet das Coisas forem disponibilizados juntos, devemos pensar em novos dispositivos inteligentes, ao invés de smartphones. Eles podem passar por declínio, mas novos dispositivos vão surgir", concluiu.

 

Celulares em queda livre

 

Enquanto os gênios da tecnologia quebram cabeça para desenvolver as ferramentas do futuro, as vendas dos smartphones estão aos poucos perdendo fôlego no mundo inteiro. Nos primeiros meses de 2019, apenas a chinesa Huawei conseguiu crescer seu volume de comercialização.

As outras três marcas de ponta - Samsung, Apple e Xiaomi - continuaram em queda livre, mantendo a tendência dos últimos seis trimestres.

Segundo a empresa de consultoria IDC, que acompanha o sobe e desce do mercado de smartphones, em 2018 o total de vendas despencou em 4,1% em relação a 2017. A retração se manteve no primeiro trimestre de 2019, quando foram vendidos 310,8 milhões de aparelhos, um volume 6,6% menor do que o registrado no mesmo período do ano anterior.

A única que seguiu na contramão foi a Huawei. A chinesa aumentou em 50% suas vendas e ultrapassou a Apple no ranking das quatro maiores, ocupando agora a segunda colocação. A Samsung ainda segue em primeiro e a Xiaomi em quarto.

O que teria impulsionado a gigante da rede de telecomunicações asiática seria uma linha cada vez mais sofisticada de aparelhos, que agrada em muito ao seu espetacular mercado doméstico. Nem as acusações frequentes que a Huawei sofre sobre prováveis ajudas ao serviço de espionagem chinês afetaram o seu desempenho.

Para se ter uma ideia de como a Huawei tem crescido para cima de seus concorrentes, no mesmo período de 2019, a Samsung teve queda de 8% nas vendas, a Apple, de 30%, e a Xiaomi, de 10%.

"O mercado global de smartphones continua a ser desafiado em quase todas as áreas, mas a Huawei conseguiu aumentar os embarques em 50%", explicou Ryan Reith, vice-presidente do programa Rastreadores Mundiais de Dispositivos Móveis da IDC.

A surpreendente queda da Apple no cenário de vendas de iPhones representou um baque enorme no caixa da empresa da maçã. Se em 2018, o lucro dela tinha sido de US$ 13,8 bilhões, esse ano caiu para US$ 11,5 bilhões no mesmo período. A queda foi de 16%, a maior já registrada pela companhia.

 

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Nize TORRES FALCI

Nize TORRES FALCI

Amei!!
★★★★★DIA 25.07.19 01h41RESPONDER
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