É provavelmente a imagem mais chocante do rigoroso verão desse início de 2019. E os cientistas temem desastres ainda maiores
 Pelo menos noventa cavalos já morreram por causa do calor na Austrália

As fotos começaram a correr na internet deixando todo mundo boquiaberto com tamanha covardia. Os bichos morreram por desidratação ou acabaram sacrificados porque não tinham como se recuperar mais de tamanha fraqueza. Os primeiros números falam em noventa. Quarenta cavalos selvagens já foram encontrados sem vida, enquanto outros 50 tiveram que ser sacrificados. E esses números podem ser apenas o começo de uma tragédia muito maior.

Os bichos estavam em um rio seco, perto de Santa Izabel, na região central da Austrália.

As autoridades não têm dúvidas de que as mortes aconteceram devido ao forte calor. Há pelo menos 12 dias a temperatura de extremo calor ultrapassa a casa dos 42ºC. É uma sensação insuportável para os animais.

Uma equipe de rangers de Ltyende Arpurte saiu a procura dos animais na quinta-feira passada. Os polícias tinham estranhado o sumiço dos cavalos. Os selvagens são muito comuns na região.

A investigação terminou com a descoberta trágica. O local onde eles foram localizados é o leito de um rio, mas que se encontra completamente seco devido à onda de calor que tem assolado o país.

Imagina-se que os cavalos tenham ido para lá à procura de água, um hábito comum aos animais da região, mas acabaram se deparando com um leito seco já que as temperaturas no vale são ainda mais elevadas.

"Não queria acreditar que uma coisa destas tinha acontecido ali, nunca tinha visto nada assim", disse Ralph Turner, residente em Arrernte.



Outros animais serão sacrificados

 

Em um outra comunidade próxima a Santa Izabel, as autoridades encontraram mais 50 cavalos selvagens com problemas de saúde graves também provocados pelo calor extremo.

"Uma terrível vala comum de cavalos selvagens, que se estende por 100 metros, foi encontrada. Acredita-se que os cavalos tenham penetrado no reservatório para beber", diz um texto que se espalhou pela internet do ativista Rohan Smyth.

Ele explica ainda que a família de cavalos "terá morrido por desidratação" provocada "pelo calor extremo". Além das trágicas mortes, a comunidade está preocupada com os riscos de saúde provocados pelas carcaças que podem contaminar os cursos de água existentes.

Em outro poço seco perto da cidade de Alice Springs, que fica no Território do Norte, dezenas de animais foram encontrados agonizando ou já mortos por Guardas-florestais.

Os cavalos não foram os únicos animais afetados pela onda de calor: morcegos nativos e peixes também morreram.

 

 Pelo menos noventa cavalos já morreram por causa do calor na Austrália

 

"Eu fiquei arrasado. Nunca tinha visto nada parecido – todos aqueles corpos", disse Rohan Smyth à BBC.

"Não podia acreditar que uma coisa dessas tivesse acontecido".

Outro morador, Rohan Smyth, disse à rede de TV ABC que normalmente havia água no local e que isso deve ter atraído os cavalos. "Eles simplesmente não tinham outro lugar para ir (em busca de água)".

O sacrifício dos bichos deverá ser ainda maior. O Conselho disse que mandou abater os animais restantes porque eles foram encontrados à beira da morte.

Segundo o diretor do CLC, também havia planos de abater mais 120 cavalos selvagens, jumentos e camelos que estavam "morrendo de sede" em uma comunidade próxima.

"Eu fiquei arrasado. Nunca tinha visto nada parecido - todos aqueles corpos", disse um morador da região que esteve no local das mortes.

Várias outras espécies de animais selvagens também morreram, entre eles cerca de 23 mil morcegos nativos e, ainda, um milhão de peixes que foram encontrados mortos às margens de um rio no Estado de Nova Gales do Sul.

As autoridades e a comunidade estão discutindo que medidas tomar com outros animais, como camelos, burros e mais cavalos, que se encontram em condições bastante difíceis, sendo impossível transportá-los para fora dali.

 

 Pelo menos noventa cavalos já morreram por causa do calor na Austrália

 

Risco humano também

 

A onda de calor extremo que atravessa o país é uma das mais duras dos últimos anos. Algumas áreas da Austrália tem registado médias superiores aos 42 graus desde o início do ano.

Há duas semanas os australianos têm experimentado temperaturas em níveis alarmantes. Na quinta-feira, a cidade de Adelaide registrou sua maior temperatura até agora. Foram 46,2ºC, superando um recorde alcançado em 1939.

Cinco dos dias mais quentes da história do país foram registrados nas últimas semanas.

Estudos mostram que a temperatura subiu cerca de 6 °C acima das médias registradas normalmente em janeiro, de acordo com o Bureau of Meteorology da Austrália, agência executiva do governo responsável por serviços meteorológicos para a região e áreas adjacente.

"Com mudanças climáticas definitivamente sobre nós, esperamos que essas emergências ocorram com cada vez mais frequência", disse Ross,
o diretor da Central Land Council (CLC), um conselho que representa os povos aborígenes.

"Ninguém está realmente preparado e com recursos para responder a elas", completou o diretor.

No início deste mês, autoridades confirmaram que 2018 e 2017 foram, respectivamente, o terceiro e o quarto ano mais quente da Austrália.

O relatório State of the Climate 2018 do Bureau of Meteorology apontou que mudanças climáticas levaram a um aumento nos eventos de calor extremo.

Autoridades divulgaram alerta de saúde recomendando que as pessoas permaneçam em ambientes protegidos do sol e reduzam a atividade física, com maiores preocupações em relação a idosos, doentes crônicos e crianças.

 

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