Durante a Copa do Mundo de 2014, o país viu com seus próprios olhos o exemplo dos japoneses que limpavam os estádios após os jogos. Em Minas Gerais uma cidade adotou esse mesmo comportamento. Mas dá para o povo brasileiro fazer muito mais
Passou da hora do Brasil seguir os bons exemplos do futebol

Tudo começou na partida Japão e Costa do Marfim, na Copa do Mundo realizada no Brasil. Os asiáticos perderam logo na estreia por 2 a 1 para os africanos. A partida foi realizada na Arena Pernambuco. Assim que acabou o jogo, ao invés dos frustrados torcedores irem para a beira do campo desabafar contra o treinador, eles protagonizaram uma cena inusitada nos estádios brasileiros: recolheram o lixo que estava espalhado na arquibancada. 

Depois da atitude no jogo contra a Costa do Marfim, os nipônicos repetiram o gesto em outros jogos. 

 

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Na rodada seguinte a seleção voltou a decepcionar em campo ao empatar em zero a zero contra a Grécia, mas igualmente os torcedores deixaram a Arena das Dunas, no Rio Grande do Norte, limpa usando os sacos de lixo. Naquele jogo o estádio recebeu 39.485 pessoas.

O interessante é que os sacos seriam usados, inicialmente, pelos japoneses para fazerem uma festa pela comemoração de uma vitória que não veio. 

As cenas geraram muita repercussão. "Não sabíamos que seria assim, tão comentado. Estão tirando fotos nossas", disse um torcedor japonês no dia, surpreso diante de algo que para eles é tão comum.

 
E a moda pegou 

 

No Mundial da Rússia, no ano passado, lá estavam os japoneses com sua seleção sem brilhar tanto em campo, mas com uma torcida fazendo escola. 

Na primeira partida, os samurais ficaram ainda mais felizes na hora de dar a faxina no estádio porque a seleção oriental havia batido a Colômbia, na Arena Mordovia. 

 

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Nas partidas seguintes, senegaleses e uruguaios fizeram o mesmo em seus jogos. 

Senegal enfrentou a Polônia, na Arena Spartak, em Moscou. Já os uruguaios, felizes com a vitória por 1 a 0 sobre a Arábia Saudita, que garantiu a classificação para as oitavas de final do Mundial, recolheram copos, garrafas plásticas e todo o lixo que deixaram nas cadeiras da Arena Rostov. Os torcedores sauditas acabaram fazendo o mesmo. 

As imagens correram o mundo. Quatro anos depois, uma torcida mineira repetiu o mesmo gesto e pode se tornar uma referência por aqui. 

A ideia de incentivar os torcedores de Ipatinga em deixar o estádio limpo ao término dos jogos partiu de um dos patrocinadores do time. A equipe do Vale do Aço, que no ano passado jogou o Módulo II do Campeonato Mineiro de Futebol, tem como parceiro o grupo Nippon Steel & Sumitomo Metal Corporation. 

A Nippon já está no Brasil há 60 anos e, atualmente, é uma das acionistas controladoras da Usiminas. 

O grupo fundado em 2012, é líder mundial em produção integrada de aço. Tem negócios siderúrgicos em 22 países e opera 13 usinas no Japão. 

A ideia deles de instigar a conscientização do torcedor começou em 2018. O grupo, que já tem a marca na camisa do time de futebol do Ipatinga, se inspirou no comportamento dos japoneses nos dois últimos mundiais. 

Desde o ano passado, nos jogos do Tigre em casa, a Nippon Steel & Sumitomo Metal Corporation passou a distribuir cerca de 8.500 sacolas plásticas para que os torcedores pudessem recolher o seu próprio lixo ao final das partidas. 

A ação atingiu em torno de 20 mil espectadores nos quatro jogos realizados em casa. Ao todo foram coletados mais de 40 quilos de lixo.

 

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O mascote do time também entrou na campanha, Torcida Limpa IFC, como uma forma de incentivo à quem estava nas arquibancadas. 

A sugestão foi tão bem aceita que a patrocinadora quer agora estender a campanha para outros eventos na cidade, além de continuar a parceria com o time de futebol. 

O Ipatinga estreia no Módulo II no dia 9 de fevereiro, contra o Nacional de Muriaé, no Estádio João Lamego Netto (Ipatingão).

"No Japão, não só os funcionários de limpeza, como também os próprios cidadãos, cuidam para que as ruas não fiquem sujas. Como Ipatinga também é uma cidade bem cuidada e limpa, reunimos mineiros e japoneses para demonstrar um bom exemplo de cuidado com a cidade e com os espaços públicos", explicou Kazuhiro Egawa, diretor-executivo da NSSMC.

O princípio é baseado em uma tradição cultural japonesa que diz mais ou menos o seguinte: todos são educados para manter os ambientes coletivos limpos, como estavam antes de serem utilizados. 

 

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A sujeira em um clássico 

 
Toda vez que sai a renda final de um jogo o torcedor deveria se interessar em saber quanto sobra de grana para o time dele. Quem nunca se preocupou em conhecer esses números vai tomar um susto. Uma boa parte do dinheiro da bilheteria tem que ser destinada para a limpeza dos estádios. E não é pouca coisa (no borderô do jogo existem outras despesas além da limpeza).

Claro que é proporcional também ao número de presentes às arenas. Se no Brasil todas as torcidas se unissem em comportamentos similares, a operação para reorganizar o estádio seria mais barata e, consequentemente, sobraria mais grana para os clubes. 

Segundo dados levantados pela Minas Arena, em dia de grandes jogos no Mineirão é produzida uma média de 2 toneladas de lixo. Para cuidar dessa sujeirada são utilizadas 50 pessoas por partida. 

Depois dessa montanha de porcarias recolhida, todo o material é colocado em uma sala para triagem e, posteriormente, destinado ao Aterro Sanitário Macaúbas.

 

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Desde 2014, a direção da Minas Arena vem fazendo campanhas educativas, o que ajudou a mudar o comportamento do torcedor. Mas muita gente ainda insiste com o péssimo hábito de jogar lixo no chão. 

De acordo com a Minas Arena essa mudança de comportamento é gradativa. A direção do estádio já faz a distribuição de sacolinhas em alguns jogos, o que tem ajudado muito.

Só que a produção das sacolinhas também tem um custo, que não é pequeno, e muitas vezes elas ainda são desprezadas pelos torcedores. 

Pela campanha em Ipatinga em 2018, o projeto do clube Torcida Limpa IFC será homenageado com o Prêmio Fair Play no 18° Troféu Telê Santana, promovido pela TV Alterosa, no próximo dia 13 de fevereiro. 

Para o atual presidente do clube, Cristiano Araújo, "o Torcida Limpa contribuiu para valorizar ainda mais a marca do Ipatinga Futebol Clube". 

Essa é a moda que deveria pegar nos estádios. 

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Raquel Ayres

Raquel Ayres

Exemplo de pequenas atitudes que podem ajudar-nos a entender, de fato, o que é cidadania! Só assim, com o pensamento de coletividade, iremos evoluir.
★★★★★DIA 05.02.19 17h22RESPONDER
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Guilherme Mendes

Guilherme Mendes

Raquel, o país precisa de muitas mudanças. Elas não serão da noite para o dia. O tempo exigirá uma construção longa, como essa dos torcedores. Abraço.

★★★★★DIA 05.02.19 17h48RESPONDER
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Ex Torcedor

Ex Torcedor

Como eu deixei de ir a estádios, não vejo mais a imundície que fica na área destinada ao público.
★★★★★DIA 05.02.19 15h49RESPONDER
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Guilherme Mendes

Guilherme Mendes

Mas pode ser a hora de retomar os hábitos. Abraço.

★★★★★DIA 05.02.19 17h46RESPONDER
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Carlos Alberto

Carlos Alberto

Estava na hora mesmo de seguir estes bons exemplos. Eu, como torcedor, após o término do jogo, costumo levar meu lixo até o lixo mais próximo mas pretendo estender da próxima vez a coleta destes resíduos.
★★★★★DIA 05.02.19 14h27RESPONDER
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Guilherme Mendes

Guilherme Mendes

Parabéns, Carlos! São os exemplos e a educação que podem mudar esse país. Abraço 

★★★★★DIA 05.02.19 14h54RESPONDER
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