Billie Wayne Coble levou uma injeção letal por ter matado os sogros e um cunhado
Parentes se revoltam ao assistir a execução de um homem condenado à pena de morte nos EUA

As mortes aconteceram em 1989. Billie não aceitava a separação. Primeiro ele sequestrou a antiga companheira e acabou preso, mas por pouco tempo. Ao sair da cadeia, o veterano de Guerra do Vietnã foi até a casa da mulher e amarrou as filhas e um sobrinho. Em seguida, partiu ao encalço de suas vítimas. Os três foram assassinados a tiro. Condenado à pena de morte, Coble passou quase trinta anos encarcerado, até o dia que chegou a hora da execução. Enquanto ele recebia uma injeção, familiares arrumaram a maior confusão em uma sala ao lado e acabaram detidos por desordem no presídio.

Billie tinha 70 anos e foi o preso mais velho executado no Texas desde que a pena de morte voltou a fazer parte das leis do estado em 1982. Há poucas horas do último dia de vida do criminoso, os advogados ainda se esforçaram para tentar impedir o cumprimento da sentença.

Mas a Suprema Corte dos EUA negou uma petição de indulto ao bárbaro assassino. A alegação para impedir o fim de Coble era a de que ele teve uma defesa inadequada em seu julgamento. Com a apelação recusada, a justiça determinou que a execução fosse realizada na prisão estadual de Hunstville.

Estavam presentes em uma sala ao lado da câmara de morte cinco pessoas escolhidas pelo próprio Billie para testemunhar o momento. Entre elas, um filho, um neto e a nora. Depois de dizer que amava a todos, as últimas palavras de Coble teriam sido: "Cuidem-se. Isso vai custar 5 dólares", em uma referência ao apelido dele, Five Dollar Bill.

Nesse momento, os familiares iniciaram uma algazarra esmurrando as paredes de vidro que separavam os ambientes e gritando obscenidades. Gordon Wayne Coble (filho), de 45 anos, e Dalton Coble (neto), de 21 anos, acabaram detidos pela polícia. Eles foram algemados, retirados do local e levados para um pátio sob a alegação de xingar e atacar as autoridades. Nem os apelos da nora aliviaram a prisão dos dois. "Por que você está fazendo isso? Eles acabaram de matar o pai dele", gritou desesperada.

Gordon e Dalton tiveram que pagar fiança de mil dólares cada um por conduta desordeira antes de serem liberados.

Enquanto os parentes estavam sendo controlados do lado de fora da sala, foi consumada a sentença.

A execução durou onze minutos, quando Billie parou definitivamente de respirar. Mas os instantes que antecederam a morte do condenado foram dramáticos, segundo relatos das pessoas presentes. Ele recebeu uma dose única de pentobarbital. Enquanto a droga estava sendo administrada, Coble teria ofegado várias vezes e depois passou a roncar.

Às 18h24, do dia 28 de fevereiro, Billie Coble acabou declarado morto. Ele foi o terceiro preso executado esse ano nos Estados Unidos e o segundo no Texas, o estado americano que mais aplica a pena máxima no país.


A insanidade do ex-combatente


A impulsividade de Billie não se resumiu ao dia em que ele saiu matando pessoas pela cidade de Axtell, uma pequena comunidade a 160 km ao norte da capital do Texas, Austin.

Inconformado com o pedido de divórcio, o ex-militar sequestrou a esposa, Karen Vicha. O gesto insano acabou custando uma prisão ao homem que nos últimos dias trabalhava como eletricista. Mas ele foi libertado sob fiança e nove dias depois executou o plano de matar as pessoas.

Segundo os investigadores, primeiro Coble foi à casa de Karen e amarrou suas três filhas e um sobrinho, identificado como J.R. Vicha. Em seguida, ele se dirigiu à residência onde moravam seus sogros, Robert, de 64 anos, e Zelda Vicha, de 60 anos.

Após atirar no casal, Billie partiu para a casa de John Bobby Vicha, de 39 anos, um sargento da polícia que morava nas proximidades. O cunhado também foi morto a tiros.

O último ato do dia de loucura de Coble foi sequestrar novamente a ex-companheira. Ao se encontrar com ela, o criminoso teria dito: "Karen, eu matei sua mãe, seu pai e seu irmão. Estão todos mortos e ninguém virá ajudá-la agora".

Segundo os jornais locais, Billie teria "permitido que ela desse um beijo de despedida em seus filhos" antes de tirá-la de casa. Depois, ele a levou a um campo abandonado e ameaçou violentá-la. Descoberto por um xerife, Coble saiu em fuga perseguido por um carro de patrulha.

No caminho o assassino esfaqueou Karen no queixo e no rosto enquanto dirigia, mas ela sobreviveu. Em uma tentativa frustrada de cometer suicídio para evitar a prisão, Coble bateu o carro em um veículo que estava estacionado.

Terminavam ali as barbaridades do homem que tinha sido criado por uma mãe que foi internada com doença mental e por um pai debilitado pelo alcoolismo.


Condenado à morte


O primeiro julgamento de Billie Coble aconteceu em 1990. Ele foi condenado à morte por decisão do júri em um tribunal do Condado de McLennan. Na sentença, o Procurador Geral do Texas, Gwendolyn Vindell, justificou a pena escrevendo que o réu "aterrorizou e assassinou toda a família de sua ex-mulher".

Em 2007, um tribunal de apelações ordenou um novo julgamento, mas o segundo júri manteve a condenação.

Crawford Long, um ex-assistente do promotor público do Condado de McLennan, descreveu Coble como um homem com um "coração cheio de escorpiões".

Os advogados de Billie criticaram o resultado do segundo julgamento, alegando que o Estado havia declarado que o cliente tinha bom comportamento na prisão. Mas Coble ainda representava uma ameaça, segundo a justiça.

No começo de 2019, os advogados fizeram um novo apelo ao governo do Texas para que tirasse o assassino do corredor da morte por causa da idade.

"Ele tem agora 70 anos, está com problemas de saúde e tem um histórico de prisão quase sem defeitos nos últimos 30 anos", escreveu o advogado Richard Ellis. "Sua execução não serviria a nenhum propósito válido".

Todos os argumentos foram em vão. Alguns familiares das vítimas discordaram dessa ideia. J.R. Vicha tinha 11 anos quando foi amarrado e ameaçado pelo tio Coble, ao lado de seus primos. Inspirado pelo seu pai policial, que foi morto por Billie, hoje ele é promotor.

Para J.R. a execução trouxe uma sensação de alívio. "Ainda assim, a maneira como eles fazem isso é mais humana do que o que ele fez com a minha família. Não é o que ele merece, mas será bom saber que temos tanta justiça quanto permitido pela lei", disse Vicha.

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Paulo Fortes

Paulo Fortes

O cara mata 3 pessoas da familia da ex-mulher, ronca quando esta morrendo e os familiares ficam revoltados?...O cara morreu roncando!....Já ouvi muitas pessoas falando que gostariam de morrer dormindo. E mais....Foram quase 30 anos de espera dos familiares das vítimas para que a exucução acontecesse...Os familiares das 3 pessoas assassinadas é que deveriam ficar revoltados!
★★★★★DIA 04.03.19 11h03RESPONDER
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