Nesse domingo o Brasil pode ganhar a Copa América pela nona vez. Mas se der Peru, entenda que um tropeço significa apenas um revés no esporte

Quem ensina a lição é uma das cabeças mais brilhantes já produzidas pelo futebol brasileiro. Paulo César Fonseca do Nascimento, ou simplesmente Tinga, gravou essa semana uma mensagem sobre a final da Copa América. 

No vídeo, o "ministro", como é carinhosamente chamado pelos companheiros da bola, toca em um assunto que merece uma reflexão de toda a nação. Infelizmente, vivemos a cultura da cobrança extrema no futebol. Os infortúnios dos nossos times, normalmente, repercutem impacientemente entre os torcedores. 

Mas, por que não somos igualmente rigorosos com coisas muito mais importantes do nosso dia a dia? Por que não cobramos honestidade dos nossos políticos com a mesma severidade? Não exigimos o fim da corrupção, do suborno e da safadeza na administração pública?

Deveríamos, sim, ser implacáveis com o que afeta a nossa cidadania, e menos indiferentes ou benevolentes com o que apodrece a sociedade. 

Enfim, essa é outra discussão. O momento é apenas para lermos sobre o que Tinga tem a nos ensinar sobre o respeito aos profissionais do futebol. 

Com a palavra, o ministro: 

 

"Quando a gente fala de seleção, a gente fala de jogadores. A camisa sozinha não consegue jogar. Mesmo que ela tenha o maior respeito do mundo, por ser a camisa do Brasil, por ser a maior vencedora em termos de Copa, ela depende das pessoas. 

Eu tenho um respeito muito grande, um carinho e uma admiração com todos, jogadores e comissão técnica. 

Em todas as épocas, chegar em uma seleção brasileira é um objetivo muito difícil de alcançar.

Então, eu tenho esse respeito por eles, independente se forem campeões da Copa América ou não. 

Se eles não ganharem a Copa do Mundo, continuo admirando a todos, todos os funcionários que trabalham ali, em prol do futebol, porque sei o quanto isso é difícil. 

Primeiro porque a maioria dos nossos jogadores é respeitada no mundo todo e, de repetente, quando vem para o nosso país, a gente não dá o respeito como eles têm em todos os lugares. Na Inglaterra, na Alemanha, na Espanha, na Itália... Os 'caras' onde vão são respeitados. 

Eles vêm para o Brasil e nós críticamos os 'caras' de uma maneira até mais do que normal. Quando a gente olha a nossa seleção brasileira, às vezes misturamos com questões políticas, e descarregamos dentro da seleção brasileira. 

Os treinadores da seleção, tanto os de agora quanto os que passaram, em momento algum, foram Presidentes da República. Não é responsabilidade deles as coisas do país. Os jogadores também não são nenhum deputado, nenhum vereador, nada. São jogadores de futebol e os treinadores são treinadores. 

A gente faz uma pressão, uma cobrança na seleção que a gente não faz nos governantes, no nosso país. 

Eu gosto de falar muito desse tema, dessa forma, admirando os profissionais da seleção brasileira, e a única coisa que eu espero deles é que joguem bem e tentem ganhar. E isso eles fazem toda hora. 

Eu acredito que a seleção entra sempre para vencer, e quando não consegue é porque tem 11 homens que também querem ganhar do outro lado, que também tem méritos, e que lutam igualmente para vencer. 

A gente fala que no mundo dos negócios tudo evolui, no empreendedorismo, na inovação... os jogadores de outros países também evoluem. Os outros times, outros clubes adversários, estão buscando constantemente o aperfeiçoamento. 

Torço muito por todos os jogadores e pelos profissionais porque sei o quanto é difícil representar uma seleção tão grande quanto a do Brasil".

 
Tinga

 

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