O bombardeio de mensagens durante os meses que antecederam as eleições saturou a paciência de todo mundo
Whatsapp encheu o saco

O aplicativo foi desenvolvido para ser de troca de mensagem. Você mandava para alguém, do outro lado a pessoa lia e respondia. Assim, a banda ia tocando. Um belo dia criaram a comunicação em grupo. No começo era super legal. De uma "veizada" só o usuário falava com um monte de gente e via também as conversas de pessoas que ele conhecia. Depois criaram a facilidade para compartilhar simultaneamente a mesma mensagem para várias pessoas no privado e em grupos. Oba, estão facilitando ainda mais a minha vida. Não era assim que a gente pensava? Até que vieram as eleições e aí.....

Como você é uma pessoa que gosta de leitura, de estar informada, antenada nas coisas que acontecem no mundo, muito provavelmente percebeu que o Whatsapp tinha se tornado também uma bela fonte de informação. Toda hora chegava algo novo que você ainda não tinha visto.

Com o passar do tempo começaram a falar para a gente que muita coisa parecia falsa, que estava cheirando mal. Eram as bendidas fake news. Aí, passamos a ser mais críticos na hora de ler os textos, assistir os vídeos e ouvir os áudios. É bem verdade que a turma que espalha as mentiras capricha, tenta ao máximo ser convincente. Tudo bem que tinham armações que também eram grosseiras, mas no geral eles conseguiram enganar muita gente. Muita gente quer dizer milhões. Em julho o Brasil já tinha 120 milhões de pessoas conectadas no aplicativo de mensagens. Mas o pior ainda estava por vir.

 

As trincheiras do zap zap

 

A corrida pela presidência dividiu o país. De um lado a turma de esquerda que queria se manter no poder e do outro os anti PT. Aquela encheção de quadrilha lulista contra o terror da homofobia, racismo, misoginia e o escambal que a gente não vai voltar a falar aqui. Basta apenas recordar o quanto fomos bombardeados.

Nossos amigos, parentes e companheiros de trabalho encherem a nossa caixa de mensagem para atacar alguém ou tentar nos convencer de que o candidato dele era o melhor. Quem não recebeu pelo menos umas cem mensagens desse tipo pode se sentir um felizardo. De uma hora para outra a vida dos brasileiros do zap zap virou um inferno.

Pior é que a medida que o tempo foi passando nos irritamos com a insistência das mesmas pessoas, com a mesma bandeira querendo nos convencer de manhã, de tarde e de noite. Essa galera deveria ter tomado um remedinho para controlar a ansiedade, tipo lexotan. Teria feito muito bem.

Prontos para explodir tivemos que bloquear algumas pessoas. Mesmo assim, o bate boca continuou em família, na rua, na roda de cerveja e no salão da mulherada. O saldo foi muito ruim. Tem amizade que jamais será a mesma. Tem parente que nunca mais vai olhar na cara do outro. Claro que não foi o Whatsapp o ponto da discórdia, a briga era por causa de partidos e políticos. Mas o uso do aplicativo ajudou muito a incendiar a lona do circo.

 

Whatsapp encheu o saco

 

O fim dessa história é que nos enfastiasmo do Whatsapp. Perdemos a paciência até em trocar mensagens que não tem nada haver com política. Já reparou que ao receber uma notificação, ao abrir o perfil da pessoa que te enviou um texto, do outro lado ela corre para sair do on line? Aí você responde e também sai ligeiro para não te pegarem. Isso é a consequência de uma ressaca brava. Ficamos impacientes depois da overdose de ele sim, ele não e de mais milhões de outras mensagens.

O mundo moderno tem proporcionado confortos fantásticos para a humanidade e facilidades incríveis. Sensacional. Mas ao mesmo tempo usamos a tecnologia para nos tornarmos também agressivos e intolerantes.

 

Santos Dumont e o desgosto com a criação

 

Conta a história que o inventor do avião, Alberto Santos Dumont, cometeu suicídio sem deixar uma carta relatando os motivos que o levaram a tal decisão. Uma das hipóteses seria o desgosto que ele sentiu ao ver sua criação ser usada em combates de guerra, algo que Dumont nunca imaginou. Ao desenvolver um equipamento que ganhava altura partindo do solo a intenção desse mineiro era de realizar o sonho do homem de voar, não de desenvolver um objeto de destruição.

 

Whatsapp encheu o saco

 

Verdade ou fantasia, o exemplo pode servir para os dias atuais. Uma invenção que foi criada para aproximar pessoas virou arma de uma guerra na eleição. Desgostosos e empanturrados adquirimos preguiça com o zap. Hoje, o aplicativo de bate papo de muitos celulares está no modo silencioso, se é que não foi deletado, mesmo que temporariamente. As mensagens que voavam longe e de graça já não são mais a realização de um sonho de apenas encurtar distâncias e matar a saudade. Muitas se tornaram chatas e insuportáveis. Talvez agora você entenda um pouco o coração de Dumont.

 

Whatsapp encheu o saco

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Marcia Mendes

Marcia Mendes

Você traduziu perfeitamente nossa sensação com este aplicativo
★★★★★DIA 03.11.18 13h21RESPONDER
Guilherme Mendes
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Guilherme Mendes

Guilherme Mendes

Não podemos abrir mão de um recurso tão importante, mas é preciso encontrar moderação tanto no uso que fazemos para enviar mensagens quanto de sermos "viciados" em aguardar novas notificações o tempo todo. Abraço 

★★★★★DIA 03.11.18 13h30RESPONDER
Marcia Mendes
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