Pelo visto, era a primeira vez que traficantes usavam um navio como “mula” para transportar droga
O passeio de 300 quilos de coca em um cruzeiro terminou antes mesmo do navio zarpar

Com o final da temporada de cruzeiros no Brasil, o navio Costa Favolosa, com capacidade para carregar quase cinco mil pessoas, estava pronto para ganhar alto mar. O que deu errado para a quadrilha foi a bagagem de 16 traficantes ter que passar pela inspeção por escâneres. As autoridades descobriram os entorpecentes e também os donos das malas. Antes mesmo da embarcação deixar o porto, os proprietários da cocaína tiveram que desembarcar direto para a Polícia Federal. Cada um tinha ainda mil dólares no bolso. Sem passeio, sem droga e sem dinheiro a aventura deles terminou em terra firme.

Passear em um dos mais luxuosos cruzeiros do mundo não é nada mal, ainda mais com destino à Europa. São 20 dias de viagens a bordo de um navio com várias opções de lazer e gastronomia. A passagem custa quase quatro mil reais por pessoa.

O Costa Favolosa foi construído em Veneza, na Itália, e custou a bagatela de 510 milhões de euros. A embarcação tem 290 metros de comprimento e alcança uma velocidade de 23 nós (43 km/h). Para dar conta de todo o serviço no navio, que pode levar 3780 passageiros, a equipe de tripulação também é enorme. Mil cento e dez oficiais e funcionários compõem a tripulação.

Em um passeio tipicamente de turistas, os 16 traficantes se enfiaram no Costa formando oito casais. Dez brasileiros estavam acompanhados de mais três franceses e três belgas. A turma subiu no cruzeiro no porto de Santos.

Antes de ganhar o oceano Atlântico, o navio ainda iria passar por mais quatro cidades brasileiras. O roteiro da empresa consta saídas do Rio de Janeiro, Salvador, Maceió e, finalmente, Recife, no dia 1 de abril.

Para onde a droga estava sendo levada a Polícia Federal ainda está tentando descobrir. No continente europeu o cruzeiro vai desembarcar passageiros nas Ilhas Canárias, Espanha, França e, por último, em Savona, na Itália.

Mas que a carga era grande não se tem mais dúvida. Trezentos quilos de cocaína foram acondicionados em 16 “tijolos” por mala. O que “deu ruim” foi o sistema de verificação de bagagens, que é similar ao dos aeroportos.

 

O passeio de 300 quilos de coca em um cruzeiro terminou antes mesmo do navio zarpar

 

A Costa Cruzeiros, responsável pela operação da viagem, explicou que foram os agentes do navio que identificaram as malas com a droga durante a fiscalização de praxe. Toda bagagem despachada é examinada por equipamentos com “métodos não invasivos”, como escâneres.

Depois de descoberta a carga proibida, o passo seguinte foi acionar a Polícia Federal. Em conjunto com os oficiais do Costa, a PF montou uma operação para identificar os suspeitos e saiu à caça dos donos da coca. Os comparsas passaram pela segurança do terminal, seguindo os mesmos protocolos dos aeroportos, mas eles ainda não haviam se hospedado nas cabines porque as suítes não tinham sido liberadas para ocupação. Todos foram localizados em diferentes áreas da embarcação e levados para a unidade da Polícia Federal, que fica dentro do terminal de passageiros do porto. 

Os brasileiros e os estrangeiros, após serem ouvidos e autuados pelo Delegado da policial federal, foram encaminhados ao Centro de Detenção Provisória de São Vicente, cidade vizinha a Santos, para aguardar a audiência de custódia na Justiça Federal.

A PF ainda tem algumas dúvidas sobre os suspeitos. Como eles não têm antecedentes, a Polícia quer saber se o grupo todo já se conhecia e se eles foram contratados como “mulas”. Nesse caso, os presos estariam sendo remunerados por narcotraficantes internacionais. A segunda opção é o grupo estar formando uma nova organização criminosa.

Mas a primeira hipótese é a mais provável. Todos os presos têm menos de 30 anos e cada um levava uma quantia em torno de mil dólares. O restante do pagamento pelo serviço, provavelmente, seria feito na Europa.

Em 20 anos de operação do Terminal Marítimo de Passageiros Giusfredo Santini, nunca um flagrante como esse foi divulgado. Nenhum tripulante ou funcionário do navio foi apontando como cúmplice na frustrada ação de tráfico internacional.

A Costa Cruzeiros emitiu uma nota dizendo que está colaborando com as investigações. “A apreensão dessas substâncias aconteceu durante as atividades rotineiras de controle realizadas pelos agentes de segurança no navio Costa Favolosa enquanto atracado no Porto de Santos. A investigação está em andamento e, por esse motivo, a companhia não pode dar mais detalhes, mas o comando do navio segue fornecendo assistência completa”, afirmou a empresa.

A cocaína encontrada está no estado puro da droga, com alto nível de pureza, o que caracteriza o "tipo exportação". Mesmo com o incidente, o Costa Favolosa recebeu autorização das autoridades para seguir viagem.

 

O passeio de 300 quilos de coca em um cruzeiro terminou antes mesmo do navio zarpar 

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