Quase todo ano as notícias sobre casas em chama no estado americano se repetem. Mas dessa vez o fogo provocou uma destruição jamais vista

A cada atualização os números da nova temporada de incêndios na Califórnia são mais assustadores. Na segunda-feira, dia 19 de novembro, já eram contabilizados 80 mortos e cerca de mil pessoas continuavam sendo procuradas. Outras 27 mil estão desalojadas. Dois grandes focos ardem no estado, um ao norte e outro ao sul. Em todo o estado quase 11 mil habitações viraram cinzas. A alteração climática pode ser a responsável por uma devastação jamais vista.

A Califórnia não é apenas um dos 50 estados americanos, é o maior do país em número de habitantes. São mais de 37 milhões de moradores que se instalaram em uma das regiões da costa do Pacífico. A maior parte da população se concentra ao sul, onde estão as cidades de Los Angeles e San Diego. As conhecidas São Francisco, São José e a capital Sacramento ficam ao norte. Em termos de extensão territorial a Califórnia perde apenas para o Texas e o Alasca. 

O estado tem ainda o maior centro industrial dos Estados Unidos. É ali que está o famoso Vale do Silício, uma região onde grandes empresas de alta tecnologia criaram raízes. A Califórnia é chamada também de Golden State. A tradução ao pé da letra quer dizer "Estado Dourado". O que deu origem ao apelido é incerto. Algumas teorias acreditam que seja por causa da imensa quantidade de ouro que existia naquelas terras no século 19. Outros imaginam que a relva nativa que fica dourada na estação seca seja a explicação. A terceira hipótese está no clima, quente e ensolarado durante a maior parte do ano. Seja lá qual for o verdadeiro motivo os dois últimos podem contribuir em muito para as queimadas. 

 

O "Estado Dourado" que arte todo ano

 

Os grandes incêndios já não são uma novidade na Califórnia. Em agosto, o Parque Nacional de Mendocino foi atingido em cheio. Nada menos do que 75 casas foram queimadas em uma área de mais de 114 mil hectares. 

 

Porque os incêndios na Califórnia são tão frequentesIncêndio no Parque Nacional de Mendocino

 

Mas o incêndio de agora não tem precedentes por causa da destruição que segue batendo recordes e, principalmente, pela quantidade de mortes. Nunca na história americana se registrou tantos óbitos em uma temporada de fogo. 

As labaredas ardem há mais de uma semana. Nem o intenso combate às chamas, que mobilizou 4 mil policiais, conseguiram conter dois grandes focos que ainda existem. 

O Woolsey Fire está ao sul, nos arredores de Los Angeles. Centenas de casas foram consumidas pelas brasas. A cantora Miley Cyrus e o ator Gerard Butler estão entre as vítimas que perderam seus imóveis nessa região. O governo orientou a evacuação de centenas de milhares de pessoas em Malibu.

Ao norte, o Camp Fire já destruiu mais de oito mil moradias. A cidade mais afetada foi a pequena Paradise. Calcula-se que 56 mil hectares foram devorados pelas chamas. 

Segundo a agência de notícias Reuters, nos últimos dois anos a Califórnia vem sendo vítima das piores temporadas de incêndios. Mas o que faz o estado sempre arder em chamas? 

 

O que provocou o maior incêndio da história

 

As causas do que pode ter provocado o atual incêndio ainda estão sendo investigadas. Uma vertente imputa falhas nas linhas de duas empresas de geração e transmissão de energia. A maior companhia provedora de gás e eletricidade do estado, a Pacific Gas & Electric Co, seria a grande culpada. 

Mas a versão que tem ganhado mais força responsabiliza a intervenção humana e as mudanças climáticas pela recente onda de fogo incontrolável. 

Para a holandesa Cathelijne Stoof, especialista em incêndios, a vegetação da Califórnia está muito seca devido à falta de chuva. "Normalmente, nesta altura do ano as chuvas já deviam ter chegado. Mas não chegaram", revela Stoof.

Há muito não se via uma seca tão prolongada no oeste dos Estados Unidos e outros três fatores associados podem ter contribuído para as queimadas: clima quente, baixa umidade do ar e ventos fortes. 

É aqui que entra um grande vilão nessa história. No outono americano dois ventos são muito frequentes no estado, chamados de Santa Ana e Diablo. Esses fenômenos naturais ajudam diretamente na propagação do fogo. "Se temos uma paisagem muito seca e ventos muito fortes, a única coisa que é necessária (para começar um incêndio) é uma ignição", explica Cathelijne Stoof. 

Ou seja, a falta de chuvas, vegetação seca e ventos fortes formaram uma combinação perfeita para a propagação. 

Filipe Duarte Santos, um português estudioso do assunto, lembra ainda que "se o incêndio não for controlado nos primeiros momentos atinge temperaturas muito elevadas e se os ventos forem muito fortes é extremamente difícil apagá-lo".

Outro inimigo voraz são as fagulhas. Os especialistas explicam que os pequenos pedaços de matéria em combustão são levados pelo vento e propagam o incêndio. "É como se estivesse a chover fogo", ilustra Cathelijne Stoof.

As casas acabam sendo as mais atingidas nesse caso. A maioria foi construída em meio a vegetações e sem a preocupação com o uso de materiais resistentes ao fogo ou inflamáveis. Os moradores também são pessoas consideradas despreparadas para enfrentar situações adversas.

 

Fenômeno de migração para longe das metrópoles

 

Uma fatia considerável da população da Califórnia tem fugido dos grandes centros urbanos e buscado abrigo em lugares mais tranquilos perto de zonas florestais. Boa parte desses moradores é formada por pessoas mais velhas. Segundo a empresa de avaliação de risco Verisk Analytics, em 2017, existiam cerca de 4,5 milhões de casas nos Estados Unidos em áreas de elevado risco de incêndio. Mais de duas milhões erguidas na Califórnia. 

A pequena Paradise é um bom exemplo. O lugar sossegado, localizado no condado de Butte, aos pés da Sierra Nevada, tem um clima seco e ensolarado, o que atraiu muitos aposentados nos últimos 50 anos. Quando o fogaréu começou por lá, em poucas horas 90% de seu comércio e residências foram pulverizados pelas chamas. Sete mil construções viraram cinzas. Na lista dos desaparecidos a maioria tem mais de 60 anos. Segundo relatos dos policiais, boa parte morreu dentro de carros tentando escapar do fogo. 

 

Porque os incêndios na Califórnia são tão frequentes 

 

Malibu, um paraíso ameaçado

 

A cidade de Malibu, conhecida pelas belas mansões e endereço de gente famosa, também foi rodeada por chamas. O que agravou o problema nessa região é o fenômeno conhecido por “Ventos de Santa Mônica". 

O sopro seco parte das montanhas e áreas desertas em direção ao mar. Ao passar por Los Angeles fica ainda mais forte. Uma mega operação de evacuação precisou ser montada, já que mais de 80 mil propriedades corriam risco. 

O incêndio de 2018, que é considerado o maior da história do estado, abalou também os recursos financeiros da Califórnia. Milhões de dólares foram queimados no combate as labaredas e ninguém se arrisca a dizer mais quanto esforço e dinheiro ainda serão necessários para controlar os focos. Por enquanto, a única previsão é a de que os ventos fortes devem continuar até quarta-feira. 

 

Porque os incêndios na Califórnia são tão frequentes

 

 

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Danilo Sá

Danilo Sá

Boa matéria.
★★★★☆DIA 20.11.18 11h18RESPONDER
Guilherme Mendes
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Guilherme Mendes

Guilherme Mendes

Danilo, obrigado pelo prestígio ao blog e ao elogio. Volte sempre. Abraço

★★★★★DIA 20.11.18 13h20RESPONDER
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Douglas Oliveira

Douglas Oliveira

Vc poderiam colocar a opção de compartilhar as matérias por whatsapp ou Facebook. Abraço!!
★★★★★DIA 20.11.18 00h05RESPONDER
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Guilherme Mendes

Guilherme Mendes

Douglas, bom dia! Todas as matérias são postadas na página do Fala GM no Facebook. No caso do WhastApp, você pode copiar o link e repassar para seus contatos, caso queira. Seria um prazer. Obrigado mais uma vez. Grande abraço

★★★★★DIA 20.11.18 13h22RESPONDER
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Douglas Oliveira

Douglas Oliveira

Muito boa matéria!!!
★★★★★DIA 19.11.18 23h50RESPONDER
Guilherme Mendes
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Guilherme Mendes

Guilherme Mendes

Obrigado, Douglas. Infelizmente, a toda hora cresce o número de vítimas. Venha sempre nos visitar no blog. Abraço 

★★★★★DIA 20.11.18 00h01RESPONDER
Douglas Oliveira
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