Perto de encerrar seu mandato como presidente do Flamengo, Eduardo Bandeira perde a chance de ser o maior gestor da história do clube
O presidente do Flamengo que se perdeu com política e treinadores

O presidente do Flamengo, Eduardo Bandeira de Melo, poderia encerrar a gestão dele no final do ano com todos os louvores. Em quase seis temporadas a frente do clube, ele conseguiu reduzir a dívida deixada pelos seus antecessores de 750 milhões pela metade. Só isso já seria motivo para o manda chuva merecer uma estátua na Gávea.

Nos primeiros anos Bandeira ainda ganhou bons títulos. Foi campeão da Copa do Brasil, logo em 2013, e ainda arrebatou dois campeonatos cariocas, em 2014 e 2017 

Um presidente assim era para viver em lua de mel com a sua torcida. Era, porque em seu segundo mandato (de 2016 até hoje), Eduardo tomou um monte de decisões equivocadas e hoje tá muito mais para ser amaldiçoado do que venerado.

A história desse senhor precisa ser contada pela sua carreira profissional. Bandeira é formado em Administração de Empresas pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Por 35 anos trabalhou no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico Social (BNDES). O principal cargo que ocupou na instituição foi o de chefe do Departamento do Meio Ambiente.

Tornou-se sócio proprietário do Flamengo em 1978. Antes de chegar à presidência, foi Membro do Conselho de Administração do clube entre 2007 e 2009. Em 2013 se sentou na cadeira mais cobiçada por todos os flamenguistas, a de presidente.  Bandeira acabara de realizar o sonho de todo torcedor de time grande: ter a caneta que define quem treina o time de coração e quais são os jogadores que podem vestir o manto rubro negro.

Eduardo trouxe com ele ainda um time de peso para ajudar na condução do clube. Essa equipe de craques contava com Luiz Eduardo Baptista, presidente da Sky Brasil; Carlos Langoni, ex-Banco Central e Flávio Godinho, executivo do Grupo EBX. Caberia a esses executivos à tarefa de “modernização de métodos e práticas com foco na gestão”. O discurso é lindo e deveria ser seguido honestamente por todos os outros clubes.

Até aí tudo bem, era de moralização financeira, com gente séria, que o Flamengo precisava. Só que em clube de massa ninguém sobrevive sem ganhar títulos grandes. Nesse ponto Eduardo deixou muito a desejar, principalmente pelos repetidos fracassos em competições eliminatórias. A gestão dele acumula 16 eliminações em “mata mata”. A última foi para o Corinthians, com uma derrota por 2 a 1, na noite de quarta-feira, pela semifinal da Copa do Brasil.

O torcedor, que procura entender o que aconteceu com o Mengão nesse tempo todo, deve apontar ter pelo menos uma dúzia de motivos, mas o erro mais grave, com certeza, foi o da constante troca de treinadores. E os números são mesmo de impressionar.  Se não vejamos. Em 69 meses o senhor Eduardo Bandeira já contratou 14 treinadores. Cada um ficou em média pouco mais de cinco meses no cargo.

A dança das cadeiras mais recente completou o desastre do fim da administração de Bandeira. De um ano para cá, três técnicos tiveram a cabeça decapitada e um pediu para sair. Zé Ricardo, que grande parte da torcida não engolia mais, foi o primeiro a ir parar na guilhotina. Sem muita opção no Brasil o clube foi à Colômbia na esperança de buscar um treinador de peso e importou Reinaldo Rueda, que tinha o prestígio de ter sido campeão da Copa Libertadores com o Atlético Nacional. Mas Rueda perdeu uma decisão de Copa do Brasil e outra da Sul-Americana e bateu em retirada no início do ano para treinar a seleção do Chile. Aí vem a grande trapalhada do clube. O Flamengo trouxe de volta Paulo César Carpegiani, mas com o rótulo de ser um interino. Claro que não iria dar certo. Gigante como o rubro negro não pode viver de improvisos. Carpegiani durou só 17 jogos e caiu com a eliminação do time na semifinal do Campeonato Carioca. Com Paulo César foi embora também o diretor Rodrigo Caetano, que estava há três anos no clube.

A sequência mostrou o quanto o Flamengo se tornou um clube perdido.  Para a vaga de Caetano o presidente nomeou Carlos Noval, até então diretor das categorias de base. Noval trouxe com ele o técnico do Sub 20, Maurício Barbieri, com a velha esperança de que santo de casa pode fazer milagre, sim.

As bizarrices só poderiam levar aos resultados que o time colheu. Eliminação na Copa do Brasil, na Libertadores e o ano indo para o ralo.

O grande pecado na escolha de Barbieri não é o fato dele ter vindo da base do clube. O problema está na falta de experiência com time profissional, ainda mais do tamanho de um Flamengo.

Finalmente convencido de que era urgente ter um nome robusto, Bandeira acenou para Dorival Júnior a possibilidade de eles trabalharem juntos novamente (Dorival era o técnico do Flamengo em 2013 quando Bandeira assumiu a presidência). Júnior aceitou e já comanda o time hoje contra o Bahia.

Em meio a essa turbulência, o presidente Eduardo Bandeira de Melo sofre ainda um bombardeio de críticas por ser visto ultimamente mais fazendo campanha ao lado da candidata Marina Silva do que nos ambientes do clube. Bandeira é também candidato a deputado federal no Rio de Janeiro pelo REDE.

                                         O presidente do Flamengo que se perdeu com política e treinadores

O Flamengo tenta se reorganizar as pressas para ainda lutar pelo título de campeão brasileiro. Em jogo estão as últimas esperanças de uma conquista na temporada. O título salvaria também a imagem do presidente que tirou o clube do atoleiro das dívidas, mas mergulhou o time no limo das decepções.

Futebol tem dessas coisas. Não basta ser apenas correto. É preciso ser campeão.

 

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