Com quase duas semanas de atraso finalmente Haddad vai começar sua campanha pelo PT
PT: um partido que parece perdido

Em casa que falta pão, todo mundo grita e ninguém tem razão. O ditado popular é antigo, mas retrata bem a vida do maior partido brasileiro da última década. Finalmente, nessa terça-feira, o PT decidiu oficializar a candidatura de Fernando Haddad à Presidência da República no lugar de Lula. Não era isso que a legenda sonhou para essa eleição. O PT queria mesmo era tentar reassumir o poder com a volta do ex- Presidente Lula e, só depois de perceber que era em vão os esforços para que a candidatura dele fosse legitimada, o partido, enfim, jogou a toalha. Os processos contra Lula ainda continuarão sendo tratados nas esferas judiciais e serão motivo de muitos debates, o que não é o nosso caso agora.

O que merece uma reflexão é saber se a estratégia da cúpula do Partido dos Trabalhadores não seguiu por um viés que pode ter naufragado as chances de Haddad. Sem poder assumir a posição de cabeça da chapa, o agora candidato, perdeu preciosos 12 dias de propaganda em televisão e rádio e ainda deixou de participar de debates, entrevistas e sabatinas em telejornais e programas diversos.

Sem a certeza de quem seria o nome oficial do PT, os institutos de pesquisa também andaram batendo cabeça, afinal o que perguntar ao eleitor diante de tantos recursos impetrados pelo partido no TSE, STJ e STF pedindo a liberação da candidatura do ex presidente Lula.

Nos bastidores de Brasília circulou, nos últimos dias, a informação de que Haddad estava muito incomodado por não poder ir para o “front”de batalha como candidato oficial, o que é perfeitamente compreensível. Enquanto o PT relutava em abrir mão de Lula o seu ex vice sofria com uma espécie de descrédito dentro do próprio partido.

É inegável que a liderança de Luiz Inácio Lula da Silva faz muita falta ao PT. Foi ele um dos maiores idealizadores do partido e continua sendo seu grande articulista, mas, preso em Curitiba, está com as mãos atadas, enquanto a turma do lado de fora parece bater cabeça sem falar o mesmo idioma.

Nos últimos dias uma ala continuava defendendo a candidatura de Lula até o julgamento de todos os recursos para passar a imagem de injustiça com seu grande cacique. Outra turma, sem a mesma esperança, queria uma mudança de rumo já para que Fernando Haddad pudesse entrar logo em campo. E esse cabo de guerra pode ter custado caro.

Na pesquisa divulgada nessa terça-feira, Haddad aparece em quinto lugar com minguados 8 pontos percentuais, bem atrás do primeiro colocado, Jair Bolsonaro, que tem 26%. Ainda dá para o PT sonhar com o segundo turno, mas, daqui para frente, Fernando vai ter que fazer muito mais do que apenas campanha. Hoje, parece que só uma mágica leva o petista para a decisão na final do dia 28 de outubro caso essa disputa não se resolva com apenas uma rodada de votação.

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