Condenado na justiça americana por dez crimes, o maior traficante do mundo não deve sair da cadeia nunca mais
Para família sobreviver, traficante El Chapo cria grife internacional de roupa

Os dias de dinheiro farto e ostentação podem estar ameaçados para os herdeiros do mais brutal e rico traficante do mundo. Pelo menos é essa a imagem que El Chapo parece querer vender no momento. A fortuna que ele juntou exportando cocaína e outras drogas, principalmente para os Estados Unidos, é incalculável. No auge do cartel de Sinaloa, cerca de trinta toneladas eram desembarcadas em terras americanas todo ano. Um mega negócio que fazia render mais de 450 milhões de dólares a cada doze meses. Boa parte do dinheiro era depositada em bancos sob a alegação de ser fruto de venda de tomates para o exterior. Outra dinheirama foi guardada em esconderijos camuflados, criados por um arquiteto contratado pelo mafioso. Em cada banker estão acaçapados em torno de 20 milhões de dólares. Mesmo assim, El Chapo tem coragem de dizer que está com medo de ficar duro e deixar a família sem ter como bancar as despesas no futuro.

Tá certo que herdeiro é o que não falta ao traficante. El Chapo teve pelo menos quatro mulheres e filhos pelo mundo afora. O barão da droga também tem fama de ser perdulário. Sempre gastou os milhões que juntava com as pessoas que ele gostava e eram fiéis. Em um Natal, ele mandou comprar 50 automóveis que custavam 35 mil dólares e distribuiu para funcionários.

Os gastos para fugir de duas penitenciárias de segurança máxima também não devem ter custado pouco. Em uma das escapadas, a gangue de Joaquín Archivaldo Guzmán Loera (nome de batismo do traficante) cavou um túnel de um quilômetro e meio. Para apressar a fuga, ele percorreu a galeria com uma moto. Segundo o próprio El Chapo, o custo para mandar construir o corredor subterrâneo ficou em cerca de US$ 1 milhão. A obra durou um ano e foi realizada por engenheiros que receberam treinamento na Alemanha.

Os carcereiros também foram acusados de facilitar o desaparecimento do "hóspede" mais perigoso e vigiado do presídio. Até câmera de segurança havia na cela dele e ninguém "percebeu" a hora em que El Chapo se enfiou como um rato no buraco.

Claro que operações como essa, e o pagamento de propina para não ser perseguido constantemente, consumiram uma grana considerável. Mas daí querer se passar por um ex-bilionário é demais. A grife idealizada por El Chapo está mais para a plantação de tomate que ele alegava ter do que para o verdadeiro cultivo de cocaína.

 

Inspiração para a moda

 

Em janeiro de 2016, El Chapo foi capturado pela última vez. Um dia depois a revista "Rolling Stone" publicou uma entrevista que ele havia dado no ano anterior ao ator Sean Penn. A publicação teve uma grande repercussão. Sem nenhuma modéstia, Joaquín Guzmán contou vários de seus feitos.

"Eu forneço mais heroína, metanfetamina, cocaína e maconha do que qualquer pessoa no mundo. Tenho uma frota de submarinos, aviões, caminhões e barcos", narrou enquanto tomava goles de tequila.

Nas fotos da reportagem, El Chapo aparece vestindo duas camisas de uma varejista de moda masculina de Los Angeles, chamada Barabas. A companhia tem loja física e também faz venda online.

Não poderia ter surgido um "garoto propaganda" melhor para a empresa. A Barabas aproveitou as redes sociais para divulgar os modelos. A estratégia vingou. Milhares de pessoas correram em busca das mesmas peças do vestuário. O site da rede caiu várias vezes devido a grande quantidade de interessados em realizar compras. Os pedidos vinham não só dos Estados Unidos, mas também de clientes no México e de países latino-americanos.

A rede precisou mandar aumentar a produção e passou um bom tempo lucrando com as vendas da camisa que custavam US$ 128. "Estas são as camisas! É a sensação do momento, os telefones não param de soar. Estamos fazendo muitas vendas, muitos envios e ainda esperamos mais", disse na época Sandra Macía, gerente da loja Barabas, à Agência Efe.

 

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O dinheiro para a escola dos filhos

 

A inspiração para o líder do cartel de Sinaloa e família expandirem os negócios, provavelmente, veio do sucesso da camisa de cetim da Barabas. Recentemente, uma das filhas de El Chapo, Alejandrina Gisselle, lançou uma linha de roupas e acessórios com o nome El Chapo 701.

Alejandrina tem 37 anos e é fruto do casamento de Gusmán com María Alejandrina. Nas redes sociais Giselle afirma que sua mãe é a esposa legítima de El Chapo. O casal se uniu em 1977.

O logotipo da grife das Alejandrina tem as letras C, H e A entrelaçadas. Elas querem vender camisetas, casacos, jaquetas, cintos, calçados, chapéus, roupas de banho e até joias e licores.

 

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No site da El Chapo 701, Alejandrina define o pai como "Corajoso, carismático, de honra, palavra e respeito, com uma solução e saídas prontas para qualquer desafio. Em todo o mundo, ele é conhecido como o CEO da Sinaloa".

A assinatura do portal traz a seguinte mensagem: "Uma lenda viva com uma essência revolucionária".

Agora vai ser a atual companheira de Guzmán que lançará uma grife explorando a fama do lendário bandido. O narcotraficante autorizou Emma Coronel a criar a marca El Chapo Guzmán. A alegação seria para garantir o futuro das duas filhas do casal. Ele já assinou os documentos e entregou os direitos de propriedade intelectual para que os advogados tomem as providências.

A empresa será comandada pessoalmente por Emma e o marido não receberá nenhum dinheiro, garantiu à rede CNN o advogado Michael Lambert. "Ele ama a esposa e as duas filhas e quer se preparar para o futuro", afirmou Lambert.

 

Para família "sobreviver", traficante El Chapo cria grife internacional de roupaEmma Coronel

 

Condenado à espera da sentença

 

Encarcerado nos Estados Unidos, em uma prisão no Brooklin, em Nova Iorque, desde o dia 19 de janeiro de 2017, El Chapo dificilmente vai sair de trás das grades. Em fevereiro ele foi condenado por dez crimes em um julgamento que durou quase quatro meses.

Os promotores apresentaram um rio de provas contra o líder do cartel. Entre as 56 testemunhas que prestaram depoimento, 14 trabalharam com Guzmán no narcotráfico. Além das acusações de assassinato, estupro e outros tipos de violência, ele foi incriminado por contrabandear 200 toneladas de drogas para os Estados Unidos usando iates, lanchas, barcos de pesca, aviões, trens de carga, pequenos submarinos, tratores, carne congelada, latas de alimentos e através de túneis. O total do dinheiro envolvido no tráfico teria chegado a US$ 14 bilhões.

A pena será anunciada no dia 25 de junho. El Chapo, com 61 anos, deve ser sentenciado à prisão perpétua.

Enquanto isso no México, o cartel de drogas de Sinaloa continua em franca operação, agora liderado em parte pelos filhos de Guzmán. Em 2016 e 2017, mesmo sem o pai por perto, eles aumentaram a produção de heroína em 37%, mas também as apreensões de fentanil, uma droga sintética, mais do que dobraram, segundo a Agência Antidrogas dos EUA (DEA).

 

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roxxon valdez

roxxon valdez

Coitada, pobrezinho. Os congressistas brasileiros vão se apressar em criar uma pensão vitalícia de marajá para ele.
★☆☆☆☆DIA 31.03.19 09h19RESPONDER
N/A
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