Canadense foi condenado à pena de morte na China por tráfico de drogas. Mas o primeiro ministro acha que a pena é uma retaliação pela prisão da rainha dos celulares da Huawei
Executiva chinesa da Huawei pode levar um canadense a ser executado

Em vários países asiáticos a lei é implacável com traficantes de drogas. Quem é flagrado tem uma boa chance de terminar executado. O canadense Robert Lloyd Schellenberg foi acusado de fazer parte de uma gangue que pretendia enviar 222 quilos de metanfetamina para a Austrália, disfarçadas em comprimidos de plástico escondidos em pneus. Os entorpecentes partiriam da China. O negócio deu errado e um monte foi parar na cadeia, entre eles Schellenberg. Era tudo o que os chineses queriam nesse momento de guerra diplomática com a turma da América do Norte.

Lloyd Schellenberg conta a seguinte história. Ele estava viajando por vários países. O roteiro dele tinha passeios por Laos, Mianmar, Malásia, Singapura, Tailândia e, por último, a China.

De acordo com a versão do canadense, ele começou a se dar mal quando foi apresentado por um amigo ao criminoso Xu Qing.

Qing o ajudaria como "tradutor". Schellenberg jura que não desconfiava de que, na verdade, seu assistente se tratava de um traficante internacional.

"Não sou traficante de drogas, vim à China apenas para fazer turismo", disse o acusado durante o processo, depois que foi preso.

Seja lá qual for a versão correta, os dois se deram mal. O carregamento foi descoberto e todo mundo acabou indo parar no xilindró. Robert foi preso na província de Liaoning, no nordeste do país, sob acusações de contrabando de drogas e tráfico em organizações internacionais.

O caso aconteceu em 2014. Robert Lloyd Schellenberg foi julgado e condenado há 15 anos em primeira instância, apesar de jurar inocência. Ele teria que pagar ainda uma muita de 150 mil ienes (€ 19 mil).

O condenado, com 36 anos, pode apelar da decisão da Corte.

O segundo julgamento foi marcado às pressas para a última segunda-feira, dia 14, no Tribunal Popular Intermediário de Dalian, na província de Liaoning. Os advogados tiveram apenas quatro dias para preparar a defesa.

O tribunal superior entendeu que a sentença anterior era leniente devido à gravidade dos crimes. A barra piorou.

Os promotores disseram que a sentença original de 15 anos tinha sido "indulgente demais", tendo em vista a gravidade dos fatos, e carregaram na acusação.

Em um julgamento que durou 12 horas, Robert Lloyd Schellenberg foi acusado de ter uma "participação importante" no seio de um grupo criminal responsável pelo tráfico de drogas.

"O tribunal rejeita totalmente as explicações e a defesa do acusado, porque elas não correspondem aos fatos", afirmou o juiz responsável pelo caso.

"Não satisfeito de disseminar drogas em um país, a organização criminosa se espalhou para além das fronteiras (…) Isso prejudica a saúde humana e a estabilidade dos países (...) Schellenberg, desempenhou um ‘papel-chave’ em uma gangue envolvida com tráfico de drogas", determinou o tribunal.

Em seu relato, o canadense explicou que um amigo lhe recomendou um tradutor turístico — um chinês nomeado Xu Qing — e que, depois, foi envolvido, sem saber, em uma rede internacional de tráfico de drogas.

"Esse negócio diz respeito a Xu Qing. É um traficante internacional de drogas e um mentiroso", declarou Schellenberg ao juiz.

Ainda de acordo com a denúncia, o cérebro da rede seria Khamla Wong, um outro canadense detido em 2016, na Tailândia, e suspeito de tráfico.

Schellenberg acabou condenado à pena de morte. O veredito foi lido em uma audiência com a presença de 70 pessoas.

 

Saiba como a executiva chinesa da Huawei pode levar um canadense a ser executado

 

Segundo um breve comunicado em seu site, o tribunal explicou que Schellenberg ainda tem o direito de apelar da sentença em um prazo de 10 dias.

A esperança é que o caso dele seja revisado por tribunais superiores antes que a sentença de morte seja cumprida, mas o processo de revisão pode se arrastar por anos.

Schellenberg seria o primeiro cidadão canadense executado pelo governo chinês, disse John Kamm, um ativista de San Francisco que trabalha para libertar prisioneiros políticos na China.

Kamm disse que a sentença de morte foi emitida "com pressa indevida e com base em evidências fracas e circunstanciais".

 

Fogo cruzado

 

O radicalismo para a condenação apressada de Robert Lloyd levaram as autoridades canadenses a acreditarem que tudo não passa de uma retaliação. Os chineses não se conformam com a prisão da diretora financeira da Huawei Technologies, Meng Wanzhou, no Canadá.

Meng era investigada pelos americanos por descumprir o pacto de sanções comerciais ao regime do Irã. Durante uma viagem ao Canadá, no dia 8 dezembro, a executiva foi detida no aeroporto de Vancouver, a pedido do governo dos Estados Unidos.

Washington acusa a Huawei de usar uma empresa fantasma em Hong Kong para vender equipamentos ao Irã, o que violaria sanção impostas pelos EUA. O governo americano também diz que Meng e a empresa chinesa enganaram os bancos sobre os negócios da Huawei em solo iraniano.

Quatro dias depois ele recebeu uma liberdade vigiada concedida pelo juiz canadense William Ehrcke, mas sem poder deixar o país e ainda pagando uma fiança no valor de 7,5 milhões de dólares.

Entre as condições aceitas por ela para ser liberada estão entregar seu passaporte e permanecer em Vancouver, ficar sob vigilância 24 horas e usar uma tornozeleira eletrônica.

Mesmo assim, o Ministério das Relações Exteriores da China pediu aos canadenses que liberassem imediatamente a diretora financeira da Huawei alertando que, caso contrário, enfrentariam consequências.

Uma nova audiência está marcada para o dia 6 de fevereiro.


Toma lá, dá cá

 

O governo chinês revidou logo a prisão da executiva e também deteve dois canadenses, aumentando a tensão entre os dois países. O ex-diplomata Michael Kovrig e o consultor de negócios Michael Spavor foram acusados de colocar em risco a segurança do Estado.

Mas a comunidade internacional viu as detenções como uma forma de retaliação da parte do governo chinês.

 

Reação canadense

 

Logo tomou conhecimento da decisão da justiça chinesa, o primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau, criticou a sentença. "Provoca preocupação para o nosso governo, como deveria ser para todos os nossos amigos e aliados internacionais, que a China tenha escolhido aplicar arbitrariamente a pena de morte", afirmou.

Os ataques aos orientais continuaram. Trudeau usou repetidamente termos como "arbitrário" e condenação "extremamente inquietante".

Familiares de Schellenberg também acusaram a China de usar o caso como uma barganha em seus esforços para libertar Meng Wanzhou.

 

Mais estrangeiros perderam a cabeça

 

Não foi a primeira vez que a Alta Corte Chinesa decretou pena de morte a estrangeiros por crimes ligados ao tráfico de drogas.

Em 2014, um japonês foi condenado à morte por infrações ligadas às drogas, segundo a imprensa e diplomatas do país vizinho.

A China também condenou que um traficante filipino fosse levado à morte, em 2013, ignorando o pedido de Manila para que poupasse sua vida.

O ministério canadense das Relações Exteriores declarou que acompanha o caso em detalhes e que pretende fornecer assistência consular a Rober Lloyd Schellenberd. "Está claro que os tribunais chineses não são independentes" porque "podem ser influenciados pelo Partido Comunista", declarou William Nee, da ONG Anistia Internacional.

O Ministério das Relações Exteriores da China rejeitou as acusações de que as motivações políticas estão conduzindo o tratamento dos presos canadenses, sustentando que seus casos foram tratados de acordo com a lei chinesa.

Ao ser questionado na sexta-feira em uma entrevista coletiva, um porta-voz da Chancelaria chinesa pediu que "não se politize questões judiciárias".

Com receio de novas ameaças a cidadãos canadenses, o país emitiu um alerta sobre a "aplicação arbitrária das leis locais" para quem tem viagem programada para a China.

Veja também

Olá, deixe seu comentário para Executiva chinesa da Huawei pode levar um canadense a ser executado

Já temos 4 comentário(s). DEIXE O SEU :)
Evandro andrade

Evandro andrade

Se fosse no Brasil esse cidadão seria considerado preso político e receberia R$ 30.000,00 por mês. kkk
★★★★★DIA 19.01.19 12h21RESPONDER
N/A
Enviando Comentário Fechar :/
Guilherme Mendes

Guilherme Mendes

Rs. Boa, Evandro! 

★★★★★DIA 19.01.19 12h29RESPONDER
N/A
Enviando Comentário Fechar :/
fernando fernand

fernando fernand

Faremos o seguinte: chineses moram so na China e deixar o resto do mundo em paz!!
★★★★★DIA 16.01.19 12h45RESPONDER
N/A
Enviando Comentário Fechar :/
Guilherme Mendes

Guilherme Mendes

Fernando, o mundo globalizado virou isso. Rs. Abraço.

★★★★★DIA 16.01.19 17h25RESPONDER
N/A
Enviando Comentário Fechar :/
Enviando Comentário Fechar :/