O mais recente assalto foi no Maranhão. Enquanto isso os policiais que mataram os assaltantes em Milagres foram afastados das ruas e as autoridades buscam explicação para tanta morte
Bandidos ignoram a tragédia no Ceará e voltam a atacar

A operação policial que evitou a explosão de duas agências bancárias no Ceará na madrugada de sexta-feira, mas resultou na morte de seis reféns, deixou os responsáveis pela segurança de saia justa. Quem apareceu em cena e jogou a responsabilidade nas costas dos agentes foi a mãe de Francisca Edneide da Cruz Santos, uma das vítimas fatais. Dona Maria Larilda Rodrigues também tinha sido sequestrada e estava dentro de um dos carros com a filha quando começou o fogo cruzado. Ela afirmou que os tiros vieram do lado da polícia e não dos bandidos, conforme a primeira informação divulgada extra oficialmente pela secretaria de segurança. A operação que terminou também com a morte de oito assaltantes não acovardou em nada as quadrilhas. Na noite de domingo outro bando invadiu a cidade de Arame, no Maranhão, e conseguiu roubar um banco.

A segunda-feira foi dura para os responsáveis pela segurança do Ceará e do Maranhão que precisaram dar explicações. Quem primeiro veio a público foi o governador cearense. O discurso teve um tom bem diferente da fala da sexta-feira, quando Camilo Santana comemorava o fato das forças policias terem evitado o assalto as agências do Banco do Brasil e do Bradesco, da cidade de Milagres.

Santana havia resumido o resultado da operação com a seguinte fala: "o fato era que os criminosos estavam preparados para assaltar dois bancos e não conseguiram", comemorava discretamente o governador.

Claro que isso chocou as famílias que perderam parentes no catastrófico tiroteio. A repercussão da declaração de Santana exigiu uma retratação.

"De forma infeliz disse aquilo. Mas pedi desculpas à família. Quem me conhece sabe do meu respeito às pessoas e da minha defesa à vida", explicou o chefe do executivo aos jornalistas.

Agora o governador fala em tom bem mais comedido sobre os acertos e erros do ataque a quadrilha. "Todo resultado [da investigação] vai mostrar. Não quero me antecipar, a informação que chegou imediatamente na sexta não dizia quem era refém ou não", disse Santana.

 

Onde a polícia errou

 

Nos assaltos a bancos as quadrilhas do nordeste tem usado reféns para se protegerem na fuga. As pessoas são colocadas em cima dos carros e nas portas formando um escudo humano para que a polícia não possa atirar na direção dos veículos.

Mas em Milagres os bandidos foram surpreendidos quando se aproximaram das agências. Os reféns, que tinham sido sequestrados na estrada, ainda estavam dentro dos carros.

Aí está a explicação que os policias se apegam agora para justificar porque atiraram. Eles alegam que não perceberam a presença de reféns.

Em entrevista ao Fantástico, o secretário da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), André Costa, afirmou que a polícia não sabia que os assaltantes tinham sequestrado algumas pessoas. "Nada foi repassado em relação a reféns. Nas informações da investigação que vieram de Sergipe, nada foi tratado acerca da existência de reféns", afirmou.

André estava se referindo ao trabalho do serviço de inteligência de quatro estados (Bahia, Ceará, Sergipe e Alagoas) que tinha descoberto com antecedência o plano para roubar os bancos de Milagres.

Mesmo assim, os doze agentes que participaram da operação foram afastados dos serviços de rua e executarão apenas tarefas administrativas até que tudo seja esclarecido.

A Controladoria Geral de Disciplina dos Órgãos de Segurança Pública (CGD) abriu uma investigação preliminar para analisar a conduta dos policiais. O governo também nomeou um "grupo especial" que conta com a Delegacia Regional de Brejo Santo, Delegacia Municipal de Milagres, Delegacia de Roubos e Furtos e do Departamento de Polícia do Interior Sul para ajudar na explicação das mortes.

Em entrevista coletiva o procurador-geral de Justiça, Plácido Rios, criticou duramente a ação dos policiais. "A operação foi evidentemente um fracasso sob todos os aspectos", afirmou na segunda-feira.

Oito suspeitos de participação na quadrilha foram presos e os depoimentos deles podem elucidar boa parte dessa confusão.

 

Enquanto isso no Maranhão...

 

Sem nenhum constrangimento com o que havia acontecido no Ceará, e pelo jeito sem temer nada, outro bando atacou no domingo à noite a agência do Bradesco na cidade de Arame, em território maranhense.

A ousadia contou com a estratégia usual dos novos cangaceiros. Eles invadiram as ruas principais atirando e bloqueando os acessos à entrada do município. Antes de chegar ao banco os bandidos fizeram alguns reféns.

Após explodir a agência o bando fugiu carregando as pessoas que tinham sido sequestradas. Mas dessa vez ninguém se feriu. Poucas horas depois todos foram liberados.

O roubo ao Bradesco deixou claro que o Maranhão se tornou um dos alvos preferidos de quem planeja esse tipo de assalto. Em menos de 15 dias foi o terceiro ataque parecido em cidades diferentes do estado.

 

Começou em Bacabal

 

O primeiro roubo foi no dia 25 de novembro. Os bandidos levaram cerca de 100 milhões de reais da agência do Banco do Brasil de Bacabal.

Além do assalto, a quadrilha fez uma zona na cidade queimando viaturas da PM e metralhando a sede do 15º Batalhão da Polícia Militar e a Delegacia Regional de Polícia Civil.

A suspeita é de que mais de 30 criminosos tenham participado dessa algazarra. Três morreram na reação da polícia.

No dia 6 dezembro, um novo assalto foi registrado na cidade de Humberto Campos. Para manter os agentes de segurança ocupados uma parte do bando foi para a sede da 5ª Cia. da Polícia Militar e meteu bala. Outra parte se encarregou da tarefa de tentar levar o cofre do Banco do Brasil. Eles não conseguiram, mas explodiram caixas eletrônicos e jogaram boa parte do prédio no chão.

Para a Secretaria de Segurança Pública do Maranhão, os criminosos devem ser conectados e orientados por uma organização criminosa nacional.

O novo cangaço não tem medo de nada.

 

 

 

 

 

 

 

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Luide Barrichele

Luide Barrichele

é fácil falar atrás de um Jornal e um computador!!
★☆☆☆☆DIA 11.12.18 10h49RESPONDER
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