As autoridades acreditam que a droga estava em alto mar há um bom tempo
Pacotes com cocaína aparecem boiando em praia da Nova Zelândia

 

Os banhistas que frequentam a praia de Bethells, a 30 quilômetros da cidade de Auckland, se surpreenderam na quarta-feira, dia 7 de agosto, ao verem pacotes flutuando no mar.

As misteriosas embalagens azuis com estranhos símbolos impressos em amarelo foram parar na areia levadas pela maré. Várias pessoas ligaram para a polícia informando o fato. Ao chegar ao local, os agentes constaram que no interior dos embrulhos havia o entorpecente.

"A polícia compareceu ao local e encontrou 19 pacotes. As análises confirmaram que contém cocaína", afirmou o detetive Colin Parmenter.

A quantidade da droga não foi informada. As autoridades disseram apenas que o preço estimado pela coca seria de 2 milhões de dólares, algo em torno de 8 milhões de reais.

Como os pacotes tinham pedaços de conchas, a polícia acredita que a droga estava à deriva no mar há alguns dias. Um alerta foi disparado para a população informando que eventualmente quem encontrar novos embrulhos na costa da Nova Zelândia deve entregar às autoridades, o que provocou uma "corrida" ao local de terreno acidentado. Até um helicóptero tem sido usado para tentar localizar mais cocaína.

"Existe a possibilidade de que mais pacotes apareçam nas praias. Pedimos ao público que, neste caso, entre em contato imediatamente", afirmou Parmenter.

Esta não é a primeira vez que algum tipo de droga aparece boiando no mar da Nova Zelândia. Em 2016, as ondas arrastaram até uma praia do norte do país uma carga de 500 kg de metanfetamina.

 

Pacotes com cocaína aparecem boiando em praia da Nova Zelândia

 

Nova rota para drogas

 

Arquipélagos isolados, policiais despreparados e Estados minúsculos incapazes de combater o crime. Essa é a perigosa combinação que os traficantes têm encontrado em ilhas do Pacífico Sul e que favorece o fluxo de drogas.

Segundo especialistas, policiais e autoridades nos últimos tempos essa parte do planeta virou uma nova rota da cocaína. Países como Austrália e Nova Zelândia, onde o quilo chega a custar 100 vezes mais do que na Colômbia, vem se tornando grandes mercados consumidores.

Para transportar a droga, as organizações criminosas usam além de barcos privados também cargueiros e navios de passageiros. A afirmação é do pesquisador José Sousa-Santos, diretor do Strategika Group Asia Pacific, uma consultoria de risco da Nova Zelândia.

Em novembro do ano passado, a polícia encontrou no Porto de Auckland um carregamento com 190 quilos de cocaína em caixas de banana que tinham sido importadas do Panamá. Wei-Jiat Tan, diretor de inteligência de aduanas da Nova Zelândia, afirmou ao site do Estadão que o número de apreensões em cruzeiros também cresceu. "Antes, descobríamos apenas quantidades pequenas. De uns anos para cá, apreendemos dezenas de quilos em cada operação", afirmou.

Representante regional do Escritório da ONU sobre Drogas e Crime (UNODC), Jeremy Douglas acredita que países que servem de passagem de droga estão condenados a desenvolver um mercado consumidor. "Lugares como o Pacífico Sul são particularmente perigosos. Os países são muito pequenos, com recursos limitados. São Estados soberanos, mas que não têm sistema de saúde e a polícia não está preparada", confirmou.

 

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