O flagrante nos irmãos aconteceu em Montes Claros. Pegos com os equipamentos proibidos os dois foram parar na Polícia Federal
Os gêmeos que tentaram usar ponto eletrônico nas provas do Enem

Tem cara de pau pra tudo. Mesmo sabendo que o uso de equipamento eletrônico elimina candidato e é considerado crime no Enem os espertinhos de Minas Gerais resolveram arriscar. O problema é que eles foram muito amadores. A começar pela atitude suspeita dos rapazes no local da prova. Nem disfarçar a ansiedade os dois conseguiram. Flagrados os peraltas foram parar em cana.

O fato aconteceu logo no primeiro dia de provas. Os irmãos Marcos Ramos de Jesus e Mateus Ramos de Jesus, de 22 anos, estavam inscritos para realizar o exame na mesma sala. Mas com um ponto eletrônico enfiado no ouvido a dupla ficou agitada, o que chamou a atenção. Desconfiado dos dois um fiscal pediu para revista-los. Além dos micro aparelhinhos de escuta, eles ainda tinham três celulares amarrados a perna e na barriga de um deles havia um monte de fios. Toda a parafernália fazia parte de um engenhoso sistema de comunicação para os jovens receberem as respostas das questões vindo do lado de fora da sala, ou então para trocar informações durante a prova.

A Polícia Federal é quem está investigando o caso. Por enquanto a PF não quis dar nenhuma explicação sobre como os irmãos tinham tramado agir dentro da sala da Escola Estadual Armênio Veloso, apenas relatou que os jovens portavam ainda carteiras de identidade falsas com nomes de pessoas que seriam do Espírito Santo.

Segundo o coordenador municipal do Enem de Montes Claros, Osmano de Sousa, a ocorrência não atrapalhou os outros estudantes que faziam a prova na escola.

 

Uma história que se repete em Montes Claros

 

Essa não foi a estreia de tentativa de uso de ponto eletrônico em provas do Exame Nacional do Ensino Médio envolvendo pessoas da cidade de Montes Claros.

Outra fraude eletrônica foi flagrada na edição de 2016. A Polícia Federal desbaratou na época uma organização criminosa que tentava fraudar processos seletivos para universidades e no Enem. O principal alvo eram cursos de medicina.

Em uma operação chamada de "Embuste", a PF botou a mão de uma só vez em 28 pessoas em Minas Gerais. A quadrilha cobrava até 180 mil reais pela venda dos gabaritos e tinha duas cabeças. Rodrigo Viana era o líder. A tarefa dele seria a de atrair clientes e recrutar “pilotos”, como são chamado as pessoas com conhecimento em áreas específicas e que faziam as provas pelo bando. Já Jonathan Galdino dos Santos cuidava dos equipamentos usados na fraude.

O esquema funcionava assim. Depois de ler as provas os "pilotos" enviavam as respostas para um hotel em Montes Claros, onde funcionava o QG da corja. De lá o bando repassava o gabarito para os candidatos através de uma central de telefonia celular para diversas partes do país.

Os alunos recebiam as respostas por um microponto colocado no ouvido e que era conectado a uma central telefônica acoplada no peito ou braço.

 

Os gêmeos que tentaram usar ponto eletrônico nas provas do Enem  Modelo de ponto de escuta usado por fraudadores

 

Com a operação a PF acabou pegando no Ceará, com a boca na botija, todo equipado, um homem de 34 anos que se dizia secretário de saúde de Alto Santo, cidade do interior. Antônio Diego de Lima Rodrigues foi preso em flagrante, assim como os gêmeos de Montes Claros.

Quem comete esse tipo de delito pode responder a processo por crimes contra a fé pública e o patrimônio que prevê penas que podem ultrapassar a 20 anos.

 

Os gêmeos que tentaram usar ponto eletrônico nas provas do Enem Antônio Rodrigues e os equipamentos de escuta usados em 2016

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