A vítima foi uma escrava sexual que se tornou garota de programa ao cair no golpe de que seria uma modelo famosa no Japão
Prostituta esconde dinheiro dentro do corpo e tem a vagina queimada com cigarro

A cilada já é antiga, mas tem sempre mulheres acreditando no conto de fada dos bandidos. A promessa começa com a chance de alcançar uma carreira de estrela e ganhar muito dinheiro. Mas quando elas chegam no país percebem que, na verdade, foram enganadas e venderam a alma literalmente para o diabo. Pior é que as jovens são controladas 24 horas. O dinheiro delas também. Quem se atreve a desobedecer paga caro, às vezes com a própria vida. 

O mais recente recrutamento de escravas sexuais que se tornou público foi narrado pela BBC. O site foi até o Japão conhecer a caixa preta desse negócio horripilante. Uma das vítimas dos gângsters foi uma colombiana que hoje combate os mafiosos.

Marcela Loaiza conta dezenas de casos de lindas garotas que se iludiram com a promessa de vida de princesa, inclusive ela.

O recrutamento tem sempre uma historinha parecida. O falso empresário é no fundo um agenciador de putas. Ele se apresenta contando que em outro país as meninas vão ganhar muito dinheiro como bailarinas ou modelo. Para chegar até esse “paraíso” o milagroso paga tudo: passagem, hospedagem, alimentação e ainda dá de presente um passaporte, normalmente falso.

Ao chegar na terra prometida é que elas descobrem na arapuca que caíram. O "trabalhinho" das mulheres não tem nada de glamouroso. A vida é dura, uma rotina em que são obrigadas a fazer programas e mais programas.

Mas por que elas se submetem a isso e não denunciam os criminosos? Porque a safadeza é muito bem organizada pela quadrilha. Primeiro todos os documentos são confiscados. Depois elas passam a ser vigiadas noite e dia pelos capatazes. E pior, são ameaçadas o tempo todo. Como o agenciador conhece os familiares das garotas que ficaram em seus países de origem, ele garante que vai executar um por um se elas não cumprirem as regras. 

A liberdade só é alcançada depois que a contratada paga um preço alto. Na conta dos mafiosos está incluído a passagem até o Japão, as despesas com a hospedagem delas, alimentação e documentos falsos. Tudo em valores que eles definem. 

O dinheiro do programa também é controlado pelos criminosos. Quando as meninas vão sair com um cliente, o pagamento é feito ao agenciador. Esse, por sua vez, repassa a GP apenas um percentual. Assim, a dívida delas só aumenta a cada dia com a cobrança de aluguel e comida. 

Quando as garotas recebem alguma gorjeta por fora, elas têm que entregar o dinheiro para o chefe do bando, caso contrário são penalizadas. Foi assim que a personagem dessa história se deu mal.

"Eles sempre pagavam no hotel ou no local onde nos levavam, mas às vezes nos davam gorjetas e até isso (os cafetões) tiravam de nós” explicou Marcela à BBC. 

Em uma revista, as meninas tiveram que ficar nuas em pé. O chefe do prostíbulo mandou que elas abrissem bem as pernas. Da vagina de uma das garotas acabou caindo uma camisinha cheia de notas. Como castigo ela teve a genital queimada com um cigarro.

"No dia seguinte, como se nada tivesse acontecido, forçaram ela a seguir trabalhando. Ela tinha uma cota a cumprir", contou a colombiana. "E ali começou uma lei: 'aquela que descobrirmos que esconde dinheiro terá suas genitais queimadas'. Eu não passei por isso, mas assisti. Nunca me atrevi (a esconder dinheiro) porque tinha muito medo."


Yakuza, a pior mafia japonesa

 

Os traficantes sexuais miram mulheres que tem belos corpos, são bonitas e normalmente já trabalham para ajudar as famílias. A lábia deles é cheia de promessas e galanteios. A certeza de um futuro com bastante dinheiro e carreiras bem-sucedidas tem convencido latino-americanas e muitas brasileiras. 

Marcela revelou como ela caiu no golpe. A loira trabalhava em uma casa noturna na cidade de Pereira, como professora de aula de dança e animando festas. Um homem se aproximou e lhe entregou um cartão, dizendo que ela tinha um enorme potencial para se dar bem como bailarina no exterior.

Marcela tinha apenas 21 anos e trabalhava também como caixa em uma loja. No começo a comerciária não deu a mínima importância para o convite, mas quando a filha dela de quatro anos adoeceu e teve que ser hospitalizada, a dançarina precisou parar de trabalhar para cuidar da menina. Foi aí que ela resolveu ligar para o "agente".

Pipo ofereceu dinheiro para Marcela e reforçou a proposta para a mulher se tornar uma bailarina famosa no país dele. Ao chegar ao Japão, já usando um passaporte com um nome falso de Kelly, ela foi recepcionada por outra colombiana e ficou sabendo que, na verdade, seu trabalho seria de "puta". 

O serviço era para pagar a imensa dívida que Marcela tinha contraído por conta de passaporte, passagem de avião, hospedagem, alimentação, transporte e o dinheiro que Pipo lhe havia adiantado.

Marcela ainda tentou explicar que havia alguma confusão e que chamaria a polícia, mas a mulher alertou para que ela não fizesse isso: "Pode chamar, mas não garantimos que você vai chegar a tempo para o enterro da sua filha".

Foi assim que em 1999, nas mãos da máfia Yakuza, começou o pesadelo de Marcela. Ela era obrigada a se prostituir em uma rua de Tóquio, sempre vigiada.

"Quando estava na rua, tinha certeza que era melhor fazer o que eles mandavam, porque eu via como eles drogavam as outras meninas (as que se rebelavam). Preferi suportar aquilo do que consumir drogas. Porque elas acabavam se viciando e pedindo para serem drogadas."

"Conheci uma mexicana, uma venezuelana, várias colombianas e peruanas, muitas russas e filipinas", lembra.

Durante 18 meses Kelly viveu um inferno. Além da exploração sexual diária, ela também sofreu com violência física ao apanhar dos mafiosos até ficar inconsciente. Certo dia Marcela presenciou a morte de uma prostituta colombiana a socos e golpes de cadeado, vítima de um grupo mafioso rival.

A sorte dela começou a mudar quando um cliente se encantou com a prostituta. Mesmo sendo obrigada a mudar constantemente de clubes de "striptease", seu fiel fã sempre a encontrava. 

Mas como Kelly não falava nada em japonês ela acabou criando uma forma de comunicação através de desenhos. Esse complicado diálogo entre o casal se arrastou por mais oito meses.  

Um dia Marcela fez um desenho de uma boneca chorando e setas apontando para o mapa da Colômbia. Foi assim que o plano de fuga dela deu certo. 

"Ele me ajudou, me deu dinheiro, me desenhou o mapa para chegar ao Consulado da Colômbia e me explicou quais ônibus tomar."

Se aproveitando do descuido dos homens que a vigiavam, Marcela conseguiu escapar e finalmente alcançou o endereço que tanto sonhou em Tóquio. 

Mas para trás ficaram brasileiras, mexicanas, peruanas e outras colombianas.  

 

Prostituta esconde dinheiro dentro do corpo e tem a vagina queimada com cigarroMarcela Loaiza

 

Segundo a ativista japonesa de direitos humanos Shihoko Fujiwara, fundadora da ONG Lighthouse, que combate o tráfico de pessoas no Japão desde 2004, os cafetões movem essas mulheres a cada dez dias, trocando o local de trabalho delas.

Nessas casas noturnas, os clientes pagam US$ 20 extras e "podem ter relações sexuais com as bailarinas".

"Eles recebem uma camisinha, uns lenços e têm dez minutos para fazer sexo. Esse tipo de serviço é padrão em clubes de stripers latinas", conta Fujiwara. 

O ato sexual é realizado em um pequeno cubículo, do tamanho de uma cabine telefônica.

Na última década, diante de várias denúncias, as autoridades japonesas ficaram mais rigorosas com o movimento migratório de mulheres que chegam ao país. 

Com receio de serem descobertas e sofrerem com as duras sanções, as gangues mudaram o foco na escolha das prostitutas. Agora são crianças e mulheres japonesas em situação de vulnerabilidade o grande alvo dos traficantes de pessoas.

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