A equipe de militares é uma das mais completas que se tem notícia. Inclui de bombeiros a paramédicos. A missão deles será muito mais ampla do que procurar sobreviventes. Os israelenses vão dizer se outras barragens em Minas podem se romper.

 

Não dá para pensar que se trata de salvadores da pátria. Já se passaram quase três dias desde o rompimento de Córrego do Feijão. A chance de se localizar pessoas atoladas na porcariada de lama com minério é quase nula, infelizmente. Mas afinal, quantas pessoas ficaram soterradas e quantas estão desaparecidas? Para encurtar essa angústia o Brasil fez um pedido de socorro inédito. Com a chegada dos militares israelenses, a esperança é a de que possa se abreviar a dor de centenas de famílias.

Os números são conflitantes. Existe uma mistura de falta de articulação no trabalho de contar todo tipo de pessoa (trabalhadores, moradores das proximidades e turistas) ao sensacionalismo.

É impressionante como a atração pelo estardalhaço das grandes tragédias move o ser humano.

Quem se recorda do acidente em Contagem em 1992, quando desabou uma barragem que ficava na encosta de uma comunidade chamada Vila Barraginha, vai se lembrar de que parecia o fim de um bairro inteiro. 
No local moravam muitas famílias e foi próximo a hora do almoço. Em poucos minutos o noticiário já anunciava a morte de cerca de 3 mil pessoas.

Mas a medida que as equipes de resgate foram trabalhando e fazendo a contagem criteriosa de todos que poderiam estar nas vielas e barracos, se chegou rapidamente a conclusão de que o número de vítimas era muito menor. Mais precisamente, 37 pessoas faleceram naquele episódio.

Em Mariana também se especulou que poderiam ter morrido centenas de moradores. Foram 19 no total.

Com certeza, em Brumadinho vai ser bem mais. Mas é preciso cautela para não se cometer exageros e depois ficar buscando constrangedoras correções.

Essa confusão toda tem um nome, chama espetacularização da notícia. Quanto mais dramática, mais trágica, quanto maior a ordem de grandeza, mais se vende jornal.

O certo é que em Brumadinho vamos ultrapassar em muito o número de vítimas de Mariana e da Vila Barraginha.

 

A alta tecnologia de Israel

 

O oferecimento de ajuda dos israelenses aconteceu durante uma visita que o ministro da Ciência e Tecnologia, Marcos Pontes, fazia ao país. 
O embaixador de Israel no Brasil, Yossi Shelley, era quem fazia as honras da casa recepcionando Pontes. Coube a ele dar ao ministro brasileiro a notícia do desastre em Minas Gerais. De imediato, Yossi colocou ainda a estrutura israelense à disposição.

A operação foi idealizada no decorrer do sábado. Foram convocados 136 militares, com 30 mulheres fazendo parte do grupo. Dos 106 homens, setenta são reservistas do grupo de Unidade Nacional de Busca e Resgate no Comando de Frente Interno de Israel.

Entre os militares estão técnicos, socorristas, médicos e paramédicos, engenheiros, bombeiros do serviço de Fogo e Resgate, soldados da unidade de missões submarinas da Marinha Israelense (YALTAM 707), além de cães farejadores altamente treinados para encontrar sobreviventes.

Todos são especializados em resgate durante catástrofes. O grupo ficará hospedado no 12º Batalhão de Infantaria e na 4ª Cia. da Polícia do Exército, no Barro Preto.

O Exército Brasileiro vai fornecer todo o apoio em transporte, alimentação e escolta.

Os cães farejadores terão assistência veterinária.

O grupo é liderado pelo comandante de Pesquisa Nacional e Resgate, coronel Golan Vach.

Um verdadeiro arsenal de equipamentos foi trazido para o Brasil. Ao todo são 16 toneladas de sonares, radares, material eletrônico e de escavação.

Nas discussões sobre o formato das operações, as equipes de resgate decidiram se concentrar na procura por sobreviventes.

Para isso, serão utilizados radares que fazem busca de celulares.

Os sonares são usados em submarinos para localizar pessoas em grandes profundidades, com alta qualidade de recepção de imagem e detectores de vozes e ecos.

Os equipamentos de imagens alcançam uma extensão de até 4 metros de profundidade na lama e analisam a variação de temperatura, para ajudar encontrar vítimas.

É a primeira vez que Israel envia uma equipe de resgate a outro país, após a criação do Grupo Consultivo Internacional de Pesquisa e Resgate (Insarag, na sigla em inglês), em novembro de 2018, de acordo com a Força de Defesa de Israel.

Reunidos com um mapa aberto da região enquanto traçavam o planejamento antes de embarcar e preparavam os últimos detalhes, a equipe postou a seguinte mensagem: "Salvar vidas não é sobre a distância e sim sobre o quão longe você está disposto a ir".

 

Quem são os israelenses que vão ajudar nas buscas em Brumadinho

 

A equipe trouxe também equipamentos de engenharia que serão usados para avaliar a situação das outras barragens do complexo da Vale em Brumadinho. O objetivo é verificar o risco das instalações e identificar se novas rupturas na região podem vir a acontecer.

Os trabalhos terão início na manhã de segunda-feira com o reconhecimento do local e o planejamento para as instalações dos equipamentos israelenses. A previsão é de que as atividades durem uma semana, podendo ser prolongadas caso necessário.

"Devemos permanecer no local ao longo da semana que vem, ou o tempo que for preciso", disse o embaixador Yossi Shelley.

As comunidades judaicas de São Paulo e do Rio de Janeiro também estão se mobilizando para enviar ajuda às vítimas da tragédia.

Funcionários da embaixada de Israel em Brasília foram deslocados para Minas Gerais para dar apoio logístico ao grupo.

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Maria Diniz

Maria Diniz

Nunca vi judeu humanitário
★★★★★DIA 31.01.19 22h08RESPONDER
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Guilherme Mendes

Guilherme Mendes

Maria, é preciso que o mundo todo seja mais humano, independente de nossas origens. Creio que a população precisa com urgência se repensar. Todos nós um dia iremos virar cinzas, independente do pedacinho de terra que nascemos. 

★★★★★DIA 31.01.19 22h39RESPONDER
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Nathan Kornnes

Nathan Kornnes

Israel não se dispôs ajudar porque ele é bonzinho, solidário com a desgraça alheia. Israel quer algo em troca dessa ajuda humanitária. Afinal, foi um brasileiro que foi voto Minerva quando da implantação do estado judeu. Eu sou judeu!
★★★★★DIA 29.01.19 12h58RESPONDER
Maria Diniz
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Guilherme Mendes

Guilherme Mendes

Nathan, o mundo vive de interesses. O que as pessoas do bem esperam é que as atitudes sejam voltadas para o lado humano. Não podemos esquecer que o necessitado de amanhã pode ser quem estende a mão hoje. Abraço

★★★★★DIA 29.01.19 13h33RESPONDER
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Roger Machado

Roger Machado

Boa tarde,
Muito obrigado. São especialistas com o mais alto conhecimento.

E aqui no Brasil se preocupam com pé de Neymar..

A diferença de um país de primeiro mundo para um de quarto
★★★★★DIA 28.01.19 15h57RESPONDER
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Guilherme Mendes

Guilherme Mendes

Roger, as pessoas muitas vezes têm dificuldade em compreender a dor dos outros. Elas só dão a devida dimensão quando acontece na própria pele. Todos são bem vindos nesse momento em que precisamos de ajuda e de muita solidariedade. Abraço 

★★★★★DIA 28.01.19 19h54RESPONDER
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Vinícius Messias

Vinícius Messias

É exatamente isso que me deixa profundamente chateado, triste e sem esperanças no Brasil: enquanto o Brasil e o mundo pagam 1 milhão de reais, euros, etc para um perna-de-pau jogar futebol, os bombeiros e outras profissões NOBRES, que efetivamente salvam vidas no país e no mundo, são pagos com merrecas de salários - quando são pagos...
★★★★★DIA 29.01.19 17h20RESPONDER
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Guilherme Mendes

Guilherme Mendes

E olha que nossos bombeiros não receberam nem o décimo terceiro. É uma vergonha em vários sentidos. Abraço

★★★★★DIA 29.01.19 20h15RESPONDER
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Clóvis Junior

Clóvis Junior

Nossos agradecimentos aos amigos judeus!
★★★★★DIA 28.01.19 14h23RESPONDER
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Guilherme Mendes

Guilherme Mendes

Clóvis, todos serão muito bem vindos nesse momento de imensa dor. A ajuda não precisa ser apenas física, presencial, a espiritual também ajudará muito no conforto das famílias. Obrigado por visitar o blog. Venha sempre. Abraço 

★★★★★DIA 28.01.19 19h58RESPONDER
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eneida costa

eneida costa

Solidariedade em meio a tanta dor! Maravilhoso.
★★★★★DIA 28.01.19 13h07RESPONDER
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Guilherme Mendes

Guilherme Mendes

Eneida, que os exemplos nos ajudem no crescimento e que as diferenças sejam deixadas de lado em um momento de tanta dor. Afinal, independente do país em que nascemos, das nossas crenças e etnias somos acima de tudo seres humanos. Abraço. 

★★★★★DIA 28.01.19 20h04RESPONDER
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ZEGERALDO BHZ

ZEGERALDO BHZ

QUEM EM NO FINAL DO ANO AUTORIZOU A EMPRESA VALE A MEXER NO REJEITO QUE ESTAVA ABANDONADO. OS FUNCIONÁRIOS JÁ TINHAM AVISADO A EMPRESA QUE O LOCAL ESTAVA COM PROBLEMAS, E AÍ? A ESTADA DO IDF-ISRAEL É MUITO IMPORTANTE, PARA MINAS E PARA O BRASIL, MAS NINGUÉM, NO MUNDO, SUPERA A EXPERTISE DOS BOMBEIROS MILITARES MINEIROS, POIS DESDE MARIANA, SÃO ESPECIALISTAS EM NADAR NO BARRO ATRÁS DE VIDAS E SEM EQUIPAMENTO DE PONTA, É NA MÃO MESMO, VÍTIMA A VÍTIMA.
★★★★★DIA 28.01.19 12h42RESPONDER
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Guilherme Mendes

Guilherme Mendes

Geraldo, a política e a força do poder financeiro sempre falaram muito alto Nesse país. É inconcebível o que aconteceu. Isso deveria ser tratado como caso de polícia. Abraço. 

★★★★★DIA 28.01.19 20h01RESPONDER
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ZEGERALDO BHZ

ZEGERALDO BHZ

Uma mulher que busca o filho desaparecido na tragédia de Brumadinho (MG) disse que o rapaz, funcionário de uma empresa terceirizada da Vale, já havia alertado há 20 dias que a barragem que rompeu nesta sexta-feira (25) estava vazando.

“Tem 20 dias que ele falou comigo, ele trabalhava em firma terceirizada: ‘Mãe, a barragem tá minando água’. Eu falei que era normal, porque eu não entendo”, disse a mulher, que não teve o nome revelado, em entrevista à TV Record nesta segunda-feira (28).

A mãe foi abordada pela reportagem da emissora enquanto buscava informações pelo rapaz, que foi visto pela última vez na própria sexta, durante a hora de almoço; A Vale informou sobre o acidente à Secretaria do Estado de Meio-Ambiente às 13h37.

“Meu filho tinha descido para almoçar. A última vez que o pessoal teve contato, ele estava dentro de uma caminhonete, ‘tampado de lama’ com mais duas pessoas”, disse à TV.
★★★★★DIA 29.01.19 13h23RESPONDER
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Guilherme Mendes

Guilherme Mendes

Geraldo, muito importante o seu relato. As investigações precisam ser impiedosas, doa em quem doer. Abraço.

★★★★★DIA 29.01.19 13h35RESPONDER
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