O júri deu a pena mínima para as leis americanas. A condenação poderia ter sido bem maior
Professora acusada de manter relação sexual com aluno pega 20 anos de cadeia

O caso teve grande repercussão nos Estados Unidos. Uma professora do sexto ano da Escola Las Brisas Academy, de Goodyear, no Arizona, manteve uma relação sexual com um aluno de 13 anos durante meses. No colégio muita gente sabia. Até a diretoria foi avisada, mas só quando a mãe do menino tomou conhecimento da situação é que a história se tornou um escândalo.

Brittany Zamora tinha 27 anos. O menino, que por motivos óbvios não teve a identidade revelada, aqui vamos chama-lo de John.

O caso deles começou no início de 2018, mais precisamente no dia 1º de fevereiro. A professora teria dito para os alunos que não estaria na escola, e que eles enviassem mensagens para ela não ficar entediada em casa. Foi John que puxou conversa através de uma sala de bate-papo da plataforma chamada Class Craft.

O papo rendeu. Em um determinado momento, ela teria perguntado se o garoto era circuncidado e mostrou fotos de órgão masculino para o John. Depois Zamora disse: "... você é tão fofo, menino" e "eu te amo".

Dali para frente tudo foi rápido.

A partir daquele dia, Zamora passou a se comunicar frequentemente com o aluno fora da escola através de aplicativos.

Os dois primeiros encontros ocorreram nos dias 16 e 17 de fevereiro. Brittany ainda foi atrás do menino outras duas vezes.

Nos quatro momentos em que estiveram juntos, apenas em um teria acontecido uma relação sexual completa. Nas outros três, segundo relatos da polícia, houve apenas sexo oral.

Os encontros aconteceram no carro da professora, na casa dela, em uma sala do próprio colégio e no campus da escola.

Nas mensagens que trocavam por aplicativos de conversas ou pela rede social Instagram, Brittany se dizia cada vez mais apaixonada. "Eu quero você mais sexy comigo todos os dias, sem limite de tempo", escreveu.

John correspondia. Depois de um dos encontros, ele mandou uma mensagem pedindo para dormir com a professora novamente.

Zamora respondeu: "Se eu pudesse deixar meu trabalho e [fazer sexo] o dia todo, eu o faria."

Brittany também mandou várias fotos sensuais para o menor. Em algumas ela aparece nua ou de lingerie.

Em pouco tempo o caso do aluno com a professora correu pela sala de aula. De acordo com pelo menos três relatos feitos ao diretor da escola, Timothy Dickey, os colegas de John achavam que eles estavam namorando.

Um dos estudantes disse para Dickey: "Todo mundo fala que eles têm um relacionamento inadequado fora da sala de aula e no recreio".

"Eu ouvi crianças da minha turma dizerem que acham que estão namorando", contou outro menino.

A direção não levou muito a sério as conversas de corredores, imaginando que se tratava apenas de uma invenção dos garotos. Timothy chegou a fazer uma palestra para os estudantes sobre "os perigos dos rumores e das fofocas".

O affair da professora com seu aluno preferido terminou quando os pais do menino encontraram as conversas íntimas dos dois no celular do filho. Isso foi no dia 22 de março.

Revoltada, a mãe de John ligou para Zamora. Na conversa, a professora se desculpou e disse que pediria demissão da escola se a família não levasse o caso adiante. Com receio de que a ligação estivesse sendo gravada, Brittany ainda sugeriu se encontrar com os pais de John para se explicar pessoalmente.

Em um determinado ponto da conversa ela disse: "Eu não quero falar agora coisas que ficarão registradas, e isso pode me levar ao tribunal e me mandar para a prisão pelo resto da minha vida".

O marido da professora também ligou para os pais do garoto. Daniel implorou para que eles não fossem à polícia, mesmo reconhecendo que sua esposa havia "cometido um grande erro".

Não teve jeito. A família primeiro procurou a direção da escola e depois fez uma denúncia à polícia do Condado de Maricopa. Zamora acabou presa. Como não pagou uma fiança de US$ 250 mil, ela foi levada para cadeia da Quarta Avenida sob acusação de abuso sexual de uma criança.


O começo das investigações


As investigações começaram imediatamente e duraram menos de nove meses. No dia 14 de dezembro a polícia revelou tudo o que foi apurado.

Entre os meses de fevereiro e março, quando aconteceram os quatro encontros, o que mais deixou as autoridades perplexas foi o da sala de aula.

Nesse dia, a professora fez sexo oral com John enquanto um outro aluno, de apenas 11 anos, tomava conta da porta para ninguém entrar.

Aos policiais, o menino que permaneceu de guarda confirmou a história e disse: "Eu fui uma das testemunhas".

Ainda na Las Brisas Academy ocorreram mais dois episódios. Depois de um show de talentos dos alunos no campus da escola, John e Brittany tiveram mais um momento íntimo.

O outro foi durante uma aula. Enquanto a turma assistia a um vídeo, professora e aluno se "tocaram sexualmente", segundo consta na investigação.

"Uma das pessoas viu Zamora e meu amigo se tocando", contou uma testemunha.

Ela ainda acrescentou: "É estranho como uma garota de 27 anos pode amar um garoto de 13 anos e fazer coisas".

"É uma loucura. Ela não é uma boa pessoa", completou.

O assédio permaneceu. A professora foi uma noite até a casa dos avós do garoto. John saiu escondido. "Eles fizeram sexo dentro do carro, enquanto o marido dela estava pescando", relataram documentos judiciais.


Outras vítimas


As revelações não pararam por aí. Em busca de novos fatos, a polícia continuou a interrogar pessoas que tivessem presenciado algo ou soubessem de histórias envolvendo a professora.

Um estudante relatou que Zamora era muito próxima das crianças de sua classe, e que ela frequentou competições de canto e jogos de futebol dos alunos fora da escola.

A mãe de um amigo de John disse à polícia que a professora prometeu enviar ao filho fotos nuas durante o verão.

O relatório policial concluiu que Zamora também tinha um comportamento inapropriado com outras crianças da escola.

A casa caiu. Os pais de John decidiram processar a professora e o colégio, alegando que o Las Brisas Academy e as autoridades escolares não fizeram o suficiente para proteger o filho deles.

A indenização seria de US$ 2,5 milhões por danos, de acordo com uma ação civil aberta em janeiro.

No mês passado, Zamora fez um acordo sobre as denúncias que pairam sobre ela para ir a julgamento. De um total de 15 acusações, oito eram de má conduta sexual com um menor.

A ré se declarou ainda culpada de abuso sexual de uma criança e indecência sexual pública.

O Tribunal Superior do Condado de Maricopa se reuniu na semana passada para dar o veredito. Os promotores disseram que Zamora iniciou um relacionamento sexual ilícito com um de seus alunos do sexo masculino. Se não bastasse, ainda usou outro menino para que vigiasse enquanto ela e a vítima praticavam atividade sexual em uma sala de aula.

Ao ser ouvida no Tribunal, a professora se defendeu. "Sou uma pessoa boa e genuína que cometeu um erro e lamento profundamente".

Zamora tentou impressionar lembrando que já prestou serviços importantes a comunidade. "Eu comecei a dar aula, enquanto ensinava a parar com bullying. Ensinei meninas sobre nutrição e fitness. Ajudei famílias necessitadas a criar captação de recursos para tratar autismo", disse ao pedir indulgência a corte.

"Eu preenchia mais de 25 carteiras com material escolar todos os anos, e até mesmo ganhei o prêmio de professor do ano em 2016. Eu vivi a minha vida respeitando e tentando obedecer a todas as leis. Eu não sou uma ameaça à sociedade".

Ela insistiu que nunca quis ferir ninguém, que estava envergonhada e com remorso pelo que aconteceu. Depois pediu desculpas a vítima e a família de John.

Zamora ainda culpou a mídia e disse que foi a imprensa que a desenhou como um "monstro".

A pena para casos de assédio sexual no Arizona variam de 20 a 30 anos. A promotora Lacey Fisher e a família do menino pediram a condenação máxima, mas a juíza Sherry Stephens definiu em duas décadas o tempo que Zamora vai passar na cadeia. A condenada prometeu aproveitar esse período para tirar um novo diploma e mudar de profissão quando deixar a prisão.

O processo contra a escola ainda está em andamento.


A repercussão do julgamento


Poucos minutos após ser lida a sentença, a advogada de Brittany Zamora deu uma entrevista coletiva para contestar a condenação.

Belen Olmedo Guerra começou afirmando que não havia vítima na história. "Isso não foi entre uma criança e a professora. Ele era um adolescente", lembrando que o aluno tinha 13 anos.

Guerra também acusou o diretor da escola, Timothy Dickey, de ignorar os pedidos de Brittany para levar o garoto para outra classe, porque o menino tinha "problemas de fronteira" e estava "obcecado" com sua professora.

Para a procuradoria, que considerou a sentença uma derrota, e para a família de John não há dúvida do comportamento doloso da educadora. "Zamora atraiu esse garoto, ganhou sua confiança e depois tirou vantagem dele para suprir seus desejos sexuais", disse a mãe.

"Ela é uma pedófila como qualquer outra e não seria diferente se ela fosse um homem", completou.

"Ele (filho) pode nunca ser o mesmo. Ele perdeu a confiança em si. Ele perdeu a confiança naqueles ao seu redor, aqueles em quem ele deveria confiar - seus professores. Mas ele tem todo o amor e apoio de sua família e, juntos, vamos ajudá-lo de todas as maneiras possíveis para garantir o futuro", completou.

A imprensa americana também achou que a pena deveria ter sido a máxima. "Zamora se fez de vítima e colocou a juíza em uma posição difícil", escreveu Laurie Roberts, colunista do Arizona Central.


Quem é a professora


Zamora nasceu em 1991, no estado do Arizona, e começou a namorar com 16 anos. O casamento dela ocorreu em 2015. No ano seguinte Brittany se formou na Arizona State University e recebeu o certificado para dar aula no ensino fundamental K-8 e imersão em inglês estruturado.

O primeiro emprego como professora foi na Littleton Elementary School, em Avondale. Zamora foi premiada como "Professora do Ano" em 2016.

Mudou de escola a convite do diretor Timothy Dickey. Em 2017, ela passou a lecionar na Las Brisas Academy.

Durante todo o processo, o marido sempre esteve ao lado dela, fazendo a defesa da mulher enquanto a professora estava na prisão. Certa vez, Daniel, que trabalha como tatuador, disse aos policiais: "Brittany é uma adulta. Ela é a melhor pessoa que já conheci".

Não está claro se eles ainda estão juntos.

Enquanto estava presa aguardando o julgamento, a professora chegou a ser ameaçada por outras detentas. As imagens da prisão mostraram Zamora em pânico por ter sido atacada na cadeia.

Ela disse para os policiais: "Eu sou pequena. Elas vão me despedaçar".

 

Professora acusada de abusar sexualmente de aluno pega 20 anos de cadeia


Outros casos nos Estados Unidos


Se você acha que o caso de Brittany Zamora é uma história única nos Estados Unidos, saiba que existem pelo menos mais uma dúzia de denúncias parecidas com a dela.

A professora Dori Myers, que dava aula no Bronx, foi acusada de fazer sexo oral com um adolescente de 14 anos. O crime de Myers, que supostamente aconteceu várias vezes, foi descoberto por outro professor. A pena dela foi dez anos de liberdade vigiada, podendo continuar trabalhando.

Cassandra White, professora de inglês em Oklahoma, tirou uma licença de casamento com um adolescente. O garoto tinha apenas 16 anos e precisava da autorização dos pais, que concederam. Mas a professora se tornou suspeita depois de pedir demissão da escola. Ao fazer uma investigação, os policiais concluíram que ela já mantinha relação com o garoto há pelo menos duas semanas, e que ele era vítima de agressão sexual. Sob a lei de Oklahoma, um professor pode ser acusado de estupro se tiver um relacionamento sexual com um aluno com menos 18 anos e que esteja matriculado no mesmo sistema escolar.

Cassandra White também solicitou uma licença de casamento com um estudante, que na época tinha 16 anos. O pedido no condado de Cleveland foi retirado pouco depois pelo tribunal. White passará os próximos 10 anos em liberdade vigiada e teve que entregar a licença de ensino. Ela tem que ser submetida ainda a um tratamento psicológico e dedicar 200 horas ao serviço comunitário.

Hunter Day, outra professora de Oklahoma, foi acusada de enviar fotos nuas para um aluno. Em novembro de 2017, autoridades do Departamento de Polícia do Condado do Canadá prenderam Hunter. A investigação começou depois que os policiais receberam uma queixa dos pais que disseram que a professora de química estava tendo contato inadequado com o filho. A audiência dela foi no dia 14 de junho e a sentença ainda está sendo aguardada. A condenação por estupro no segundo grau é de no mínimo 1 ano e no máximo 15 anos.

 

Professora acusada de manter relação sexual com aluno pega 20 anos de cadeiaHunter Day

 

Lindsey Banta Jarvis está atualmente cumprindo uma sentença de 18 meses de prisão depois que ela se declarou culpada de acusações de estupro em terceiro grau nos condados de Fayette e Woodford. A vítima era um estudante de 15 anos.

Entre outros casos recentes, Loryn Barclay, uma ex-professora substituta de uma escola de ensino médio do Missouri, foi acusada de ter contato sexual várias vezes com um garoto de 17 anos.

Shawnetta Reece, professora de ginástica da Geórgia, foi acusada de ter um relacionamento inadequado com um garoto de 15 anos.

Tracy Miller, professora da Virgínia Ocidental, foi acusada de enviar fotos de nudez para os alunos.

Nataly Lopez, uma ex-professora substituta de 27 anos de uma escola de Nova Jersey, foi acusada de ter contato sexual com um estudante.

Laura Ramos é uma professora de ensino médio de Connecticut, de 31 anos, acusada de fazer sexo com um estudante de educação especial.

Tiffany Geliga, uma ex-professora de química, foi condenada a 5 anos e meio de prisão, depois de ser acusada de agressão sexual a um estudante de 17 anos. Ela já completou três anos na cadeia e recebeu liberdade condicional, mas teve que entregar a licença de ensino.

 

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