Estava em todos os sites na segunda-feira à tarde. O "generoso" político entendeu a vontade popular e renunciou ser novamente o presidente da casa e postou no Twitter pessoal dele
Difícil acreditar na palavra de Renan Calheiros

É engraçado como o tempo passa tão depressa e a gente acaba não prestando atenção em um monte de coisa. Parece que entra no nosso piloto automático. Se torna tão natural que as pessoas nem percebem que é do mesmo jeito há muitos anos. Você sabia que desde 2007 todos os presidentes do Senado foram do (P)MDB? Eu te confesso que meu cérebro já tinha me traído com essa estatística. E não é que o partido tá na fila de novo para se manter firme no exercício de ajudar o governo? Só que agora sem o alagoano Renan Calheiros. Pelo menos ele jurou isso ontem.  

  

       Renan Calheiros jurou que não quer ser candidato à presidência do Senado. Será que dá para acreditar?

A explicação para o (P)MDB ter-se mantido tanto tempo à frente do Congresso é óbvia. O partido tem a maior bancada em Brasília há tempos.

Também sabe se tornar parceiro de coirmãos com a maior habilidade. Trafega do extinto direitista PFL, ao tucanato do PSDB e comunga até com o esquerdismo do PT, sem mudar a cor do semblante.

Na capital federal eles chamam isso de jogo de cintura, habilidade política, defensores dos interesses da nação acima de ideologias... tem um punhado de teoria para explicar como é possível.

Só para a gente refrescar um pouco a memória, a sequência dos últimos presidentes da casa até hoje foi assim: Em 2001 foi Edison Lobão, do PFL. Depois veio Ramez Tabet, PMDB. O seguinte José Sarney, PMDB, sucedido por Renan Calheiros, também PMDB. Aí veio a quebra do bloco do centro. Do dia 14 de outubro de 2007 até 12 de dezembro do mesmo ano ocupou a cadeira o petista Tião Viana. Garibaldi Alves Filho, PMDB assumiu no mesmo dia que saiu Viana. Depois voltou Sarney, Renan em mais dois mandatos e por último Eunício Oliveira, claro, do agora MDB.

Daqui a há 11 dias tem nova eleição na casa para se escolher o presidente do Senado pelos próximos dois anos. Oito parlamentares já se prontificaram a ocupar o cargo. Entre eles, Renan. Se todos confirmarem suas intenções pessoais estaremos diante de um número recorde de postulantes desde a redemocratização.

Renan surgiu na política apadrinhado pelo ex-presidente Fernando Collor de Mello. No currículo dele constam um mandato como deputado estadual, dois como federal e três eleições para senador. Calheiros foi ainda ministro da justiça do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Isso mesmo que você acabou de ler, ministro da justiça de FHC.

Hoje Renan responde a 14 inquéritos no STF, sendo que em dois o emedebista foi denunciado por crimes, mas ainda não virou réu.

As investigações criminais são "referentes a possível prática de improbidade administrativa, corrupção passiva e lavagem de dinheiro".

Mas justiça seja feita, o senhor Calheiros já conseguiu se livrar de uma boa enrascada. Em 2007, quando era presidente do Senado, ele acabou renunciando depois de ser muito pressionado em meio a suspeitas de corrupção.

A mais séria era de receber propina da construtora Mendes Júnior, que pagaria as despesas pessoais da jornalista Mônica Veloso, com quem o político mantinha relacionamento extraconjugal. O dinheiro seria para bancar a pensão da filha com Veloso.

O caso deu o maior bafafá, mas no ano passado Renan foi julgado pelo Supremo Tribunal Federal e por 4 votos a 0, a Segunda Turma da Corte o absolveu da denúncia de peculato.

Mas não tem denúncia que abale a moral que Calheiros tem junto aos eleitores alagoanos. Em outubro ele foi eleito para o quarto mandato como senador e logo voltou a falar em ser o presidente da casa.

As articulações começaram cedo. Renan goza de grande prestígio junto à classe política de Brasília. O que ele não esperava é que o ministro do STF, Marco Aurélio Melo, desse uma daquelas canetadas do último dia de trabalho da Corte em 2018 e torna-se a votação para a escolha do presidente aberta. Ou seja, o painel do Senado tem que mostrar o voto de cada um de seus iminentes representantes.

Para piorar o que já estava péssimo, uma ação popular apresentada por um integrante do Movimento Brasil Livre (MBL), foi encaminhada ao STF sob a alegação de que "a possibilidade de o senador Renan Calheiros se candidatar ao cargo de Presidente do Senado e, eventualmente, ocupar a presidência do Congresso Nacional, atenta mortalmente contra a moralidade administrativa, as instituições democráticas, a Pátria e contra o povo dessa nação".

A justificativa se baseia no fato do senador ser alvo da Operação Lava Jato. Em nota distribuída à imprensa o movimento afirma que "o Brasil mudou e o Senado precisa mudar. Uma pessoa com o passado de Renan não pode comandar a casa que representa a federação dos Estados brasileiros. A possibilidade de o senador Renan Calheiros se candidatar ao cargo de Presidente do Senado e, eventualmente, ocupar a presidência do Congresso Nacional, atenta mortalmente contra a moralidade administrativa, as instituições democráticas, a Pátria e contra o povo dessa nação", diz a nota.

O texto acabou se espalhando pela internet com a hashtag #RenanNão.

A ação popular foi parar nas mãos do ministro Luiz Fux, que está de plantão no recesso do Supremo Tribunal Federal. Segundo o ministro, caberia à primeira instância analisar o caso e determinou o envio para a Justiça Federal de Brasília, mesmo que envolva parlamentares.

"Declino da competência desta Corte e, com fundamento no art. 64, § 3º, da mesma norma, determino a remessa dos autos à Justiça Federal, juízo competente para julgamento do feito", decidiu o ministro.

Fux não amenizou nos argumentos que falam em relevante instrumento de proteção da moralidade. "Em verdade, a possibilidade de proteger o patrimônio público, a moralidade administrativa e outros bens jurídicos metaindividuais decorre da própria noção de ‘república’, consistindo em importante mecanismo de democracia participativa".

Mas na segunda-feira, sem dar maiores justificativas, assessores do ministro Fux anunciaram que ele desistiu de enviar a ação contra Renan para a primeira instância, segundo o site Antagonista. O gabinete do Fux apenas alegou que houve um "equívoco" na decisão, sem explicar porque vossa excelência recuou.

Nem assim a turma do Movimento se deu por satisfeita. No final de semana os Movimentos Avança Brasil, Brasil, Curitiba Contra Corrupção, Nas Ruas, Patriotas, Rua Brasil, Vem Pra Rua, entre outros, realizaram cerca de 20 manifestações contra o retorno de Renan Calheiros à Presidência do Senado.

 

Renan Calheiros jurou que não quer ser candidato à presidência do Senado. Será que dá para acreditar?Renan em atução no Congresso ao lado de Rodrigo Maia e do ainda sendor Aécio Neves

 

Será só mais um joguinho político de acende fumaça aqui para desviar a atenção do foco do incêndio lá na frente?

Só para lembrar, entre todas as atribuições do Senado, o presidente da casa é o terceiro na linha sucessória a ocupar a Presidência da República no caso da ausência do vice e do presidente da Câmara dos Deputados.

A eleição para a presidência do Senado está marcada para 1º de fevereiro, mesmo dia em que os eleitos em outubro tomarão posse.

Dono da maior bancada do Senado, com 12 membros, o MDB pleiteia o direito de comandar de novo a presidência da Casa. A princípio, a sigla pode ter dois candidatos na corrida pela presidência do Senado.

Além de Renan, outro nome do partido que aparece como alternativa, é o da atual líder da legenda, Simone Tebet.

 

Renan Calheiros jurou que não quer ser candidato à presidência do Senado. Será que dá para acreditar?Simone Tebet,senadora presidenciável

 

Filha do ex-presidente do Senado Ramez Tebet, a parlamentar sul-mato-grossense conta com o apoio de senadores de outras legendas e também de ruralistas.

De acordo com a Secretaria-Geral do Senado, a Constituição e o regimento da Casa dizem que, na eleição da Mesa Diretora, será assegurado "tanto quanto possível a proporcionalidade".

Ou seja, "tradicionalmente, quem tem a maior bancada tem também a presidência, mas isso depende de uma votação".

Ainda segundo levantamento da ONG Transparência Brasil sobre os orçamentos da União, dos estados e municípios, o Senado é a Casa legislativa que tem o orçamento mais confortável por legislador: são R$ 2,7 bilhões anuais que correspondem a R$ 33,4 milhões para cada um dos 81 senadores. Quem gere quase toda essa grana é o presidente da casa.

Veja também

Olá, deixe seu comentário para Difícil acreditar na palavra de Renan Calheiros

Já temos 1 comentário(s). DEIXE O SEU :)
Wanderson Dias

Wanderson Dias

Com o (P)MDB não há "amarras ideológicas"!
★★★★★DIA 22.01.19 19h39RESPONDER
N/A
Enviando Comentário Fechar :/
Enviando Comentário Fechar :/