Na Austrália tem uma senhorazinha que acaba de entrar para o livro dos recordes por ser a pessoa mais idosa a participar dessa aventura

O nome da destemida senhora é Irene O'Shea. Nossa personagem não pode ser classificada como uma paraquedista de larga experiência, mas também não é nenhuma iniciante. No dia em que completou 100 anos, em 2016, ela experimentou a sensação de voar presa a um paraquedas acompanhada de um instrutor. De lá para cá, a bisavó do paraquedismo tem feito saltos aproveitando a repercussão que suas aventuras proporcionam para divulgar também uma campanha de arrecadação de dinheiro para uma instituição médica. Dona Irene acabou se tornando a recordista de pessoa mais velha a saltar, desbancando um herói de guerra. 

 

Primeiro recorde em 2017  

 

"Irene O'Shea é uma mulher inspiradora, vivendo sua vida ao máximo e com incrível humildade". É assim que a empresa que carrega a senhora dos paraquedas define a heroína desse esporte. 

O primeiro pulo foi realizado há dois anos. Dona Irene queria realizar um sonho antigo e nem se importou com a idade. A coragem dela se espalhou e a bisavó dos paraquedas resolveu continuar praticando saltos com um intuito nobre: arrecadar fundos para uma organização beneficente que investiga a cura de uma doença do neurônio motor.

Há dez anos ela perdeu uma filha que sofria dessa doença conhecida na Austrália como MND. Shelagh FitzHenry tinha 67 anos.

 

Você teria coragem de levar a sua bisavó de 102 anos para um salto de paraquedas?Bisavó Irene segundos antes do salto (Foto SA Skydiving)

 

Em 2017, a bisavó fez novo salto. O momento foi histórico. Quando se atirou pela porta do avião dona Irene estabeleceu o recorde de pessoa com mais idade a praticar paraquedismo. 

Na carona do dia especial, O’Shea aproveitou para aumentar a conscientização e pedir dinheiro para a campanha. O movimento conseguiu arrecadar oito mil e seiscentos dólares que foram destinados a Motor Neurone Disease Association of South Australia

No último domingo, a simpática velhinha retornou a região vinícola de Langhorne Creek Dropzone, de onde partem os aviões. Para acompanha-la novamente foi escalado o instrutor e paramédico Jed Smith. Jed se tornou paraquedista com apenas 14 anos e tem em uma ficha com mais de 3.700 saltos. 

A preparação foi toda especial. Dona Irene caminhou até a aeronave com a ajuda de uma bengala. Mais três instrutores se apresentaram para fazer parte desse novo momento histórico. 

 

Você teria coragem de levar a sua bisavó de 102 anos para um salto de paraquedas?Irene com o instrutor Jed (Foto: SA Skydiving)

 

Durante o voo a "senhora coragem" recebeu um suprimento de oxigênio fresco. Ao saltar do avião o grupo estava a 14 mil pés do chão, cerca de 4.300 metros. Durante a queda eles atingiram uma velocidade de 220 quilômetros por hora. 

Jed contou que sua parceira Irene estava cheia de sorrisos e emoção durante a descida. Ele descreveu a queda como suave e bela. Antes de abrir o paraquedas a dupla atravessou por nuvens finas contemplando as vistas do Lago Alexandrina, do canal de navegação Coorong e o ponto em que o rio Murray encontra o Oceano Antártico, no sul da Austrália. 

Amigos e familiares aguardavam no ponto de pouso pela bisavó Irene. A aterrissagem foi perfeita e tranquila. Aos 102 anos e 194 dias, a australiana O’Shea acabara de ampliar seu próprio recorde mundial. 

Ao ser perguntada se era viciada em adrenalina, ela respondeu com simplicidade: "até onde eu sei, sou o mesmo que todo mundo, apenas uma pessoa normal".

Irene só fez uma queixa: "O céu estava aberto e foi um bom dia, apesar de ter passado muito frio". 

 

O recorde era de um veterano de combates

 

Antes dos dois últimos saltos de Irene, o recorde pertencia a um veterano de combates, que participou da Segunda Guerra Mundial e estava presente no famoso Dia D. Aconteceu em 2017. Bryson William Hayes, conhecido como Verdun, tinha 101 anos e 38 dias de idade quando partiu da janela de um aviãozinho do mesmo grupo da Skydiving. 

O salto foi a uma altitude de 15 mil pés e pode-se afirmar que se tratou de uma aventura em família. Nada menos do que dez integrantes de três gerações do clã Hayes participaram do pulo com o patriarca. Entre eles estavam no avião da companhia, em Dunkeswell, um casal de bisnetos, o mais jovem com apenas 16 anos, um neto com 50 anos e um filho de 74 anos. 

Quando o ex-cabo da unidade do exército britânico da Royal Signals pousou ele disse que se sentia como se estivesse "absolutamente na lua". 

 

Você teria coragem de levar a sua bisavó de 102 anos para um salto de paraquedas? Família Hayes subindo para o salto (Foto: SA Skydiving)

 

Um sonho adiado por muitos anos 

 

Hayes envelheceu contando histórias de guerra. A atuação dele tinha sido em batalhas na Holanda, Bélgica, Alemanha e na Normandia. 

Durante um conflito, o militar sofreu ferimentos por estilhaços nas costelas e nas mãos. Uma explosão ainda matou seu grande amigo, o sargento Edgar Robertson. "Como cheguei em casa depois da Segunda Guerra mundial eu não sei. Eu perdi uma quantidade de amigos em pouco tempo. Eu não achei que voltaria para casa", contou o combatente. 

Mas apesar de todo o heroísmo, Verdun carregava uma frustração. Ele sempre esperou um dia poder se lançar de um avião levando um paraquedas nas costas. 

O que fez o veterano adiar por tanto tempo o sonho foi o medo da esposa dele. Hayes lembra que ao completar nove décadas de vida colocou na cabeça que deveria realizar um salto, mas acabou convencido pela esposa a não se arriscar. Só depois que ficou viúvo o bisavô finalmente levou seus planos adiante. 

A estreia no paraquedismo se deu quando Hayes também completou um século de existência. Mas ele não se contentou com o feito. O inglês estabeleceu uma meta que precisaria de mais um tempo para alcança-la: o recorde de pessoa mais velha a saltar. Até aquele momento essa façanha pertencia ao canadense Armand Gendreau. O feito de Armand foi em junho de 2013, quando ele tinha 101 anos e 3 dias.

Em maio de 2017, com 101 anos e 38 dias, William Verdun Hayes saltou novamente e virou o recordista. Agora é da senhora Irene a marca mais expressiva.  

 

Você teria coragem de levar a sua bisavó de 102 anos para um salto de paraquedas?Salto do bisavó Verdun (Foto: SA Skydiving) 

 

Nem tudo são flores nos saltos de paraquedas 

 

A prática do paraquedismo na Austrália é muito comum. Foi nos céus do país que sobrevoaram os aviões carregando o senhor e a senhora recordista. Mas também os australianos já assistiram há alguns acidentes desse esporte, até com vítimas fatais. 

No dia 13 de outubro do ano passado aconteceu o mais sério. Três pessoas morreram em Queensland. As investigações mostraram que dois instrutores e uma cliente (que fazia um salto duplo) tiveram problemas durante o pulo ao se chocarem no ar. Os paraquedas acabaram apresentando falhas na sequência e não funcionaram corretamente. 

As vítimas foram encontradas sem vida a mais de um quilômetro do local habitual de aterrissagem, em Mission Beach. Segundo a empresa Skydive Austrália, o paraquedista que estava sozinho era um instrutor muito experiente, com mais de mil saltos no currículo.

Em 2012, em outro acidente parecido, um paraquedista australiano morreu e outro ficou ferido depois de colidirem no céu de Wilton, a sudoeste de Sydney.

Felizmente, com a bisavó dos saltos tudo sempre deu certo. A empresa que organizou o voo e tomou todos os cuidados postou em seu site uma mensagem reverenciando a coragem da senhora O’hea: "A SA Skydiving parabeniza Irene por suas conquistas incríveis, agradece a todas as partes interessadas em fazer esse momento acontecer e espera aumentar a conscientização e o dinheiro para a MNDSA".

 

Você teria coragem de levar a sua bisavó de 102 anos para um salto de paraquedas?Fim do salto recodista mundial em idade (Foto: SA Skydiving)
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