O jogador deu uma entrevista para jornal britânico dizendo que já cometeu muitos erros
Você acreditou nas palavras de arrependimento do Neymar?

Foi uma surpresa para quem segue há pelo menos uma década a carreira do mais talentoso jogador brasileiro. Neymar nunca foi de assumir suas fraquezas. Nem ele, nem o estafe que o acompanha.

Toda botinada que o craque dava dentro e fora de campo, a estratégia era encontrar culpados. Assim, Neymar incorporou o papel de perseguido e vítima de conspirações.

Quem sempre estava por perto era o pai do jogador (ainda não está claro se ele também vai mudar de postura) e seus badalados "parças".

O senhor Neymar da Silva Santos, no intuito de tentar proteger o filho (atitude normal na relação familiar) muitas vezes errou na dose. Ao invés de mostrar o melhor caminho para o filho, preferia, publicamente, passar a mão na cabeça da estrela da seleção. Ou você se recorda de alguma situação em que o senhor Neymar tenha dito que seu primogênito famoso havia pisado na bola?

O fundo do poço para o genial jogador surgiu em uma sequência de fatos nos últimos meses. Desde o episódio com a modelo Najila Trindade (dessa vez, vítima verdadeira ou não), o craque se afundou. Na sequência, acabou cortado da seleção por causa de uma lesão no tornozelo e perdeu a chance de ser campeão da Copa América. Pior foi ter que frequentar delegacias como suspeito de ter cometido um crime enquanto seus companheiros de seleção davam a volta olímpica no Maracanã.

Naquela terrível fase da vida de qualquer ser humano em que um grande problema sempre vem acompanhado de outros, Neymar conheceu seu inferno. Primeiro ele recusou se reapresentar ao PSG. O jogador alegou compromissos assumidos anteriormente, e ficou uma semana longe dos treinos. Nesse meio tempo, o craque e seus empresários acreditavam piamente que aconteceria uma volta para o futebol espanhol.

Deu tudo errado. Nem Barcelona, nem Real Madrid chegaram a um acordo com os franceses. Não restou outra alternativa a não ser enfiar a viola no saco e voltar a se empenhar nos treinos em Paris. Enquanto aguardava a definição pelo futuro, nos primeiros dias, ele teve que trabalhar em separado, longe de seus colegas de time.

O estrago já estava do tamanho da fama do jogador. A torcida do PSG se sentiu desrespeitada por Neymar. No primeiro jogo, novamente no Parc des Princes, ele teve que engolir vaias, xingamentos e faixas de protestos. O ambiente só não foi mais hostil porque o craque fez um golaço na sofrida vitória do seu time por um a zero sobre o Strasbourg. O tento foi assinalado de voleio nos minutos de acréscimo.

No último final de semana, Neymar repetiu o feito em nova vitória, agora sobre o Lyon, na casa do adversário. Essa parte final da história é o que o mundo do futebol sempre espera dele, o jogador que desequilibra e, principalmente, decide.

Mas dessa vez só os gols não serão suficientes para o brasileiro desconstruir a péssima imagem que criou nos últimos tempos. Na segunda-feira, na festa da FIFA dos melhores jogadores do futebol mundial, pelo segundo ano consecutivo Neymar não estava lá. É importante lembrar que nas duas últimas temporadas ele sofreu várias lesões e não teve sequência em campo, mas também têm que ser atribuídas ao camisa dez os inúmeros equívocos que cometeu na condução da carreira.

Há mais de setecentos dias Neymar não aparece na lista dos dez jogadores finalistas das eleições promovidas pela entidade máxima do futebol. É verdade que nesse período ele se tornou o terceiro maior salário entre os que mais ganham em clubes profissionais, mas, ao mesmo tempo em que foi se tornando uma mina infindável de dinheiro, suas escolhas se mostraram um fracasso.

Há pouco mais de dois anos, Neymar decidiu trocar o Barcelona pelo PSG por um único motivo. Cansado de viver o papel de coadjuvante do argentino Messi, ele queria ser a grande estrela de um time. Foi para a França na maior transação envolvendo dois clubes. O valor total da transação alcançou 252 milhões de euro. O Barcelona ficou com a maior parte do bolo, 22 milhões de euros. Os representantes do jogador, incluindo o senhor Neymar, pegaram 10.7 milhões de euros. Ao Santos, clube formador, coube 8.7 milhões de euros.

Mesmo tendo conquistado o bicampeonato nacional, o craque não se encontrou na França. O jogador reclama da qualidade técnica das competições do país. O time dele também está longe de brigar pelo título da Champions League. Neymar, que queria ser rei, descobriu que no futebol existem realizações muito mais expressivas.

Desapontado e angustiado com as críticas que tem sofrido de todos os lados, o jogador deu uma entrevista ao jornal britânico Mirror assumindo sua culpa, sem revelar exatamente em quais episódios ou em que momentos da carreira, afinal, são dezenas de tropeços ao longo dos últimos anos. Os deslizes vão desde briga com treinador, discussão com companheiros, agressão a torcedor, punição por declarações contra arbitragem, recusa em continuar no mesmo clube, culminando com uma acusação de estupro.

"Você tem que ser sempre perfeito, e isso, como ser humano, é impossível. Fiz besteira várias vezes, cometi muitos erros e, agora, recuperar toda a confiança que tinha tem um preço muito elevado", começou assim sua confissão.

"Penso que é normal um ser humano falhar, faz parte da vida, e é graças a esses erros que se consegue crescer e aprender. Com confiança, um jogador arrisca e tenta fazer coisas diferentes em campo. Isso é altamente importante. Estou na pior fase da minha carreira, tive duas lesões graves nos últimos dois anos e tenho saudades de marcar gols. Estou tentando me preparar para impedir que voltem a acontecer" continuou admitindo seu momento ruim.

"Mas chega um ponto em que acabo frustrado, com raiva, explodindo e sem me comunicar de maneira correta. Estou tentando melhorar isso. Sempre que preciso conversar com alguém, tento conversar. E acho que isso está me fazendo bem", explicou como espera mudar a sua postura.

"Acho que quando você está mentalmente bem, as coisas acontecem naturalmente. É mais provável que você faça as coisas certas. Se você não estiver tão bem, as coisas não acontecerão como você espera. Às vezes é difícil porque você sempre tem que ser perfeito e, como ser humano, é impossível", afirmou o jogador.

"Eu errei várias vezes e recuperei toda a confiança que tinha por um preço alto, mas acho que é normal que os seres humanos falhem, faz parte da vida e, devido a esses erros, você cresce e aprende", prosseguiu nas declarações.

"Confiança é uma das melhores características que você deve ter. Se você perde, perde seu estilo, suas habilidades. Estar confiante, pode arriscar fazer coisas diferentes e isso é muito importante em campo" (Sic), seguiu se explicando.

"Às vezes acho estranho, mas sou muito grato e honrado porque sei como é ser fã. Eu vim do nada, também sou fã de muitas pessoas. Quando a fama acontece com você, acaba sendo um pouco estranho, mas você se acostuma. Me sinto orgulhoso e feliz. Sou muito honrado de ser uma pessoa que é um exemplo para os outros. É uma forma de encorajamento. Então, se eu posso ajudar de alguma forma, sempre tento fazer a coisa certa, jogando futebol, tirando uma foto ou dando um abraço", diz acerca do papel de ídolo.

"Meus pais, minha irmã, minha família e meus amigos. É para eles que jogo e treino todos os dias. Sei que estão sempre do meu lado. São as pessoas que me ajudaram quando eu não tinha nada", completou.

Mas, no final, Neymar voltou a ser Neymar. Ao invés de fazer planos de conquistas pelo atual clube, de recompensar quem o remunera com quase R$ 13 milhões por mês ele preferiu dizer que seus projetos pessoais estão em primeiro lugar.

"Quero ser o melhor jogador de futebol do mundo. Simples assim", finalizou o "novo" Neymar.

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