Shamima Begum continua penando pelas atitudes que tomou no passado
Terrorista inglesa que vive na Síria perde o terceiro bebê e o "passaporte" para voltar para casa

Aqui se faz, aqui se paga. O velho ditado popular faz muito sentido para se explicar o que tem acontecido com Shamima. A garota fugiu de casa com mais duas amigas quando tinha apenas 15 anos. Ela se meteu em uma aventura surreal de se alistar ao Estado Islâmico. Enquanto os terroristas estavam trucidando todos que apareciam pela frente, a inglesa nunca pensou em voltar para a casa. Mas, depois que as tropas americanas, europeias e sírias massacraram os guerrilheiros, ela decidiu pedir a proteção da família. Agora, quem não quer vê-la por perto são as autoridades britânicas. Sem ter como pisar no país onde nasceu, a inglesinha acaba de perder o terceiro filho.

Shamima Begum caiu em uma dessas armadilhas difíceis de pular fora. Em 2015, ela e mais duas amigas estudantes de Londres decidiram se alistar ao grupo extremista autodenominado Estado Islâmico.

Quem intermediou a ida do trio para a Síria foi uma mulher de nome Aqsa Mahmood, que morava em Glasgow, na Escócia. Segundo as investigações britânicas, todos os contatos entre elas foram através de "comunicações eletrônicas".

As alunas da Bethnal Green Academy, Shamina Begum e Amira Abase tinham 15 anos e Kadiza Sultana, 16 anos. Para comprar as passagens as meninas roubaram joias das famílias. Quando saíram de casa as três companheiras disseram aos pais que iriam passar o dia fora.

A caminhada delas até a Síria começou no dia 17 de fevereiro. O trio partiu da capital britânica em um voo da Turkish Airlines, que deixou o Aeroporto de Gatwick. O destino, Istambul, na Turquia.

Cruzar a fronteira com o território sírio foi o passo seguinte. O objetivo era chegar a Raqqa, uma cidade dominada pelo EI.

Sem saber onde as garotas estavam, as famílias das jovens pediram ajuda a polícia. As investigações levaram todos a Turquia, mas as três não foram encontradas. Na época, o Comissário da Polícia Metropolitana, Bernard Hogan-Howe, afirmou que se as moças retornassem imediatamente ao Reino Unido elas não enfrentariam acusações criminais.

Em março do mesmo ano, uma outra viagem de cinco meninas da Bethnal Green Academy foi impedida pelas autoridades. A suspeita era de que elas seguiriam o mesmo caminho de Shamima, Amira e Kadiza.


Uma de vida de terror sem arrependimento


Há pouco mais de quatro anos começava a nova vida das britânicas que se tornaram terroristas. Em Raqqa elas conheceram seus maridos.

Kadiza Sultana não teve muita sorte. Em maio de 2016, ela teria morrido em um bombardeio a uma casa onde "acontecia alguma coisa secreta" no porão, contou Shamima ao The Times. Segundo a família da vítima, os autores do ataque aéreo seriam russos.

Sultana se casou com um homem de origem somali, mas ele foi morto em uma batalha e ela pensou em voltar para casa. O advogado Tasnime Akunjee, conta que Kadiza ficou com muito medo de tentar escapar depois que outra garota, Samra Kesinovic, foi espancada até a morte quando fugiu.

O paradeiro de Amira Abase hoje é desconhecido. Ela se casou em julho de 2016 com um jihadista australiano de 18 anos, Abdullah Elmir, mas o marido morreu em um ataque aéreo efetuado por agências de inteligência australiana, que fazem parte de uma coalizão contra o EI.

Shamima Begum é a única que permanece casada. Dez dias depois de chegar à Síria a jovem já era esposa do holandês Yago Riedijk, de 27 anos. "Me candidatei a casar com um combatente falante de língua inglesa entre 20 e 25 anos", contou à imprensa .

Yago Riedijk nasceu em uma família de classe média de Arnhem, uma cidade de pouco mais de 140 mil habitantes, que fica na parte oriental da Holanda, e se converteu ao islamismo através da internet. Quando chegou a Síria, ele tinha 23 anos e diz que não esperava se casar com Begum porque ela era muito nova. Segundo contou à BBC, a insistência dela o convenceu.

Desde que o Estado Islâmico começou a tombar com a ofensiva das tropas que combatem o grupo radical, milhares de terroristas se entregaram nas últimas semanas. Especialistas calculam que cerca de 39 mil pessoas estejam atualmente em campos de refugiados. Entre elas, Shamima. O marido está detido em um campo de controle curdo.

Os dois fugiram recentemente do povoado de Baghuz, o último território controlado pelo grupo extremista no leste da Síria. O casal foi parar no campo de Al Hol, no nordeste do país. Eles se renderam a um grupo de combatentes sírios.

Begum planejava retornar para Londres. Quando se entregou ela estava grávida do terceiro filho. A primeira filha morreu com um ano e nove meses. O segundo filho morreu com oito meses, vítima de uma doença agravada pela desnutrição. A inglesa contou que chegou a levá-lo ao hospital. "Não havia medicamentos disponíveis e nem equipe médica suficiente", explicou.

Mas não vai ser nada fácil Shamina fazer o caminho de volta, principalmente depois de dar uma entrevista polêmica ao The Times.

No acampamento, ela contou ao jornalista Anthony Loyd como foi a experiência de viver os últimos 4 anos em meio a tanta violência e atrocidades.

Perguntada se a opção de se alistar ao Estado Islâmico tinha correspondido à expectativa dela, a refugiada falou com grande frieza: "Sim, correspondeu. Era como uma vida normal. A vida que eles mostram nos vídeos de propaganda, é uma vida normal. De vez em quando há bombas e outras coisas. Mas fora isso..."

A cada resposta, a jovem de apenas 19 anos parecia ainda mais congelada de emoções. Nem o impacto de ver a primeira cabeça decepada em uma lata de lixo a incomodou. "Era de um combatente capturado no campo de batalha, um inimigo do Islã. Eu só pensava no que ele poderia ter feito com uma mulher muçulmana se tivesse oportunidade", explicou.

Em meio as histórias que ía contando, uma delas deixou as autoridades britânicas com um pé atrás sobre as intenções de Begum. "Não sou a mesma garotinha boba de 15 anos que fugiu de Bethnal Green há quatro anos. Não me arrependo de ter vindo para cá", concluiu.

Essa declaração, provavelmente, deixou o governo inglês com uma pulga atrás da orelha. Poucos dias depois, Shamina teve a cidadania britânica cancelada. O motivo estaria ligado à segurança e ao receio do que os ex aliados do grupo jihadista poderiam fazer na Europa.

Em 2017, o Reino Unido foi palco de uma série de atentados reivindicados pelo Estado Islâmico.

A jovem bem que tentou ainda mudar o discurso nos últimos dias, acreditando que fosse sensibilizar a comunidade inglesa. "Eu acho que as pessoas deveriam ter compaixão por mim, por tudo que eu experimentei. Eu não sabia no que estava me metendo quando saí", falou antes da criança nascer.

Tudo em vão. Os apelos dela foram negados. A única concessão que Shamina conseguiu foi a remoção do bebê para Londres, onde ficaria sob os cuidados dos avós maternos. Ela não quis.

O terceiro bebê de Begum com o terrorista holandês veio ao mundo há duas semanas. Jarrah nasceu no acampamento de Al Hol. Era a maior esperança da inglesa de conseguir o perdão britânico. Mas na sexta-feira (08/03), uma fonte das tropas que combatem o grupo radical garantiu que o recém-nascido também morreu com uma infeção pulmonar.

A repercussão foi rápida. No dia seguinte, o governo inglês sofreu um bombardeio interno de críticas por não ter aceito Shamina de volta, antes de Jarrah nascer. O ministro do Interior da Grã-Bretanha, Sajid Javid, se tornou alvo de vários ataques pela posição intransigente que adotou. "A morte trágica do bebê de Shamima Begum, Jarrah, é uma mancha na consciência desse governo", disse Diane Abbott, líder do Partido Trabalhista da oposição.

O que dá a Sajid Javid o direito de barrar a volta de pessoas suspeitas ao país é o Ato de Nacionalidade Britânica de 1981, que prevê que um cidadão pode ser privado de sua cidadania se o ministro do Interior estiver convencido de que a medida é "propícia ao bem público".

Em entrevista à BBC, Yago Riedijk declarou que espera voltar à Holanda com Shamina para reconstruir a vida deles. "Hoje compreendo os privilégios com que vivia. O privilégio de viver lá como cidadão. E, claro, compreendo que muita gente tem problemas com o que eu fiz. Aceito a responsabilidade, cumprirei a minha sentença. Mas espero poder regressar a uma vida normal e criar uma família", disse o prisioneiro.


Outro caso nos Estados Unidos

 

Uma mulher do Alabama está enfrentando uma situação semelhante. O presidente Donald Trump disse que os Estados Unidos não permitirão que Hoda Muthana, de 24 anos, depois de ter se juntado ao Estado Islâmico retorne ao país. Ela também está morando com o filho em um campo de refugiados sírios. A americana alega que sofreu uma "lavagem cerebral" por parte do grupo extremista e agora quer voltar para casa.

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Helena Hindi

Helena Hindi

Eu também não dava mais chance. Não confio nesse povo.
★★★★★DIA 10.03.19 20h31RESPONDER
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ARAUJO ARAUJO

ARAUJO ARAUJO

QUE MORRAM !!!!
★★★★★DIA 10.03.19 16h11RESPONDER
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Alex Goncalves

Alex Goncalves

Acho que dá pra acomodar essas meninas no mesmo endereço do Lula não?
★★★★★DIA 10.03.19 13h36RESPONDER
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