O movimento de insatisfação que tomou conta da França parou o país no final de semana. Centenas de pessoas foram presas
Se a moda do colete amarelo pegar no Brasil....

Não dá para dizer que esse é um movimento político. Muito longe disso. Os franceses estão há tempos insatisfeitos com o presidente Emmanuel Macron. A bronca deles é sobre vários pontos que afetam o bolso da população. Começou com a reclamação sobre o preço dos combustíveis. Hoje a pauta de reivindicações é bem maior. Atacado por todos os lados o presidente viu a popularidade dele despencar e, pior, não tem tido força para negociar nem se reunindo pessoalmente com líderes do movimento. Se a maré continuar subindo, o barco de Macron pode acabar virando. 

Os protestos começaram no dia 17 de novembro. Os franceses queriam incialmente se queixar do preço dos combustíveis. Em doze meses a gasolina subiu 23% nas bombas. A justificativa para as crescentes altas seria a variação do produto no mercado internacional e a cotação do dólar.

Isso tá te parecendo familiar, não é mesmo? E se você ficar sabendo que os franceses precisam pagar de 56% a 60% de impostos em cada litro? Dá até para perguntar se isso está acontecendo no Brasil ou na França, não é verdade?

Só que lá tem uma justificativa que vai além das necessidades econômicas do país. O governo está preocupado em reduzir o uso de combustíveis fósseis por razões ambientais e com o dinheiro dos impostos quer financiar projetos que encontrem alternativas que sejam ecologicamente mais saudáveis.

Mas a estratégia de Macron e companhia bateu de frente com os motoristas profissionais e com os caminhoneiros que partiram para protestos. Para simbolizar a campanha eles adotaram os coletes amarelos.

Se você quer saber que raio de colete é esse, saiba que se trata de um item de segurança que todos os carros em vários países da Europa precisam ter. Quando o automóvel para de funcionar por algum motivo mecânico o motorista precisa vestir o colete sinalizando a necessidade de ajuda.

Os primeiros "gilet jaunes" (coletes amarelos) do movimento francês são oriundos das zonas rurais e dos subúrbios. Eles se reuniram e partiram em direção aos grandes centros urbanos.

Outro meio de mobilização foi a rede social. A hashtag #giletjaune se espalhou pelas comunidades e tem ajudado a reunir uma multidão nos protestos.

No domingo passado, dia 25, eles já eram mais de oito mil na Champs Elysée, a mais charmosa avenida de Paris. A marcha terminou em choque com a polícia.

A cada dia mais pessoas tem aderido ao movimento. Da mesma forma que cresceu o número de manifestantes aumentou também a lista de reclamações contra Macron. Hoje existe um forte sentimento de insatisfação com o custo de vida. Os franceses pregam uma justiça fiscal, com a progressividade dos impostos. Eles falam também em reestatizar as autoestradas e aeroportos, defendem a proibição de privatizar as barragens, o fim do pagamento dos juros da dívida e melhoria dos salários.

 

Macron em queda livre

 

Em meio a essa turbulência, a popularidade de Macron despencou. Atualmente ele tem 68% de reprovação de seu governo. Para tentar reverter esse quadro o presidente saiu a campo encarando frente à frente a liderança do movimento. Na terça-feira ele se reuniu em Paris com alguns coletes amarelos. Macron saiu do encontro dizendo que é preciso ouvir o "alarme social", mas sem abrir mão do "alarme ambiental". A sugestão de Emmanuel é a de que os impostos sofram variação de acordo com a oscilação do preço internacional do petróleo.

Não deu muito certo. O primeiro final de semana de dezembro começou com muito mais gente nas ruas reclamando de Macron e de forma violenta com vandalismo. A capital assistiu a manifestações em vários bairros. Calcula-se que já eram trinta e seis mil pessoas no sábado protestando. A Polícia teve muito trabalho e usou cinco mil guardas para conter a multidão de insatisfeitos. Mesmo assim, carros foram queimados. Os arruaceiros que deixaram de lado o movimento antes pacífico, incendiaram prédios públicos e saquearam lojas. Nem o histórico Arco do Triunfo escapou de pichações. No fim do dia quase 300 pessoas haviam sido detidas. A prefeita de Paris usou o Twitter para mostrar a decepção dela: "Sinto uma profunda indignação e tristeza pela violência no coração de Paris, o que é inaceitável", postou Anne Hidalgo.

Os "gilet jaunes" podem ter sido ainda os precursores de rebeldias em outros países. Na Bélgica pelo menos cem pessoas foram as ruas na sexta-feira usando os coletes amarelos.

Nesse jogo a bola ainda está no controle do presidente. Mas a população já deu o primeiro cartão de advertência. Ou Macron segura a violência ou o próximo cartão não será mais da cor do coletes.

 

Se a moda do colete amarelo pegar no Brasil....

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j henrique

j henrique

gilet vert citron
★★★☆☆DIA 02.12.18 20h05RESPONDER
Guilherme Mendes
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Guilherme Mendes

Guilherme Mendes

O presidente Macron deve sentir pânico só de ver um colete desses de longe. O protesto é válido, o vandalismo desnecessário. Abraço, Henrique. 

★★★★★DIA 02.12.18 22h09RESPONDER
N/A
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