Cinco anos depois de sofrer um acidente enquanto esquiava, o piloto nunca mais foi visto em público
Schumacher completou 50 anos. Mas, afinal, que fim levou o alemão?

Era para ser uma diversão no estilo aventura. Schumacher esquiava nos Alpes Franceses quando sofreu uma queda e bateu com a cabeça em uma pedra. O alemão usava capacete, mas o impacto foi tão forte que o piloto sofreu uma grave lesão no cérebro. O socorro até que foi rápido, o que não evitou também que Schumi ficasse com sequelas. Isso é tudo o que se sabe de oficial até hoje. Desde que a família chegou ao hospital onde o heptacampeão era atendido, nunca mais o mundo teve certeza como vive o ídolo do automobilismo.

O acidente aconteceu às 11 horas e 7 minutos, do dia 29 de dezembro de 2013. Michael Schumacher descia esquiando pelos Alpes, em Méribel, quando sofreu uma queda.

Mas o que aconteceu para ele cair é a primeira de muitas perguntas sem respostas.

Segundo versões que foram narradas no dia do acidente, o piloto teria se afastado da pista original para ganhar velocidade na descida. A imprudência, ou o excesso de aventura de Schumi, pode ter sido determinante na queda.

A família de Michael nega veemente. Os Schumacher garantem que ele não desobedeceu às regras de segurança e seguia na área demarcada por bandeiras.

Uma câmera que estava acoplada ao capacete do esquiador pode ter gravado tudo, mas nunca as imagens foram exibidas.

Segundo a assessora de Schumacher, que não estava no local, ele teria desequilibrado ao bater em uma pedra. Na sequência foi lançado para o alto e quando caiu bateu a cabeça em outra rocha.

O jornal alemão Bild divulgou uma versão diferente. Schumi teria saído da área sinalizada para ajudar uma criança que tinha se acidentado quando levou o tombo.

O certo é que por algum motivo o piloto perdeu o controle sobre os esquis e sofreu um impacto violento. A pancada foi tão forte que nem a proteção do capacete impediu que Michael sofresse múltiplas lesões cerebrais.

Às pressas o piloto foi levado de helicóptero para o Hospital Universitário da cidade francesa de Grenoble. Começava outra corrida para o heptacampeão da Fórmula 1, a da sobrevivência.

 

Internações, cirurgias e muito mistério

 

Os seis meses seguintes foram de internação em Grenoble, com pouquíssimas informações sobre o estado de saúde de Michael. A decisão de não divulgar detalhes partiu da família.

O certo é que Schumi ficou um grande período em estado de coma. Quando a saúde estabilizou, o Kaiser foi levado inicialmente para uma clínica em Lausanne, na Suíça. Em setembro, finalmente ele foi para a casa em Gland, também no país suíço, às margens do lago Léman, entre Lausanne e Genebra.

Isso foi em junho de 2014. Dali para frente, o piloto passou a ter atendimento domiciliar. Enclausurado na própria residência, sem que nunca mais fosse feita uma foto ou filmagem autorizada pela esposa Corinna, a vida do maior vencedor das pistas de F-1 se tornou uma grande incógnita.

Tudo o que se divulga na imprensa carece de comprovação, já que a família não confirma nada.

Durante todo esse tempo, uma única vez os fãs e curiosos sobre a saúde de Schumacher estiveram perto de ver alguns registros.

Um funcionário de uma empresa de transporte aeromédico teria roubado alguns prontuários com relatos sobre Schumacher e oferecido a veículos de comunicação por 50 mil euros.

O ladrão acabou detido. Seria um homem com 54 anos, que trabalhava na empresa Rega, a mesma que fez a transferência do piloto de helicóptero da França para a Suíça. Mas, no dia seguinte, antes de prestar depoimento sobre o caso, o suspeito foi encontrado enforcado na cela que ocupava na prisão de Zurique.

O controle sobre as informações são fruto de uma rigorosa política de privacidade imposta por Corinna e executada pela fiel assessora de Michael. Sabine Kehm acompanha o piloto desde 1995, e hoje é a porta-voz do clã.

Para que os empregados que atendem ou convivem com Schumacher fiquem de boca fechada, eles recebem uma boa remuneração. O pagamento é proporcional a responsabilidade que cada um tem na casa.

Segundo especula-se (lembrando que nada é oficial), a equipe de especialistas que cuida do tratamento de Schumi custaria algo em torno de 200 mil euros mensais.

 

Poucos depoimentos de quem visitou

 

As visitas ao piloto seguem um rigoroso critério de permissão. Só com o consentimento de Corinna se pode entrar na mansão localizada dentro de uma fazenda.

O círculo de confiança estabelecido por ela se reduz aos parentes mais próximos e alguns poucos conhecidos. Além dos filhos Mick e Gina Maria, são vistos em Gland o pai Rolf, o irmão Ralph e Kai Schnapka, um personal trainer que acompanhou o alemão em sua última temporada na F-1. Kai é quem cuida da parte fisioterapêutica da recuperação.

Até pessoas que já foram muito próximas a Schumacher, como seu ex-empresário Willy Webber, agora estão impedidas de frequentar a mansão porque comentaram sobre como ficaram chocadas ao ver o corredor. "Já é hora da família de Schumacher contar a verdade", disse Willy.

Felipe Massa esteve na fazenda para reencontrar o amigo dos tempos de Ferrari. Saiu de lá sem dar muitos detalhes.

"Ele está em fase de recuperação. Lógico que o que ele teve foi um acidente muito grave e a gente sabe que quando as coisas não aparecem é porque não querem mostrar exatamente a realidade. O acidente foi muito grave e é uma tristeza pela pessoa que ele era e o tanto que ele arriscou na vida. Numa bobagem aconteceu isso. Agora é difícil responder exatamente como ele está, a situação perfeita. O tempo passa e não é fácil se recuperar de uma lesão como esta", contou Massa ao narrador Galvão Bueno.

Em novembro de 2018, o arcebispo alemão Georg Gänswein descreveu para revista alemã Bunte como foi a visita que fez ao mito do automobilismo em 2016.

"Sentei na frente dele, segurei às duas mãos e olhei para ele. Seu rosto é, como todos sabemos, o típico rosto de Michael Schumacher, só está um pouco mais cheio. Ele sente que pessoas amorosas estão ao seu redor, cuidando dele e, graças a Deus, afastando o público curioso demais. Uma pessoa doente precisa de discrição e compreensão", contou Gänswein.

Um grande amigo que tem contatos constantes com a família de Schumacher é o presidente da Federação Internacional de Automobilismo (FIA), Jean Todt.

Mas o ex-diretor da Ferrari é de poucas palavras toda vez que alguém pergunta sobre seu antigo pupilo. "É momento de deixar o Schumacher viver sua vida em paz", respondeu recentemente Todt ao jornal argentino La Nación.

Já o ex-presidente da Ferrari, Luca di Montezemolo, foi pessimista.

”Infelizmente, as notícias não são boas. A vida é mesmo muito estranha. Ele foi o piloto mais vencedor na Ferrari e teve apenas um acidente grave na carreira, em 1999, que foi culpa nossa e não dele. Infelizmente, um acidente de esqui arruinou sua vida", disse Montezemolo, aos jornais italianos, em 2016.

Nas poucas vezes em que atendeu a imprensa, Kehm sempre usou um tom sóbrio.

"O que aconteceu com ele é algo que, infelizmente, não podemos mudar. Só nos resta ter paciência e manter a esperança de que um dia ele estará de volta entre nós", afirmou a assessora.

Ao se aproximar a data de 50 anos de vida, Schumacher começou a receber várias homenagens. Recentemente, Corinna agradeceu ao cantor alemão Sascha Herchebach, que compôs uma música de apoio ao ex-piloto.

"Eu gostaria de agradecer sinceramente por sua mensagem e pelo belo presente que nos ajudará neste momento difícil. É bom receber tantos votos e outras palavras bem-intencionadas, é um grande apoio à nossa família. Todos sabemos que Michael é um lutador e não desistirá", escreveu Corinna.

Schumacher é o único piloto da história da Fórmula 1 a conquistar sete títulos mundiais. O recorde de vitórias também é dele: 91.

 

 

 

 

 

 

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